Pentágono divulga vídeos da operação que neutralizou o líder ISIS Abu Bark al-Baghdadi

Nesse 30 de outubro, o Marine Corps general Kenneth F. McKenzie, divulgou para a imprensa as imagens do ataque ao líder ISIS Abu Bark al-Baghdadi, inclusive vídeos mostrando como foi conduzida a operação.

O general Kenneth F. McKenzie declarou:

“Como ficou claro que havíamos adquirido informações claras e acionáveis ​​sobre o esconderijo dele, desenvolvemos um plano projetado para capturá-lo ou matá-lo e começamos a preparar uma equipe de operações especiais para a missão”.

“A equipe de operações especiais foi montada na Síria e lançada contra um complexo isolado na província de Idlib, a cerca de 6 km da fronteira com a Turquia”.

“Avaliamos que ele estava escondido na província de Idlib para evitar a intensa pressão exercida sobre o ISIS em outras áreas da Síria”, disse o general.

“Após a neutralzação / suicídio de Baghdadi, a força de assalto retirou os restos do túnel e preservou os restos mortais de Baghdadi para verificação de DNA”, disse McKenzie, acrescentando que os restos foram identificados positivamente. O corpo foi adequadamente enterrado no mar, de acordo com a lei do conflito armado, disse ele.

As aeronaves destruíram o complexo para que não possa ser usado como santuário do assassino, agora é apenas uma àrea com grandes buracos”, disse McKenzie. disse o general a repórteres.

Aparentemente, o briefing militar e o vídeo divulgado pretendiam dissipar várias dúvidas sobre a versão do Pentágono da suposta morte de Baghdadi. No entanto, o vídeo fornecido não pode confirmar que Baghdadi estava presente pelo menos no site.

As imagens do ataque:

Clip 01

Clip 02

Clip 03

Clip 04

 

DOD Photo. A side-by-side comparison of the compound before and after the raid. No collateral damage to adjacent structures Oct. 26, 2019.
DOD image. Map of Syria with approximate location of Baghdadi raid Oct. 30, 2019.

As versões não oficiais sobre a ação

Enquanto isso, mais e mais rumores selvagens estão surgindo sobre o caso Baghdadi. Vários partidos e supostos aliados dos EUA correm para reivindicar um pouco de sucesso nas relações públicas com a suposta elimitação do principal terrorista. Depois da ação concluìda todos querem uma boa parte dos louros da vitòria.

Um desertor do ISIS, que forneceu informações aos EUA, foi fundamental para o ataque que matou o líder do ISIS Abu Bakr al-Baghdadi, informou o Washington Post .

O homem era supostamente um assessor de logística e oficial de confiança de al-Baghdadi e forneceu informações, incluindo que o líder do ISIS estava sempre armado com um cinto de suicídio para que ele pudesse se matar se alguém tentasse capturá-lo.

O informante do ISIS também receberia a maior parte, mas não a totalidade, da recompensa de US $ 25 milhões que al-Baghdadi tinha em sua cabeça. O desertor do ISIS estava tão perto de al-Baghdadi, na verdade, que ele esteve presente durante o ataque que resultou na morte de al-Baghdadi. Segundo o Washington Post, os EUA extraíram o informante e sua família da região dois dias depois.
Uma autoridade disse que a “toupeira” (codemane do desertor do ISIS) era um árabe sunita que se voltou contra o ISIS depois que o grupo matou um parente, informou a agência.

O líder das Forças Democráticas da Síria, general Mazloum Abdi, disse na segunda-feira à NBC News que sua organização tinha um informante que ajudou na invasão. Alegadamente, o informante roubou a cueca de al-Baghdadi e deu informações específicas sobre como encontrá-lo.

Mas o Departamento de Defesa dos EUA e a Casa Branca se recusam a reconhecer que algo desse tipo aconteceu.

“Eu não vou comentar sobre o que pode ou não ter acontecido com o SDF no objectivo,” O general Mark A. Milley, o presidente do Joint Chiefs of Staff, disse em 28 de outubro th . “As ações sobre o objetivo, a aeronave entrando, a aeronaves envolvidas e todos os militares que conduziram o assalto foram apenas nos EUA”.

Até o briefing do General McKenzie do Corpo de Fuzileiros Navais não mencionou um colaborador/agente do ISIS ou um agente das Forças Democráticas da Síria (SDF).

A transcrição da coletiva de imprensa do DoD pode ser vista no link abaixo:

https://www.defense.gov/Newsroom/Transcripts/Transcript/Article/2004092/department-of-defense-press-briefing-by-assistant-to-the-secretary-of-defense-f/

Com informações do U.S. Department of Defense DoD via redação Orbis Defense Europe.

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Source: DefesaTV Mundo

Departamento de Estado dos EUA ainda trabalham para que Turquia não utilize os sistemas S-400

Conforme publicação da agência de notícias Reuters, onde ela cita como fonte um alto funcionário do Departamento de Estado, os EUA ainda estão pressionando a Turquia para não utilizarem os recém adquiridos sistemas russos de defesa antiaérea S-400. A fonte teria afirmado que “ainda existe uma trabalho para fazer com que os turcos não usem os sistemas S-400”.

“Esta é ainda uma questão em aberto. Estamos falando de remediação, reenvio, reconciliação. A questão não está fora da mesa “, falou. “Nem todos no governo aprovaram a compra e que muitos preferem não colocar a Turquia em risco de uma influência russa a um isolamento dos parceiros da OTAN e dos EUA”, enfatizou a fonte.

  • Com agências Internacionais

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Source: DefesaTV Mundo

Imagens do local do ataque de Forças Especiais que neutralizou o líder do ISIS na Síria

Com a ajuda de colaboradores anônimos dos EUA e da Russia em campo na Síria, alguns veículos de imprensa independentes conseguiram obter imagens, onde as quais mostram as conseqüências da operação realizada nesse sábado (26), ao norte de Idlib, quando o líder do ISIS, Abu Baker al-Baghdadi, foi morto durante ação das Forças Especiais dos EUA.

As fotos mostram os restos do complexo de al-Baghdadi na cidade de Barisha, no norte de Idlib, perto da fronteira com a Turquia. Um veículo destruído e o que parece ser restos humanos também podem ser vistos em algumas fotos.

