Governo alemão descarta participar de missão naval no Estreito de Ormuz

A Alemanha não irá participar da missão naval liderada pelos EUA no Estreito de Ormuz , uma vez que deseja aliviar as tensões com o Irã, revelou o ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas, nessa quarta-feira (31).

Os EUA pediram à Alemanha que se unisse à França e ao Reino Unido em uma missão para garantir o transporte através do estreito, pelo qual cerca de um quinto do petróleo do mundo passa, e “combater a agressão iraniana”, disse a embaixada dos EUA em Berlim na terça-feira (30).

“A Alemanha não participará da missão marítima apresentada e planejada pelos EUA”, disse Maas, acrescentando que a situação na região é muito séria e que tudo deve ser feito para evitar uma escalada. “Não há solução militar”.

A segurança do transporte marítimo no Golfo movimenta a agenda internacional desde maio, quando Washington acusou o Teerã de atacar navios, o que o governo iraniano negou.

Em julho, o Irã apreendeu um navio-tanque de bandeira britânica no Estreito de Ormuz, em aparente retaliação à tomada pelo Reino Unido de um navio iraniano acusado de violar sanções ao levar petróleo para a Síria.

Os aliados europeus de Washington discordaram da decisão do presidente Donald Trump de retirar os EUA do acordo nuclear com o Irã no ano passado e reimpor sanções econômicas. Eles têm hesitado em apoiar uma missão liderada pelos EUA que pode aumentar a tensão na região.

O Reino Unido convocou na semana passada uma iniciativa naval liderada pela Europa, mas os Estados Unidos continuaram a pressionar por uma missão que incluísse suas próprias forças, que são muito mais poderosas que as dos aliados europeus.

Na Alemanha, há oposição dentro da coalizão conservadora da chanceler federal Angela Merkel , especialmente de seus parceiros social-democratas (SPD), para se juntar a qualquer missão liderada pelos EUA.

Os comentários de Maas, um social-democrata, foram os mais explícitos do governo, mas ecoaram a declaração de uma porta-voz do governo, que disse que a Alemanha não se ofereceu para participar de uma missão naval americana.

“O governo está reticente quanto à proposta concreta dos EUA e, por isso, não fez uma oferta”, disse Ulrike Demmer, porta-voz do governo, em coletiva de imprensa em Berlim, após uma reunião do gabinete.

Alternativa europeia?

Em Bruxelas, a nova ministra da Defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrenbauer, adotou uma posição mais suave, dizendo que nenhuma decisão final foi tomada, mas também enfatizou que os europeus tinham visões diferentes dos americanos.

” Agora temos um primeiro pedido geral dos Estados Unidos, os outros parceiros internacionais para uma possível missão”, disse ela a repórteres antes de uma reunião com o secretário-geral da Otan , Jens Stoltenberg.

“Estamos analisando esses pedidos, em estreita cooperação com o Reino Unido e a França, e estamos fazendo isso considerando nossas metas políticas e diplomáticas e, nessa avaliação geral, uma decisão correspondente será tomada”.

Um porta-voz do Ministério da Defesa da Alemanha negou que houvesse uma discrepância nas declarações de Demmer e Kramp-Karrenbauer, dizendo que enquanto Berlim estava examinando uma possível participação, nenhuma decisão oficial foi tomada.

Mais cedo, o ministro das Finanças alemão e vice-chanceler, Olaf Scholz, disse que era importante evitar uma escalada militar na região do Golfo e que uma missão liderada pelos EUA corre o risco de ser arrastada para um conflito ainda maior.

“Sou muito cético em relação a isso, e acho que é um ceticismo do qual muitos outros compartilham”, disse Scholz à TV ZDF.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha reluta em se envolver em missões militares no exterior. Uma pesquisa da Civey mostrou na quarta-feira que 56% dos alemães seriam contra a adesão a uma missão militar internacional no Estreito de Hormuz.

