Águas nem tão passadas assim no Mar Báltico

O paraíso de Adolf Hitler, o balneário de Prora, na ilha de Rügen, cerca de 300 Km ao Norte de Berlim, foi posto à venda, causando uma verdadeira corrida aos imóveis construídos nos anos 1930 para o lazer de nazistas.

Com arquitetura imponente e cinco blocos, cada um com 500 metros de largura, o projeto era parte do programa KdF (Kraft durch Freude; em português, Força pela Alegria), para o qual foi concebido também o primeiro automóvel de massa, o “carro KdF”, mais tarde batizado de Fusca, da Volkswagen.

A polêmica iniciativa despertou na Alemanha a discussão sobre até que ponto pode ser aceito o veraneio em um local com passado tão controverso.Para o historiador Götz Aly, autor de mais de dez obras sobre o regime nazista, Prora é um dos mais controversos imóveis herdados dessa era.

Segundo ele, não deveria ter um futuro que leva em conta apenas o aspecto econômico. O colosso de Rügen não precisava ser demolido. Mas sua transformação em complexo de apartamentos de férias de luxo é uma ofensa às vítimas do nazismo — defende o historiador.

O fato é que a iniciativa já é considerada um sucesso e surge como o maior investimento de turismo no Leste alemão. Oitenta e cinco por cento dos apartamentos, todos com vista para o mar, já foram vendidos, apesar do preço (cerca de € 6 mil, ou R$ 24.300, por metro quadrado).

ANTIGO LOCAL PREFERIDO DE MERKEL

Daphne Sobek, da corretora Myhome, que comercializa os apartamentos com exclusividade, admite que o lugar, um enorme terreno à beira da praia da maior ilha da Alemanha, é “carregado de História”, mas defende o empreendimento.

É melhor o uso do que o abandono. Além disso, os visitantes podem se informar sobre o passado do imóvel num centro de documentação — diz ela. — Como Rügen fica a só três horas de Berlim, muitos interessados compraram o apartamento tendo em vista se mudar definitivamente para lá.

Documentos preservados em Prora atestam a intenção da cúpula nazista. Enquanto o povo julgava que o país estava se transformando em berço de prosperidade, em comparação com os anos de depressão da República de Weimar, a estratégia real do regime ficou clara no acordo firmado entre as Forças Armadas e Robert Ley, o encarregado da Força pela Alegria.

Segundo Katja Lucke, diretora do centro de documentação local, o governo alemão resolveu vender o terreno e o imóvel a um investidor privado para se livrar dos custos e do passado maldito, mais de 70 anos depois da morte do ditador. Os investidores não estão preocupados com o passado do lugar. Seus interesses são puramente comerciais — avalia.

Antes de os apartamentos de luxo começarem a ser habitados por alemães e europeus de outros países, o que é previsto para o início do próximo ano, o projeto já começou a influenciar de forma positiva a economia da ilha.

Antes da queda do Muro de Berlim, aliás, era o lugar preferido de veraneio da atual chanceler federal, Angela Merkel. Na época, ela trabalhava em um centro de pesquisa estatal de Berlim Oriental.

  • Por: Graça Magalhães-Ruether – O Globo

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Source: DefesaTV Mundo

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