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1as imagens do local do ataque de Forças Especiais que neutralizou o lìder do ISIS na Síria

Com a ajuda de colaboradores anônimos dos EUA e da Russia em campo na Síria, alguns veìculos de imprensa independentes conseguiram obter e divulgaram fotos, mostrando as conseqüências da operação norte-americana realizada nesse sàbado, 26 de outubro no norte de Idlib, na qual o líder do ISIS Abu Baker al-Baghdadi foi morto na ação  das Forças Especiais dos EUA no local .

As fotos mostram os restos do complexo de al-Baghdadi na cidade de Barisha, no norte de Idlib, perto da fronteira com a Turquia. Um veículo destruído e o que parece ser restos humanos também podem ser vistos em algumas fotos.

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Ataques de precisão dos EUA eliminaram o líder do ISIS na Síria

Em uma operação aérea e terrestre de grande precisão, forças dos EUA  eliminaram o líder do ISIS na Síria, causando grande perca à estrutura do terrorismo islâmico na região. Além disso, as forças dos EUA apreenderam muitos dados importantes relacionados aos planos e ações adicionais do ISIS no campo atacado. As forças especiais americanas  teriam evacuado 11 crianças antes do ataque final e eliminaram vários terroristas durante a operação de forças especiais e que terminou com um grande ataque aéreo da USAF com bombas de precisão guiadas à laser, que arrasaram completamente o local.

Trump também agradeceu aos governos da Rússia, Síria e Iraque por ajudar nos esforços dos EUA contra o líder do ISIS. Segundo Trump, a Rússia abriu espaço aéreo para aeronaves dos EUA envolvidas na operação contra al-Baghdadi.

O governo Trump precisava de uma operação para eliminar al-Baghdadi para, mais uma vez, receber o crédito por “ eliminar o ISIS ” e obter um sucesso de relações públicas pelas reivindicações de “ missão cumprida ” de Trump e pela retirada das tropas americanas do norte da Síria. Com esses desenvolvimentos, Trump poderá explicar a estratégia de seu governo para o Oriente Médio ao público interno antes das próximas eleições presidenciais em 2020.

Outro fator importante é que a ação dos Estados Unidos revelou mais uma vez a política dupla dos estados ocidentais e da grande mídia que tem promovido o noroeste da Síria, incluindo a província de Idlib, como reduto da “oposição democrática” ao “regime sangrento” de Bashar al-Assad. De fato, essa “oposição democrática” não existe e a área da Grande Idlib é quase totalmente controlada por vários radicais e terroristas. Então, o líder do ISIS e seu círculo interno estavam livres para se esconder ali, perto da fronteira turca.

Em seu pronunciamento, Trump afirmou:

” Baghdadi detonou um colete com explosivos, matando ele e três filhos, após agentes especiais americanos encurralarem-no em um túnel sem saída na Síria. “Seu corpo ficou mutilado pela explosão. O túnel ainda desabou sobre ele. Mas os resultados de testes deram certeza imediata e identificação totalmente positiva. Era ele”.

“O bandido que tentou tanto intimidar outros passou seus últimos momentos com medo absoluto, totalmente em pânico e desesperado, aterrorizado pelas forças americanas que lhe atacavam”, ressaltou Trump…

A operação foi considerada um grande sucesso por todos os envolvidos e nenhum pessoal dos EUA foi morto ou ferido na operação.

Outros relatórios de observadores na Síria na sobre o ataque especulam que:

– O ataque em Barisha foi muito mais violento que o necessàrio, para destruir o complexo de al-Baghdadi e impedir que ele se transforme em um local de culto para vários radicais e apoiadores do ISIS;
– A Turquia não foi informada sobre a operação porque o presidente Erdogan não é mais um “parceiro confiável” dos EUA. É difícil supor como isso é possível, devido à localização da suposta operação;
– A Turquia não forneceu informações de inteligência aos EUA
– Como esperado, as Forças Democráticas Sírias lideradas pelos curdos já alegaram que a suposta operação contra al-Baghdadi se tornou possível graças à sua assistência à coalizão liderada pelos EUA. Esse é um comportamento comum para o grupo curdo que gosta de fingir que é responsável por uma derrota total do ISIS.

  • Com informações do serviço de comunicação da Casa Branca dos Estados Unidos da América via redação Orbis Defense Europe.

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Source: DefesaTV Mundo

Entrevista com o Force Commander da MONUSCO, General de Divisão Elias

À frente da maior e mais antiga missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), o general de divisão Elias Rodrigues Martins Filho, é provavelmente o único oficial do Exército Brasileiro (EB) de alta patente em um front real de guerra.

Sob seu comando na República Democrática do Congo (RDC) estão 15 mil militares de 49 países que tentam pacificar a nação africana convulsionada por centenas de grupos armados e um surto de ebola.

Além de evitar matanças tribais, sequestros de crianças para serem transformadas em soldados e coibir estupros, as tropas de paz da ONU são alvo frequente de emboscadas.

O general Elias já ocupou, entre outros cargos, o de chefe de inteligência do Ministério da Defesa do Brasil e o de Oficial de Comando do Batalhão da Guarda Presidencial. É pós-graduado em Relações Internacionais e formado pela Escola Superior de Guerra.

É o segundo comandante brasileiro na Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo  (Monusco) – o primeiro foi general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência.

Direto de Goma, na fronteira entre a República Democrática do Congo e Ruanda, onde está seu quartel-general, ele concedeu a seguinte entrevista.

  • Como está a situação na República Democrática do Congo?

A missão é de uma complexidade muito grande. É também antiga, porque, nos anos 1960, já tínhamos participação da ONU no Congo, inclusive com destacamento da Força Aérea Brasileira (FAB).

Em 1999, a ONU restabeleceu sua presença na região a partir do golpe de Estado que derrubou Mobutu Sese Seko (presidente do então Zaire) e seguido do assassinato do general Kabila (Laurent-Désiré Kabila, presidente entre 2005 e 2007).

Havia muita disputa pelas áreas do território congolês. Esse país é riquíssimo em termos de terras agrícolas, em produtos minerais, culturais, mas também é formado a partir de uma decisão colonialista que uniu grupos que nem sempre eram amistosos entre si.