O conservador Norbert Roettgen disse acreditar que a Alemanha não deveria se unir à missão liderada pelos Estados Unidos, mas apoiou uma missão europeia, sem o Reino Unido, caso o país decidisse se juntar à missão americana.

  • Com informações da agência de notícias Reuters

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Ataque de drones contra parada militar em Áden causa 32 mortos e centenas de feridos

As forças iemenitas atacaram com drones e foguetes um desfile militar de tropas apoiadas pela Arábia Saudita na cidade de Aden, no sudoeste do Iêmen.

O porta-voz do Exército do Iêmen, general Yahya Sari, informou que a unidade aérea e membros do movimento popular “Ansarolá” lançaram uma operação em grande escala na quinta-feira contra um quartel general de mercenários sauditas localizado perto da cidade portuária de Aden.

“A operação conjunta contra o campo militar em Aden foi destinada a atacar uma parada militar de mercenários sauditas e forças invasoras”, disse o general iemenita.

Nesta ofensiva, o porta-voz do Iêmen acrescentou, aeronaves não tripuladas (drones) modelo Qasef-K2 e possivelmente um míssil balístico tipo “Scud” foram utilizados, que alcançaram seus objetivos com alta precisão causando grande destruição.

Além disso, ressaltou que a operação tem sido um duro golpe para as forças aliadas da Arábia Saudita, já que causou grandes perdas humanas, incluindo altos líderes. O ataque também causou grande confusão na parada militar, acrescentou Sari.

A alta militar do Iêmen apontou que, após o desfile, os mercenários de Riad planejavam lançar uma operação militar contra as posições do Exército iemenita e dos combatentes Ansarolá nas províncias do sul de Dhala e Taiz.

Por outro lado, uma fonte das forças leais à Arábia Saudita indicou que “pelo menos 32 pessoas morreram na quinta-feira, incluindo o major general Mounir al-Yafií, comandante das Forças Especiais, em um ataque de drone contra uma parada militar em a sede da Al-Yalaa, localizada a oeste da cidade de Al-Buraiqa ”.

Com informações da Al Jazeera, Al Alahednews Liban e Reuters via redação Orbis Defense Europe.

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EUA designam oficialmente Brasil como um aliado prioritário extra-OTAN

Os Estados Unidos designaram oficialmente no final da noite dessa quarta-feira (31) o Brasil como um aliado prioritário extra-OTAN, cumprindo uma promessa feita em março, durante encontro entre os presidentes dos dois países, Donald Trump e Jair Bolsonaro, em Washington.

Isso aproxima militarmente os países e facilita ao Brasil comprar armas e equipamentos de defesa dos EUA. Na América Latina, apenas a Argentina tinha esse título anteriormente.

O que é um aliado prioritário extra-Otan?

Ser um aliado prioritário extra-Otan aproxima militarmente o Brasil dos Estados Unidos. Ao entrar nessa classificação, o Brasil consegue:

  • Tornar-se comprador preferencial de equipamentos e tecnologia militares dos EUA;
  • Participar de leilões organizados pelo Pentágono para vender produtos militares;
  • Ganhar prioridade para promover treinamentos militares com as Forças Armadas norte-americanas.

O que é a Otan?

A Otan foi fundada em 1949, logo no início da Guerra Fria, como um pacto militar dos países alinhados com os Estados Unidos. Após o esfacelamento da União Soviética em 1991, algumas nações que antes faziam parte do bloco comunista – como Polônia e Hungria – passaram a integrar a organização.

Um dos princípios da organização, hoje com 29 países, garante aos integrantes o princípio de defesa coletiva. Ou seja: um eventual ataque a um ou mais países-membros do grupo será encarado como uma agressão a todos os demais integrantes. Ao todo, 17 países receberam essa classificação do governo norte-americano. Veja na arte abaixo.