Segundo alguns estudiosos, temos mais de 340 grupos étnicos, o que torna muito difícil a missão de governar esse país com harmonia. Há mais de uma centena de grupos armados, que estão desafiando o poder do Estado em áreas ricas de minerais.

Alguns dos mais ativos e cruéis são estrangeiros, como as Forças Democráticas Aliadas, um grupo ugandense. Temos outro exemplo que remonta à época do genocídio em Ruanda, que são as Forças Democráticas de Liberação de Ruanda (FDLR), praticamente um exército paralelo que tem como objetivo retornar ao território ruandês e retomar o poder.

Esses grupos têm sido financiados pelas próprias riquezas do país e têm conseguido sobreviver por pelo menos 20 anos. Houve progresso significativo. Hoje podemos dizer que 75% do território está estabilizado, mesmo diante de todas essas tensões étnicas.

As questões mais violentas estão concentradas na fronteira leste do país, províncias de Ituri, Kivu, Kivu do Sul e Tanganyka.

  • Onde o senhor está baseado?

Meu quartel-general é em Goma, exatamente na linha de fronteira com Ruanda. Mantive meu subcomandante em Kinshasa para contatos políticos e negociações e decidi permanecer aqui junto ao meu estado-maior. Estou mais próximo dos problemas e das minhas tropas.

  • Na época em que o general Carlos Alberto Santos Cruz comandou a Monusco, em 2016, as tropas da ONU eram frequentemente alvo de ataques de grupos rebeldes. Vocês continuam sofrendo emboscadas?

É difícil fazermos comparações, porque se trata de duas guerras diferentes. Santos Cruz teve como seu maior obstáculo o M23, grupo armado muito forte e com estrutura, hierarquia e pensamento militares, que tinha como objetivo derrubar o governo e assumir o comando do país.

Era praticamente uma guerra convencional, um exército contra outro. Isso fez com que a comunidade internacional identificasse a necessidade do desdobramento de uma brigada de intervenção com poder para operações ofensivas.

A partir da inserção dessa brigada e da reconfiguração do mandato da missão naquela época, a Monusco e as forças armadas do Congo conseguiram sucessivas vitórias contra o M23, que, depois de dois anos de combate, veio a se render.

Essa cidade onde estou, por exemplo, caiu nas mãos do M23. Estou falando de uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes.

  • Como é a guerra que o senhor enfrenta?

É assimétrica, no meio do povo, com os grupos armados se misturando à população, tornando-se, para nós, muito difícil a identificação. Esses grupos não têm por objetivo conquistar ou manter áreas.

Querem controlar o comércio das riquezas para se manter vivos e também se impor diante da população a partir de ações cruéis. Alguns realizam ataques em áreas de minério ou em pequenas vilas, mas não querem manter terreno ou derrubar o governo federal.

  • E suas forças de paz acabam sendo alvo?

No ano passado, particularmente, fomos alvo de várias emboscadas, mas conseguimos mudar a mentalidade da tropa e colocá-la em uma postura mais agressiva e melhor protegida. As últimas ações contra a tropa da Monusco representaram uma derrota para esses grupos armados.

Nos últimos seis meses, praticamente não tivemos ataques contra a Monusco. Temos nos desdobrado na direção dos grupos que estão ameaçando as populações civis. Esses grupos têm como modus operandi atacar vilas, cobrar taxas ilegais, saquear supermercados, farmácias e quartéis. Houve um ataque em setembro, em Ituri, que deixou 29 mortos civis.

É uma região rica em petróleo. Há interesse econômico lá. Um grupo armado que estava inativo de repente surgiu com força e capacidade operacional. Essas ações têm sido revidadas pelas forças armadas com nosso suporte, a partir de helicópteros de ataque. Houve um grande número de deslocados.

Em apenas um dos campos, há mais de 17 mil civis. Essas mortes às quais você se refere têm ligação com uma ação de elevada crueldade por parte desse grupo armado, que lançou tiros de morteiro contra o centro do campo de refugiados.

Você pode imaginar um campo com 17 mil civis, mulheres, crianças, pessoas idosas e um grupo armado bombardear esse campo? Esses acontecimentos nos deixam muito tristes. Esses campos têm sido razoavelmente protegidos pelas tropas da Monusco.

Agora, contra tiros de morteiro e de artilharia fica difícil proteger devido à distância a partir da qual são realizados.

  • Em 2003, terroristas atacaram a sede da missão da ONU em Bagdá, no Iraque. Na ocasião, o brasileiro Sérgio Vieira de Melo, chefe da missão, foi morto, junto a outras 21 pessoas. Como está a sua segurança?

Meu quartel-general está assentado no que chamamos setor central da operação. Tenho uma brigada da Índia responsável pelas ações militares. Guma hoje é relativamente segura. A vida aqui é normal, mas merece cuidados – de uma forma ou de outra somos alvos.

Temos algumas restrições de movimento. A partir da meia-noite, o pessoal não pode estar circulando na cidade, por exemplo. Tenho como segurança pessoal dois militares do Exército Brasileiro e sou cercado por dois assistentes de nível coronel e dois capitães que trabalham comigo na assessoria direta.

Tenho ainda minha segurança quando requeiro, seja em casa ou nos deslocamentos, provida pelo batalhão do Uruguai. Considero-me protegido.

  • O senhor tem ido com frequência ao front. Já houve necessidade de confronto?

Sim, temos ido com muita frequência às bases em áreas de maior risco. Essas áreas requerem maior cuidado e é onde precisamos exercer com mais força a liderança e expor nossa visão de como resolver o problema.

Durante esses deslocamentos, temos presenciado o início de confrontos, mas nada muito violento, tendo em vista que, quando nos deslocamos, levamos um aparato adicional: helicópteros de ataque, mais soldados. Isso tudo inibe as ações dos grupos armados. Essas bases estão em áreas bastante remotas, ou nos platôs no Sul, ou em áreas de selva.

São ambientes próximos do que temos na Amazônia e que requerem cuidado especial tendo em vista as dificuldades em identificar uma ação proveniente do interior da selva.