  • Com agências internacionais

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Os testes da Operação Crossroads no atol de Bikini

A imagem era surrealista. Porta-aviões e destróiers repletos de cabras, porcos e ratos flutuavam nas paradisíacas águas do atol de Bikini, no oceano Pacífico, em julho de 1946.

O Governo dos EUA havia expulsado os 167 nativos das ilhas para bombardeá-las com duas armas nucleares de 20 quilotons cada uma – superiores, portanto, ao artefato de 15 quilotons detonado em Hiroshima.

Em 1º de julho, os militares lançaram em Bikini a bomba Gilda, com a imagem gravada da personagem homônima interpretada por Rita Hayworth no cinema. O anúncio do filme, que estreou naquele mesmo ano, proclamava: “Bela, mortal… usando todas as armas de uma mulher”.

Em 25 de julho, atiraram a segunda, batizada Helena de Bikini, numa alusão a Helena de Troia, a mulher que fez tantos heróis da mitologia grega sucumbirem. Ambas as bombas geraram colunas radiativas de água e coral pulverizado que banharam os assustados animais nas embarcações.

Os que não morreram torrados pelas explosões foram fulminados nos dias seguintes pelas fortes doses de radiação ionizante.

A chamada Operação Crossroads envolveu uma frota de 242 navios, 42.000 pessoas, 156 aviões e mais de 5.000 animais, com o objetivo oficial de estudar os efeitos de um ataque nuclear, mas com o desejo oculto de mostrar força à União Soviética depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Quase 100 navios, muitos deles capturados dos alemães e japoneses, foram bombardeados com a quarta e a quinta bombas atômicas da história, depois da do teste Trinity em Alamogordo (EUA) e das de Hiroshima e Nagasaki.

E um daqueles navios de Bikini, o porta-aviões USS Independence, afundado a 830 metros de profundidade, ressuscita agora graças a uma expedição científica.

“É a primeira vez que se estuda em águas profundas um fragmento da Operação Crossroads”, diz o arqueólogo marinho James Delgado, chefe da expedição. Esse cientista da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA é um caçador de naufrágios.

Encontrou o Carpathia, que resgatou os sobreviventes do Titanic; oMary Celeste, um bergantim fantasma que foi encontrado navegando sem tripulação em 1872; e o Maud, empregado no Ártico pelo explorador norueguês Roald Amundsen.

Em março de 2015, graças a um submarino cedido pela companhia Boeing, Delgado e sua equipe descobriram os restos do USS Independence nas águas do refúgio marinho da baía de Monterrey, na costa da Califórnia.

Agora, a revista especializada Journal of Maritime Archaeology publica a autopsia do porta-aviões e os documentos, finalmente liberados de sigilo, que detalham seu papel nos primórdios da Guerra Fria

O barco ainda exibe sinais dos testes nucleares em Bikini. A primeira explosão, uma atmosférica a 600 metros de distância, varreu sua coberta, seus aviões, suas cabras, seus porcos e seus ratos.

Os torpedos armazenados na popa explodiram. De maneira irresponsável, os chefes militares enviaram pouco depois jovens soldados, alguns de 18 anos, ao USS Independence e aos demais navios radiativos para reporem os animais e os equipamentos destruídos.

A segunda bomba, submarina e a 1.300 metros do porta-aviões, acabou de transformar o casco de navio em uma casca de ovo flutuante. “Os efeitos da radiação mataram a maioria dos animais em todos os navios”, afirma Delgado.

Os testes serviram para confirmar, se havia dúvidas, que um ataque atômico seria letal para a frota norte-americana. As tétricas gravações da operação, incluídas no documentário norte-americano Radio Bikini (1988), mostram cabras em carne viva tentando comer palha após sobreviver ao cogumelo nuclear.

Depois da Operação Crossroads, alguns dos navios que não afundaram, como o USS Independence, foram rebocados até San Francisco para que os efeitos das bombas fossem estudados detalhadamente e medidas de descontaminação fossem testadas.

Ao chegar ao porto, a radiação do porta-aviões alcançava os 60 milirrem a cada 24 horas, quando a dose normal que uma pessoa recebe é de 620 milirrem ao ano, por fontes naturais e exames médicas.

A embarcação serviu de plataforma para a escola de descontaminação radiológica da Marinha dos EUA, mas um dos seus documentos confidenciais de 1949 recomendou seu afundamento, porque o custo de eliminar os poluentes “superaria o valor da sucata do navio”.

Em 1951, o USS Independence, finalmente aproveitado como armazém de lixo radiativo, foi afundado em um lugar secreto e a suficiente profundidade para não estar ao alcance dos espiões soviéticos.

Outros 85 navios radiativos da Operação Crossroads haviam sido lançados antes ao fundo do oceano. E lá permanece a frota fantasma que deu o tiro de largada da Guerra Fria.

Clique para exibir o slide.

FONTE: ElPaís.com

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Exército dos EUA procura soluções para deslocamentos de grande porte de suas tropas na Europa

O departamento de Oportunidades de Negócios Federais (FedBizOpps, em Inglês) do Exército dos EUA, está procurando ativamente empresas que possam realizar o deslocamento e desdobramento de forças e materiais de grande porte na Europa.

Em julho, o FedBizOpps publicou em seu site a requisição de contratos públicos dos EUA e desde a publicação eles continuam atualizando essas informações regularmente.

Segundo o documento, um dos três departamentos do Pentágono – do Exército – tenciona concluir um acordo comercial para transporte de pessoas e equipamento militar pesado de um grupo operacional do Exército na Europa (United States Army Europe).

O objetivo do contrato é garantir a rápida mudança de posições e desdobramento das tropas e o apoio com transporte aos principais exercícios militares.

Os itinerários aproximados, os pontos de passagem das fronteiras, o procedimento de passagem pelos postos alfandegários, as direções e distâncias principais são enunciados claramente nessa requisição.

Praticamente toda a geografia da Europa está incluída na lista – desde o Reino Unido até à região do Báltico. Para transportar o pessoal, serão necessários ônibus com capacidade de oito a 70 passageiros.

Os requisitos para o transporte e para os condutores são rigorosos. Os ônibus devem ser equipados com ar condicionado, banheiros e estarem adaptados para trajetos prolongados sem paradas.

Integrantes das Forças americanas na Europa, à algum tempo vem se queixando de problemas na logística para o transporte de cargas militares e pessoal pelo território da União Europeia.

Segundo o comandante das Forças Militares dos EUA na Europa, tenente-general Ben Hodges, as linhas ferroviárias entre a Alemanha e a Polônia não serão suficientes em caso de um conflito militar. Além disso, muitas pontes europeias não suportarão o peso dos Carros de Combate.

De fato, Hodges defende a criação de um “Schengen militar” para transportar rapidamente tropas para a Lituânia através dos países de trânsito. Ele está convencido que a realização de quaisquer ações militares no leste da Europa passará através da Polônia.

  • Com agências internacionais

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Há 76 anos o submarino alemão U-199 era afundado na costa brasileira pela Força Aérea Brasileira

Rio de Janeiro, 31 de julho de 1943. Há exatamente 76 anos o submarino alemão U-199 navegava na costa de Cabo Frio, em sua caçada sinistra por novas presas.

O Lobo Cinzento (o submarino era pintado no estilo camuflado, nas cores cinza-claro, marrom e azul cobalto, tendo, na sua torre, o desenho de uma embarcação viking) partiu de Kiel em 13 de maio de 1943, chegando à sua área de patrulhamento, ao sul do Rio de Janeiro, em 18 de junho.

Os submarinos do tipo IXD2 (very long-range) da 12º flotilha – Bordeaux – começaram a operar em novembro de 1942.