  • Recentemente foram deslocados 13 militares brasileiros, especialistas em selva, para o Congo. Qual é o papel deles?

Nossa brigada de intervenção tem como principal objetivo combater um grupo armado que opera no interior da selva há mais de 20 anos. Para eles, o ambiente operacional de selva é bastante familiar, o que não acontece para as tropas da brigada de intervenção.

No ano passado, identificamos a necessidade de melhor preparação dessas tropas para realizarem ações na floresta. Tentamos algumas opções, nos reunimos com os países que enviam essas tropas buscando sensibilizá-los da necessidade desse treinamento, mas a comprovação foi de que não houve melhora significativa da preparação.

A partir de uma conversa que tive, em 2018, com o general Eduardo Villas Bôas (então comandante do Exército), veio a ideia de desdobrar aqui uma equipe de brasileiros especialistas em operações de selva na Amazônia. O Brasil possui um centro de instrução de guerra na selva de excelência. É respeitado no mundo todo.

  • Onde eles atuam?

Na região de Beni, onde está a sede da brigada de intervenção. É a região mais problemática, onde há o grupo armado mais violento e que é centro de gravidade do ebola. É uma região com problemas para todos os gostos.

As respostas têm sido muito positivas, tanto que agora as forças armadas do Congo também solicitaram o treinamento de três batalhões para operações na selva. Essa presença brasileira é um ponto de inflexão na história das missões de paz.

Por quê?

Porque o treinamento é de responsabilidade do país que envia tropa. Se o Brasil envia um batalhão para uma operação de paz, a responsabilidade de prepará-lo para que seja efetivo é do país contribuinte. Tivemos de quebrar vários paradigmas.

Felizmente, está se constatando o quão certo foi essa medida. Hoje, ela é vista com bons olhos por vários países, inclusive pelos que estão recebendo treinamento, que apresentaram, inicialmente, uma reação normal, tendo em vista o próprio orgulho nacional de ver sua tropa sendo treinada por estrangeiros.

Mas, felizmente, os objetivos têm sido atingidos. Pela experiência que o Brasil adquiriu nos 13 anos de missão no Haiti, havia a expectativa do envio de tropas para o Congo, mas essa missão foi cancelada pelo governo Temer por razões econômicas.

  • O senhor lamenta?

Lamento muito. Eu estava aqui como comandante quando, no ano passado, apareceram duas janelas de oportunidade para que o Brasil pudesse contribuir com um batalhão nessa missão. Faria a diferença aqui, pela forma como o brasileiro lida com a população local no ambiente de operação de paz, pelo profissionalismo do nosso militar e, no caso específico da selva, pela expertise que temos.

Lamento muito, tentamos duas vezes, mas compreendemos que o Brasil, no ano passado, estava com um problema – que se mantém – orçamentário muito grave e que não seria possível naquele momento contribuir. A Monusco representa uma vitrine para todo o sistema ONU, é um laboratório das boas iniciativas.

É a única missão que tem mandato para neutralizar grupos armados. É a única que tem brigada de intervenção. E a única com um grupo de experts na operação treinando tropas para conduzir operações em ambiente de missão. É importante entender que tem havido algum progresso, e a solução não é puramente militar.

As forças da ONU criaram um ambiente propício para a discussão política. Mas, infelizmente, por questões diversas, essa solução ainda não pôde ser totalmente colocada em prática.

Há hoje muitos grupos armados querendo se render, mas infelizmente não tivemos condições técnicas e até orçamentárias para levar à frente esses programas de desarmamento e reintegração porque o governo precisa estar na liderança desses processos e o governo agora está se estabelecendo no país.

Houve eleição em janeiro, o presidente assumiu em março, precisou de tempo para estabelecer a governança. Temos agora boa oportunidade de darmos mais um passo na direção da estabilização e da pacificação do país.

  • Como é atuar em uma área onde há o risco do ebola? Que cuidados vocês tomam?

Já tivemos mais de 2,2 mil mortes por ebola, considerando apenas o último surto. Está sendo testada uma vacina que tem mostrado 97% de eficácia. Temos várias tropas empregadas nas áreas que são centros do problema, onde o vírus tem se disseminado mais. Determinei que essas tropas fossem vacinadas.

É uma medida. As outras também têm sido eficazes. O ebola não passa pelo ar, precisa haver contato. Se você não apertar a mão, não tiver contato físico com alguém contaminado, a probabilidade de adquirir a doença é ínfima. Em áreas onde há ebola, sequer apertamos a mão dos nossos companheiros.

Não temos contato físico e estabelecemos medidas preventivas, tais como lavar as mãos ao entrar e ao sair de todos os recintos. O controle é muito eficaz, mas enfrentar o ebola é também um problema de segurança.

A doença trouxe uma questão econômica para a disputa, pela quantidade de recursos que foram trazidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela quantidade de staff que a Monusco teve de desdobrar para aquelas áreas. Houve uma demanda muito grande para aluguel de carro, de casa, terrenos para estabelecer bases.

Tudo isso em uma região carente atrai quem quer tirar vantagem econômica do problema. Alguns grupos armados vinham atacando com frequência os funcionários humanitários encarregados de tratar a doença. Chegamos ao pico de mais de 250 humanitários, especialistas, médicos, enfermeiros de todo o mundo, sob a coordenação da OMS e de ONGs.

O secretário-geral da ONU nomeou um profissional para ser o coordenador das ações, e com isso passamos a ter mais sucesso. É uma região bastante povoada, essa é uma diferença que temos em relação à Amazônia. A floresta é parecida, mas o povoamento aqui é totalmente distinto.

Temos grandes cidades e uma enormidade de vilas espalhadas pela região de selva. Daí a dificuldade de sermos mais efetivos na proteção dos civis. Quando você coloca ao lado disso o número de cortes orçamentários e de tropas que tenho de mandar de volta para casa por falta de dinheiro, vê que minha vida ficou mais difícil.

  • Muitos países não estão contribuindo. A falta de dinheiro tem sido um problema para a missão?

Sim. Há sucessivos cortes de verbas. Há três anos, havia 25 mil militares; hoje, há 15,4 mil. Agora, vou ter de mandar de volta para casa, devido a um novo corte de orçamento, dois batalhões de 1,5 mil homens.

  • O senhor é talvez o único alto oficial brasileiro em situação real de front de guerra. Como é essa experiência?

O desafio é o de comandar representantes de mais de 50 países. Tenho mais de 16 batalhões de diferentes origens, e isso exige uma capacidade de liderança muito maior do que nas nossas atividades rotineiras. Essa capacidade de lidar com diferentes backgrounds, aspectos culturais, visões de mundo e diferentes preparos militares nos enriquece bastante.

Ao lado disso, temos questões do dia a dia, o fato de testemunharmos situações nas quais vemos grupos armados agirem com enorme crueldade contra a população indefesa. Isso nos comove como pessoas e nos faz repensar valores. Às vezes, temos de agir para impedir o recrutamento de uma criança ou impedir o massacre de populações inteiras unicamente por terem origens étnicas diferentes.

Imagino que essa experiência pessoal e a profissional nos faz, não apenas a mim, mas a todos os que têm oportunidade de trabalhar nessa operação, refletir mais profundamente sobre o nosso papel e desejar ao povo desse país que aproveite o momento para que busque uma paz duradoura.

Para que se estabilizem esses conflitos e possam ter um futuro melhor. Esse país é muito rico, a população é muito gentil e tem tudo para dar certo, a despeito de todas essas complexidades.

Entenda: os azuis e o Congo

  • Ex-colônia belga, a República Democrática do Congo é um país rico em recursos minerais (diamantes, cobre, cobalto, ouro e nióbio), mas um dos mais pobres do mundo (é o 176º entre 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas);
  • A nação foi despedaçada por conflitos nos últimos 20 anos. Por trás desses embates está um conjunto de rivalidades étnicas e brigas por recursos naturais. São mais de 250 grupos étnicos disputando poder e riqueza;
  • Foi no Congo que teve lugar a Grande Guerra Africana, o mais sangrento conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial. De um lado, o governo de Congo, Angola, Zimbábue e Namíbia. Do outro, os rebeldes do país, apoiados por Uganda, Ruanda e Burundi. Entre 1998 e 2003, essa guerra matou 5,4 milhões de pessoas. A situação segue instável. Existem cerca de 5 milhões de pessoas deslocadas;
  • As forças de paz da ONU estão no país desde 1999 buscando monitorar a trégua entre grupos rivais, governo e países vizinhos. Cerca de 300 capacetes azuis, como são chamadas as tropas multinacionais que compõem essas forças, já foram mortos desde então;
  • Estabelecidos em 1948, os capacetes azuis já foram enviados a inúmeros países. Em 1988, receberam o Nobel da Paz.
  • Por: Rodrigo Lopes/GauchaZC

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Source: DefesaTV Mundo

Entrevista com o Force Commande da MONUSCO, General de Divisão Elias

À frente da maior e mais antiga missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), o general de divisão Elias Rodrigues Martins Filho, é provavelmente o único oficial do Exército Brasileiro (EB) de alta patente em um front real de guerra.

Sob seu comando na República Democrática do Congo (RDC) estão 15 mil militares de 49 países que tentam pacificar a nação africana convulsionada por centenas de grupos armados e um surto de ebola.

Além de evitar matanças tribais, sequestros de crianças para serem transformadas em soldados e coibir estupros, as tropas de paz da ONU são alvo frequente de emboscadas.

O general Elias já ocupou, entre outros cargos, o de chefe de inteligência do Ministério da Defesa do Brasil e o de Oficial de Comando do Batalhão da Guarda Presidencial. É pós-graduado em Relações Internacionais e formado pela Escola Superior de Guerra.

É o segundo comandante brasileiro na Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo  (Monusco) – o primeiro foi general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ex-ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência.

Direto de Goma, na fronteira entre a República Democrática do Congo e Ruanda, onde está seu quartel-general, ele concedeu a seguinte entrevista.

  • Como está a situação na República Democrática do Congo?

A missão é de uma complexidade muito grande. É também antiga, porque, nos anos 1960, já tínhamos participação da ONU no Congo, inclusive com destacamento da Força Aérea Brasileira (FAB).

Em 1999, a ONU restabeleceu sua presença na região a partir do golpe de Estado que derrubou Mobutu Sese Seko (presidente do então Zaire) e seguido do assassinato do general Kabila (Laurent-Désiré Kabila, presidente entre 2005 e 2007).

Havia muita disputa pelas áreas do território congolês. Esse país é riquíssimo em termos de terras agrícolas, em produtos minerais, culturais, mas também é formado a partir de uma decisão colonialista que uniu grupos que nem sempre eram amistosos entre si.

Segundo alguns estudiosos, temos mais de 340 grupos étnicos, o que torna muito difícil a missão de governar esse país com harmonia. Há mais de uma centena de grupos armados, que estão desafiando o poder do Estado em áreas ricas de minerais.

Alguns dos mais ativos e cruéis são estrangeiros, como as Forças Democráticas Aliadas, um grupo ugandense. Temos outro exemplo que remonta à época do genocídio em Ruanda, que são as Forças Democráticas de Liberação de Ruanda (FDLR), praticamente um exército paralelo que tem como objetivo retornar ao território ruandês e retomar o poder.

Esses grupos têm sido financiados pelas próprias riquezas do país e têm conseguido sobreviver por pelo menos 20 anos. Houve progresso significativo. Hoje podemos dizer que 75% do território está estabilizado, mesmo diante de todas essas tensões étnicas.

As questões mais violentas estão concentradas na fronteira leste do país, províncias de Ituri, Kivu, Kivu do Sul e Tanganyka.

  • Onde o senhor está baseado?

Meu quartel-general é em Goma, exatamente na linha de fronteira com Ruanda. Mantive meu subcomandante em Kinshasa para contatos políticos e negociações e decidi permanecer aqui junto ao meu estado-maior. Estou mais próximo dos problemas e das minhas tropas.

  • Na época em que o general Carlos Alberto Santos Cruz comandou a Monusco, em 2016, as tropas da ONU eram frequentemente alvo de ataques de grupos rebeldes. Vocês continuam sofrendo emboscadas?