Considerados, na época, como de última geração, eram capazes de executar patrulhas de ataque em regiões afastadas do Atlântico Sul. Em suas longas jornadas, eram abastecidos em alto mar por unidades submarinas de apoio, chamadas vacas leiteiras, estendendo assim, ainda mais, sua grande autonomia de 44.000 km.

Deslocavam 1.600 ton, atingindo, na superfície, a velocidade de 20,8 nós e, submerso, chegavam a 6.9 nós. Como armamento de convés, tinham um canhão naval de 105 mm, dois canhões antiaéreos – de 37 e 20 mm – e duas metralhadoras pesadas. Podiam operar com 24 torpedos e 44 minas. A tripulação era de 61 homens.

Seu comandante, o Kapitänleutnant (capitão-tenente) Hans-Werner Kraus, de 28 anos. A missão, ao lado de outros submersíveis do Eixo, era interromper o fluxo de navios mercantes que transportavam produtos brasileiros para o esforço de guerra aliado.

Em 31 de julho, o U-199 já havia afundado ou seriamente danificado os cargueiros Charles Willson Peale, norte-americano, (27 de junho) e o inglês Henzada, (24 de julho). Em 03 de julho, durante a noite, foi atacado e abateu um hidroavião PBM 3 Martin Mariner do VP-74, esquadrão americano baseado na Base Aérea do Galeão, comandado pelo Tenente Harold Carey.

Toda a tripulação pereceu. Na tarde de 22 de julho, em ato de extrema covardia, atacou e afundou a tiros de canhão o pequeno barco de pesca brasileiro Shangri-lá, matando seus 10 tripulantes.

Naquela manhã de 31 de julho, navegando na superfície, o Lobo Cinzento avistou um avião ainda distante e o comandante Kraus, na torre, comandou força total à frente e mudança de rota. A tripulação teria entendido mal a ordem e iniciou uma frustrada submersão, que retardou a fuga do submarino. A antiaérea então foi acionada.

O avião americano, um PBM 3 Martin Mariner comandado pelo Tenente Walter F. Smith, lançou seis bombas de profundidade MK47 que danificaram o submarino, impedindo-o de submergir.

Dado o alerta pelo rádio, foi acionada a Força Aérea Brasileira (FAB) através de um avião Hudson A-28A pilotado pelo Aspirante da Reserva Sérgio Cândido Schnoor, que lançou duas bombas MK17 que explodiram próximas ao alvo, sem, entretanto, provocarem maiores danos.

Numa segunda passada, a nossa aeronave metralhou o convés do submarino, atingindo alguns artilheiros das peças antiaéreas. Finalmente, também alertado pelo rádio, entrou em ação um hidroavião Catalina PBY-5 da FAB, pilotado pelo Aspirante da Reserva Alberto Martins Torres que, especialista naquele avião, pôde demonstrar toda a sua perícia.

Ele próprio, em seu livro Overnight Tapachula (1985, Ed. Revista de Aeronáutica) descreve o ataque: “Já a uns 300 metros de altitude e a menos de um quilômetro do submarino podíamos ver nitidamente as suas peças de artilharia e o traçado poligônico de sua camuflagem que variava do cinza claro ao azul cobalto…Percebi uma única chama alaranjada da peça do convés de vante, e, por isso, efetuei alguma ação evasiva até atingir uns cem metros de altitude, quando o avião foi estabilizado para permitir o perfeito lançamento das bombas. Com todas as metralhadoras atirando nos últimos duzentos metros, frente a frente com o objetivo, soltamos a fieira de cargas de profundidade pouco à proa do submarino. Elas detonaram no momento exato em que o U-199 passava sobre as três, uma na proa, uma a meia-nau e outra na popa. A proa do submersível foi lançada fora d’água e, ali mesmo ele parou, dentro dos três círculos de espuma branca deixadas pelas explosões…Em seguida, nós abaixáramos para pouco menos de 50 metros e, colados n’água para menor risco da eventual reação da antiaérea, iniciamos a curva de retorno para a última carga que foi lançada perto da popa do submarino que já então afundava lentamente, parado. Nesta passagem já começavam a saltar de bordo alguns tripulantes…Em poucos segundos o submarino afundou, permanecendo alguns dos seus tripulantes nadando no mar agitado. Atiramos um barco inflável e o PBM, lançou dois. Assistimos aos sobreviventes embarcarem nos três botes de borracha, presos entre si, em comboio. Eram doze. Saberíamos depois que eram o comandante, três oficiais e oito marinheiros”.