É difícil fazermos comparações, porque se trata de duas guerras diferentes. Santos Cruz teve como seu maior obstáculo o M23, grupo armado muito forte e com estrutura, hierarquia e pensamento militares, que tinha como objetivo derrubar o governo e assumir o comando do país.

Era praticamente uma guerra convencional, um exército contra outro. Isso fez com que a comunidade internacional identificasse a necessidade do desdobramento de uma brigada de intervenção com poder para operações ofensivas.

A partir da inserção dessa brigada e da reconfiguração do mandato da missão naquela época, a Monusco e as forças armadas do Congo conseguiram sucessivas vitórias contra o M23, que, depois de dois anos de combate, veio a se render.

Essa cidade onde estou, por exemplo, caiu nas mãos do M23. Estou falando de uma cidade de mais de 1 milhão de habitantes.

  • Como é a guerra que o senhor enfrenta?

É assimétrica, no meio do povo, com os grupos armados se misturando à população, tornando-se, para nós, muito difícil a identificação. Esses grupos não têm por objetivo conquistar ou manter áreas.

Querem controlar o comércio das riquezas para se manter vivos e também se impor diante da população a partir de ações cruéis. Alguns realizam ataques em áreas de minério ou em pequenas vilas, mas não querem manter terreno ou derrubar o governo federal.

  • E suas forças de paz acabam sendo alvo?

No ano passado, particularmente, fomos alvo de várias emboscadas, mas conseguimos mudar a mentalidade da tropa e colocá-la em uma postura mais agressiva e melhor protegida. As últimas ações contra a tropa da Monusco representaram uma derrota para esses grupos armados.

Nos últimos seis meses, praticamente não tivemos ataques contra a Monusco. Temos nos desdobrado na direção dos grupos que estão ameaçando as populações civis. Esses grupos têm como modus operandi atacar vilas, cobrar taxas ilegais, saquear supermercados, farmácias e quartéis. Houve um ataque em setembro, em Ituri, que deixou 29 mortos civis.

É uma região rica em petróleo. Há interesse econômico lá. Um grupo armado que estava inativo de repente surgiu com força e capacidade operacional. Essas ações têm sido revidadas pelas forças armadas com nosso suporte, a partir de helicópteros de ataque. Houve um grande número de deslocados.

Em apenas um dos campos, há mais de 17 mil civis. Essas mortes às quais você se refere têm ligação com uma ação de elevada crueldade por parte desse grupo armado, que lançou tiros de morteiro contra o centro do campo de refugiados.

Você pode imaginar um campo com 17 mil civis, mulheres, crianças, pessoas idosas e um grupo armado bombardear esse campo? Esses acontecimentos nos deixam muito tristes. Esses campos têm sido razoavelmente protegidos pelas tropas da Monusco.

Agora, contra tiros de morteiro e de artilharia fica difícil proteger devido à distância a partir da qual são realizados.

  • Em 2003, terroristas atacaram a sede da missão da ONU em Bagdá, no Iraque. Na ocasião, o brasileiro Sérgio Vieira de Melo, chefe da missão, foi morto, junto a outras 21 pessoas. Como está a sua segurança?

Meu quartel-general está assentado no que chamamos setor central da operação. Tenho uma brigada da Índia responsável pelas ações militares. Guma hoje é relativamente segura. A vida aqui é normal, mas merece cuidados – de uma forma ou de outra somos alvos.

Temos algumas restrições de movimento. A partir da meia-noite, o pessoal não pode estar circulando na cidade, por exemplo. Tenho como segurança pessoal dois militares do Exército Brasileiro e sou cercado por dois assistentes de nível coronel e dois capitães que trabalham comigo na assessoria direta.

Tenho ainda minha segurança quando requeiro, seja em casa ou nos deslocamentos, provida pelo batalhão do Uruguai. Considero-me protegido.

  • O senhor tem ido com frequência ao front. Já houve necessidade de confronto?

Sim, temos ido com muita frequência às bases em áreas de maior risco. Essas áreas requerem maior cuidado e é onde precisamos exercer com mais força a liderança e expor nossa visão de como resolver o problema.

Durante esses deslocamentos, temos presenciado o início de confrontos, mas nada muito violento, tendo em vista que, quando nos deslocamos, levamos um aparato adicional: helicópteros de ataque, mais soldados. Isso tudo inibe as ações dos grupos armados. Essas bases estão em áreas bastante remotas, ou nos platôs no Sul, ou em áreas de selva.

São ambientes próximos do que temos na Amazônia e que requerem cuidado especial tendo em vista as dificuldades em identificar uma ação proveniente do interior da selva.

  • Recentemente foram deslocados 13 militares brasileiros, especialistas em selva, para o Congo. Qual é o papel deles?

Nossa brigada de intervenção tem como principal objetivo combater um grupo armado que opera no interior da selva há mais de 20 anos. Para eles, o ambiente operacional de selva é bastante familiar, o que não acontece para as tropas da brigada de intervenção.

No ano passado, identificamos a necessidade de melhor preparação dessas tropas para realizarem ações na floresta. Tentamos algumas opções, nos reunimos com os países que enviam essas tropas buscando sensibilizá-los da necessidade desse treinamento, mas a comprovação foi de que não houve melhora significativa da preparação.

A partir de uma conversa que tive, em 2018, com o general Eduardo Villas Bôas (então comandante do Exército), veio a ideia de desdobrar aqui uma equipe de brasileiros especialistas em operações de selva na Amazônia. O Brasil possui um centro de instrução de guerra na selva de excelência. É respeitado no mundo todo.

  • Onde eles atuam?

Na região de Beni, onde está a sede da brigada de intervenção. É a região mais problemática, onde há o grupo armado mais violento e que é centro de gravidade do ebola. É uma região com problemas para todos os gostos.

As respostas têm sido muito positivas, tanto que agora as forças armadas do Congo também solicitaram o treinamento de três batalhões para operações na selva. Essa presença brasileira é um ponto de inflexão na história das missões de paz.

Por quê?

Porque o treinamento é de responsabilidade do país que envia tropa. Se o Brasil envia um batalhão para uma operação de paz, a responsabilidade de prepará-lo para que seja efetivo é do país contribuinte. Tivemos de quebrar vários paradigmas.

Felizmente, está se constatando o quão certo foi essa medida. Hoje, ela é vista com bons olhos por vários países, inclusive pelos que estão recebendo treinamento, que apresentaram, inicialmente, uma reação normal, tendo em vista o próprio orgulho nacional de ver sua tropa sendo treinada por estrangeiros.

Mas, felizmente, os objetivos têm sido atingidos. Pela experiência que o Brasil adquiriu nos 13 anos de missão no Haiti, havia a expectativa do envio de tropas para o Congo, mas essa missão foi cancelada pelo governo Temer por razões econômicas.

  • O senhor lamenta?

Lamento muito. Eu estava aqui como comandante quando, no ano passado, apareceram duas janelas de oportunidade para que o Brasil pudesse contribuir com um batalhão nessa missão. Faria a diferença aqui, pela forma como o brasileiro lida com a população local no ambiente de operação de paz, pelo profissionalismo do nosso militar e, no caso específico da selva, pela expertise que temos.

Lamento muito, tentamos duas vezes, mas compreendemos que o Brasil, no ano passado, estava com um problema – que se mantém – orçamentário muito grave e que não seria possível naquele momento contribuir. A Monusco representa uma vitrine para todo o sistema ONU, é um laboratório das boas iniciativas.

É a única missão que tem mandato para neutralizar grupos armados. É a única que tem brigada de intervenção. E a única com um grupo de experts na operação treinando tropas para conduzir operações em ambiente de missão. É importante entender que tem havido algum progresso, e a solução não é puramente militar.

As forças da ONU criaram um ambiente propício para a discussão política. Mas, infelizmente, por questões diversas, essa solução ainda não pôde ser totalmente colocada em prática.

Há hoje muitos grupos armados querendo se render, mas infelizmente não tivemos condições técnicas e até orçamentárias para levar à frente esses programas de desarmamento e reintegração porque o governo precisa estar na liderança desses processos e o governo agora está se estabelecendo no país.

Houve eleição em janeiro, o presidente assumiu em março, precisou de tempo para estabelecer a governança. Temos agora boa oportunidade de darmos mais um passo na direção da estabilização e da pacificação do país.

  • Como é atuar em uma área onde há o risco do ebola? Que cuidados vocês tomam?

Já tivemos mais de 2,2 mil mortes por ebola, considerando apenas o último surto. Está sendo testada uma vacina que tem mostrado 97% de eficácia. Temos várias tropas empregadas nas áreas que são centros do problema, onde o vírus tem se disseminado mais. Determinei que essas tropas fossem vacinadas.

É uma medida. As outras também têm sido eficazes. O ebola não passa pelo ar, precisa haver contato. Se você não apertar a mão, não tiver contato físico com alguém contaminado, a probabilidade de adquirir a doença é ínfima. Em áreas onde há ebola, sequer apertamos a mão dos nossos companheiros.

Não temos contato físico e estabelecemos medidas preventivas, tais como lavar as mãos ao entrar e ao sair de todos os recintos. O controle é muito eficaz, mas enfrentar o ebola é também um problema de segurança.

A doença trouxe uma questão econômica para a disputa, pela quantidade de recursos que foram trazidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela quantidade de staff que a Monusco teve de desdobrar para aquelas áreas. Houve uma demanda muito grande para aluguel de carro, de casa, terrenos para estabelecer bases.

Tudo isso em uma região carente atrai quem quer tirar vantagem econômica do problema. Alguns grupos armados vinham atacando com frequência os funcionários humanitários encarregados de tratar a doença. Chegamos ao pico de mais de 250 humanitários, especialistas, médicos, enfermeiros de todo o mundo, sob a coordenação da OMS e de ONGs.

O secretário-geral da ONU nomeou um profissional para ser o coordenador das ações, e com isso passamos a ter mais sucesso. É uma região bastante povoada, essa é uma diferença que temos em relação à Amazônia. A floresta é parecida, mas o povoamento aqui é totalmente distinto.

Temos grandes cidades e uma enormidade de vilas espalhadas pela região de selva. Daí a dificuldade de sermos mais efetivos na proteção dos civis. Quando você coloca ao lado disso o número de cortes orçamentários e de tropas que tenho de mandar de volta para casa por falta de dinheiro, vê que minha vida ficou mais difícil.

  • Muitos países não estão contribuindo. A falta de dinheiro tem sido um problema para a missão?

Sim. Há sucessivos cortes de verbas. Há três anos, havia 25 mil militares; hoje, há 15,4 mil. Agora, vou ter de mandar de volta para casa, devido a um novo corte de orçamento, dois batalhões de 1,5 mil homens.

  • O senhor é talvez o único alto oficial brasileiro em situação real de front de guerra. Como é essa experiência?

O desafio é o de comandar representantes de mais de 50 países. Tenho mais de 16 batalhões de diferentes origens, e isso exige uma capacidade de liderança muito maior do que nas nossas atividades rotineiras. Essa capacidade de lidar com diferentes backgrounds, aspectos culturais, visões de mundo e diferentes preparos militares nos enriquece bastante.

Ao lado disso, temos questões do dia a dia, o fato de testemunharmos situações nas quais vemos grupos armados agirem com enorme crueldade contra a população indefesa. Isso nos comove como pessoas e nos faz repensar valores. Às vezes, temos de agir para impedir o recrutamento de uma criança ou impedir o massacre de populações inteiras unicamente por terem origens étnicas diferentes.

Imagino que essa experiência pessoal e a profissional nos faz, não apenas a mim, mas a todos os que têm oportunidade de trabalhar nessa operação, refletir mais profundamente sobre o nosso papel e desejar ao povo desse país que aproveite o momento para que busque uma paz duradoura.

Para que se estabilizem esses conflitos e possam ter um futuro melhor. Esse país é muito rico, a população é muito gentil e tem tudo para dar certo, a despeito de todas essas complexidades.