Foi o fim do Lobo Cinzento, primeiro submarino do tipo IXD2 a ser afundado na 2ª G M. Os doze tripulantes sobreviventes foram resgatados pelo navio-tender americano USS Barnegat, tendo sido encaminhados a uma unidade prisional em Recife e, posteriormente, enviados aos Estados Unidos.

O Tenente R/2 Torres foi o único piloto brasileiro que, comprovadamente, afundou um submarino alemão, e pelo feito, recebeu do governo americano a DFC – Distinguished Flying Cross (Cruz de Bravura).

No início de 1944, o Tenente Torres deixou o 1º Grupo de Patrulha, seguindo, como voluntário, para servir no 1º Grupo de Aviação de Caça, que iria combater na Itália.

O Tenente Torres, pilotando o P-47 Thunderbolt A-4, integrou a esquadrilha vermelha e realizou 99 missões de guerra ofensivas e uma defensiva, completando um total de 100 missões, tendo sido o recordista brasileiro em missões de combate.

Em uma delas, foi condecorado com outra DFC – Distinguished Flying Cross. Recebeu, ainda, dos EUA, a Air Medal com cinco estrelas, valendo cada estrela como mais uma medalha.

Da França, recebeu a La Croix de Guerre Avec Palme e finalmente, no Brasil, foi agraciado com a Cruz de Aviação Fita A, Cruz de Aviação Fita B, Campanha da Itália, Campanha do Atlântico Sul e a Ordem do Mérito Aeronáutico. Após retornar da Itália, o Tenente Torres foi promovido e licenciado do serviço ativo.

O Capitão-Aviador da Reserva Alberto Martins Torres faleceu em 30 de dezembro de 2001, aos 82 anos, e seu corpo foi cremado em São Paulo.

Antes do falecimento, o então comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa), Cel Av Márcio Brissola Jordão, em outubro de 2001, prestou-lhe significativa homenagem, mudando o nome do TROFÉU DO PILOTO MAIS EFICIENTE, prêmio conferido anualmente, no final da instrução, ao melhor piloto de caça da Unidade, para TROFÉU ALBERTO MARTINS TORRES.

À pedido do Cap Torres, suas cinzas foram lançadas no mar, nas cercanias do Aeroporto Santos-Dumont, antiga sede do 1º Grupo de Patrulha, a primeira Unidade em que serviu como oficial da Reserva da FAB.

Uma aeronave Búffalo  conduziu  a urna para o local da cerimônia, escoltada por dois aviões de patrulha, P-95 Bandeirulha (4º/7º GAv) e dois caças F-5 E Tiger II do 1º GAvCa. Antes do lançamento das cinzas na Baía de Guanabara, os veteranos da FAB saudaram o Capitão Torres com um vibrante ADELPHI!, seguido por um sonoro A LA CHASSE!, grito de guerra da aviação de caça brasileira.

Em seguida, foi realizado o lançamento das cinzas do nosso herói e de uma coroa de flores, homenagem do Comando da Aeronáutica.

O exemplo daquele punhado de jovens que, na Segunda Guerra Mundial, não hesitou em se sacrificar – no mar, na terra e no ar – pela manutenção dos princípios e valores que forjaram a nacionalidade, deve estar sempre presente nos corações e mentes dos verdadeiros brasileiros.