Entenda: os azuis e o Congo

  • Ex-colônia belga, a República Democrática do Congo é um país rico em recursos minerais (diamantes, cobre, cobalto, ouro e nióbio), mas um dos mais pobres do mundo (é o 176º entre 189 países no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas);
  • A nação foi despedaçada por conflitos nos últimos 20 anos. Por trás desses embates está um conjunto de rivalidades étnicas e brigas por recursos naturais. São mais de 250 grupos étnicos disputando poder e riqueza;
  • Foi no Congo que teve lugar a Grande Guerra Africana, o mais sangrento conflito armado desde a Segunda Guerra Mundial. De um lado, o governo de Congo, Angola, Zimbábue e Namíbia. Do outro, os rebeldes do país, apoiados por Uganda, Ruanda e Burundi. Entre 1998 e 2003, essa guerra matou 5,4 milhões de pessoas. A situação segue instável. Existem cerca de 5 milhões de pessoas deslocadas;
  • As forças de paz da ONU estão no país desde 1999 buscando monitorar a trégua entre grupos rivais, governo e países vizinhos. Cerca de 300 capacetes azuis, como são chamadas as tropas multinacionais que compõem essas forças, já foram mortos desde então;
  • Estabelecidos em 1948, os capacetes azuis já foram enviados a inúmeros países. Em 1988, receberam o Nobel da Paz.

  • Por: Rodrigo Lopes/GauchaZC

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Soldado Russo mata oito e deixa dois feridos em base militar da Sibéria

De acordo o jornal britânico The Telegraph, um militar recém incorporado as Forças Armadas da Rússia para prestação de Serviço Militar Obrigatório, matou oito e feriu outros dois militares em uma base militar no leste da Sibéria nesta sexta-feira (25), informou por meio de nota, o Ministério da Defesa russo.

O militar foi preso, mas ainda não teve seu nome revelado. Ele, que foi descrito como “um jovem” pela imprensa local,  seria o responsável por guardar a base no momento das mortes. As autoridades locais iniciaram investigações sobre o caso.

Segundo o Ministério da Defesa, a motivação do ataque teria sido “um colapso nervoso devido a problemas pessoais sem relação com os seus deveres militares”. O ministro da Defesa revelou que o incidente ocorreu em Gorny, na parte oriental da Sibéria.

A pequena vila que mal abriga 50.000 habitantes fica a cerca de 4.500 quilômetros da capital Moscou. Os disparos ocorreram em um momento de troca de guardas. O serviço militar é obrigatório na Rússia para cidadãos do sexo masculino entre 18 e 27 anos.

Eles normalmente servem por 12 meses, e podem assinar um contrato para continuar nas Forças Armadas depois. Nos anos 2000, grupos de direitos humanos denunciaram muitos casos de violência e bullying contra novos recrutas do Exército. Atualmente, a Rússia afirma que modernizou seus padrões e conseguiu combater esses casos.

  • Com agências internacionais

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Brasil e Peru assinam acordo de cooperação naval

O Ministério da Defesa do Peru, publicou que os governos do Peru e do Brasil assinaram uma “Declaração de Intenções”, expressando o intuito de aprofundar a cooperação entre suas forças navais.

“O documento, previamente assinado pelo ministro da Defesa do Brasil, Fernando Azevedo e Silva, foi firmado nesta tarde pelo ministro da Defesa, Walter Martos Ruíz, na sede do Ministério das Relações Exteriores, na presença do vice-presidente brasileiro, Hamilton Mourão […]”, segundo comunicado de Gustavo Meza-Cuadra, o chanceler peruano.

​O chanceler Gustavo Meza-Cuadra recebeu o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, no Palácio da Torre Tagle para iniciar a agenda de trabalho durante a visita ao Peru da autoridade brasileira.

Ministério da Defesa peruano indicou que o acordo está focado em submarinos, bem como em assuntos da indústria da Defesa, intercâmbio de conhecimentos e treinamento, além da promoção de ações conjuntas entre as Marinhas de ambos os países.

A cooperação faz parte do Acordo de Cooperação em Matéria de Defesa firmado entre os dois países em 6 de novembro de 2006, buscando incentivar os programas bilaterais entre as Forças Armadas de ambos os países e manter a confiança mútua.

  • Com agências internacionais

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Tucanos T1 da Real Força Aérea Britânica realizam seus últimos voos de instrução

Chega ao fim, nesta sexta-feira (25), uma história de mais de 30 anos. Cadetes da Real Força Aérea (RAF) Britânica pertencentes a Escola de Treinamento em Linton-On-Ouse, realizarão pela última vez, o voo de instrução a bordo de uma aeronave Tucano T1.

Isso por que daqui a uma semana, no 31 de outubro, o Tucano T1 será retirado de uso e o 72 (R) Esquadrão, como parte da 1ª Escola de Treinamento de Voo será oficialmente desativado.

Em outubro de 2014, foi confirmado pelo Ministério da Defesa (MoD) que o treinamento básico de pilotagem seria transferido, em 2019, de Linton-on-Ouse para o RAF Valley. A mudança faz parte do Sistema de Treinamento de Voo Militar do Reino Unido (UKMFTS) que terá o Texan T1 como substituto do Tucano T1 na função básica de treinamento.

Na época o MoD não confirmou qual seria o futuro de Linton-on-Ouse, mas em julho de 2018, foi declarado que a RAF deixaria a base até 2020 e que depois ela será desativada totalmente.

A base aérea da RAF em Linton-on-Ouse foi inaugurada em 13 de maio de 1937, como um campo de bombardeiros e foi a casa do Grupo de bombardeiros N°4 até 1940.

Ao final da guerra, a base estava envolvida no transporte de passageiros e mercadorias de volta para o Reino Unido, após o que se tornou uma estação de Comando de Caça operando Gloster Meteor, Canadair Saber e Hawker Hunter até que fosse fechada e colocada sob cuidados e manutenção em 1957.

Em 9 de setembro de 1957, a base foi reaberta como a casa de No.1 Flying Training School (FTS) e foi responsável pelo treinamento de pilotos da RAF e da Marinha, desde junho de 1988, quando os primeiros Tucanos foram entregues à RAF.

A aeronave substitui os obsoletos Jet Provost, como instrutor básico da RAF, preparando cadetes para a progressão as aeronaves de treinamento avançadas Hawk T1.

Clique para exibir o slide.

  • Por: Sacramble Magazine, Créditos: Mike Bursell (dia do ensaio fotográfico), 72Squadron e RAF Linton-On-Ouse
  • Tradução e Adaptação: DefesaTV

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