  • Por: Sérgio Pinto Monteiro e Condensado do original. Artigo completo, “Tenente Torres: a vitoriosa Reserva da FAB”, publicado em “Ideias em Destaque”, do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica, nº 40 – jan/abr. 2013 – pags. 07 a 21.

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Nacionalidades de operador, proprietários e o amplo uso da bandeira do Panamá

Se todos os navios mercantes que navegavam pelo planeta estivessem reunidos em um só lugar, a maioria usaria uma bandeira do Panamá no topo do mastro. Ao mesmo tempo, a maioria dos barcos seria de propriedade de um indivíduo ou empresa da Grécia .

Para as companhias de navegação, é muito comum registrar e obter uma bandeira para seus navios em outros países que não os do proprietário.

A captura do petroleiro Stena Impero  à algumas semanas,é mais uma escalada nas tensões geopolíticas do Estreito de Ormuz, é uma prova disso e o que causou grande preocupação era justamente o uso da bandeira britânica pela embarcação, que no entanto, é de propriedade de uma empresa na Suécia, e nenhum cidadão britânico estava a bordo.

Mas por que isso é tão comum na navegação e quem se beneficia?

E a questão mais frequênte é por que tantas bandeiras diversas e em maioria a do Panamá ?

Cada navio mercante deve ser registrado em um país, que é conhecido como o estado da bandeira, com o Panamá, Ilhas Marshall e Libéria sendo os principais estados de bandeira.

Cerca de 8.600 navios utilizam a bandeira panamenha. Em comparação, EUA possui cerca de 3.400 embarcações registradas e a China pouco mais de 3.700.

A maioria dos navios mercantes que possuem a bandeira do Panamá pertence a proprietários estrangeiros que desejam evitar as regulamentações marítimas muito rigorosas impostas por seus próprios países.

O Panamá opera o que é conhecido como um registro aberto. Sua bandeira oferece as vantagens de registro mais fácil (geralmente on-line) e a capacidade de empregar mão-de-obra estrangeira mais barata. Além disso, os proprietários estrangeiros não pagam imposto de renda.

Registros abertos, às vezes pejorativamente chamados de bandeiras de conveniência, têm sido controversos desde o início.

Bandeiras de navios mais comuns em 2018
(Em milhares de toneladas):

Por que escolher uma bandeira estrangeira?


Os armadores escolhem um Estado de bandeira considerando várias razões comerciais.

Estes incluem regulamentos , impostos e a qualidade do serviço prestado,  e geralmente escolhidos em escritorios  na Grécia, que é o maior armador do mundo.

Perante isto, os Estados de bandeira – frequentemente países sem infraestrutura de industria e comércio obtém grandes e fàceis fontes de renda.

Maiores armadores em 2018
(Milhares de toneladas):

O sistema permite a contratação de tripulantes de qualquer lugar do mundo , reduzindo custos.

Este sistema de “bandeiras de conveniência” tem sido criticado porque permite uma regulamentação mais flexível e até mesmo a violação dos padrões marítimos internacionais.

Mas, em geral, considera-se que as práticas de navegação melhoraram significativamente nas últimas três décadas.

Simon Bennett, da International Shipping Chamber, diz que os proprietários tendem a escolher as nacionalidades com uma bandeira do estado com base em sua reputação. O sistema, no entanto, ainda enfrenta críticas.

Segundo a Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes Maritimos, o registro sob bandeira estrangeira torna mais difícil responsabilizar os proprietários por disputas salariais ou condições de trabalho .

Quem é responsável então?

 
Depois de assinar com uma bandeira, as leis desse país se aplicam ao navio e cada país é responsável pelos navios que usam sua bandeira.

Isso inclui garantir que os navios cumpram os principais padrões internacionais, por meio de inspeção e certificação de navios, diz a Organização Marítima Internacional (IMO), a agência de transporte marítimo da ONU.

Os países da bandeira assinam tratados marítimos internacionais e são responsáveis ​​por aplicá-los, com os padrões estabelecidos pela OMI no que diz respeito à construção, design, equipamentos e equipamentos de navios.

De acordo com a Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar, os Estados de bandeira devem tomar medidas para garantir a segurança no mar.

É comum que um registro de bandeira seja administrado em um país diferente.

Com a Libéria, por exemplo, ela é administrada por uma empresa dos EUA sediada em Washington DC. O registro da Mongólia, um país que não tem acesso ao mar , tem sede em Cingapura.

A geografia incomum do sistema de registro pode representar desafios de segurança.

Não é realista que um Estado de bandeira forneça segurança a todos os navios que possui sob seu registro,  embora os navios sejam essencialmente uma extensão desse Estado. E é ainda mais difícil para um país com muito menos recursos.

Com informações via IMO, BBC World via redação Orbis Defense Europe.

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Coreia do Norte realiza lançamento de ‘múltiplos projéteis não identificados’

De acordo com à agência de notícias Sul-coreana Yonhap, a Coreia do Norte realizou lançamento de “múltiplos projéteis não identificados”, na manhã desta quarta-feira (31). O Ministério da Defesa do Japão afirmou que os projéteis não chegaram à atingir o seu território.

O teste é o segundo realizado por Pyongyang em menos de uma semana. No dia 25, a Coreia do Norte lançou dois misseis balísticos de curto alcance sobre o mar do Japão.

Ao ser questionado sobre o episódio, o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu não “estar preocupado com os testes, por conta de seu bom relacionamento com o líder norte-coreano Kim Jong-un”.

Pyongyang afirmou que os disparos foram um aviso aos “belicistas da Coreia do Sul”. No início deste ano, a Coreia do Norte retomaram os testes após mais de um ano de espera, após a recusa dos EUA de abandonar as sanções contra o país.

Ainda assim, Pyongyang sinalizou que pode negociar, embora não demonstre que abrirá mão de seu programa nuclear sem um movimento substancial dos EUA em direção à reconciliação e à desmobilização das tensões.

  • Com agência internacionais

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Presença de militares cubanos, russos e chineses nas Forças Armadas da Venezuela

O ex-oficial venezuelano Pedro Mendoza, conhecido como “Russo”, que frequentou uma escola militar no país do leste europeu que apoia Nicolás Maduro, deixa uma coisa bem clara: a influência de países como China, Cuba e Rússia existe há muito tempo e é fundamental para compreender a crise na Venezuela.

Mendoza deu uma entrevista recentemente em Cúcuta, Colômbia, onde está exilado, junto com cerca de 1.400 outros ex-oficiais venezuelanos que deram as costas a Maduro. Mendoza, como os demais entrevistados, disse que está a serviço do presidente interino Juan Guaidó.

Ele disse que espera salvar a Venezuela e afirmou que o que atrai os governos estrangeiros que buscam influenciar o país é o interesse nas riquezas venezuelanas.

Segundo Mendoza, criar desconfiança entre as tropas tem sido a arma mais eficiente. “Essa tem sido a real influência de Cuba, a influência do governo cubano sobre a Venezuela e, especificamente, sobre as forças armadas: que todos duvidem de todos, que todos tenham medo de dizer algo, medo de confiar em qualquer coisa.”

A presença militar de Cuba na Venezuela é uma queixa constante dos agentes democratas, bem como das Forças Armadas venezuelanas.

“Cuba, através da G2 Cubana (ou inteligência militar), é responsável por distorcer tudo na Venezuela”, disse Héctor Sarmiento, outro ex-militar venezuelano em exílio na Colômbia, referindo-se ao que chama de “desinformação” e “ataques psicológicos” que levaram à desmoralização e à desunião entre as tropas.

Nenhum entrevistado citou os nomes dos oficiais cubanos inseridos na Venezuela. Víctor Mérida, atualmente exilado na Colômbia, quando perguntado se ele conheceu algum militar cubano enquanto estava na Guarda Nacional Bolivariana, ele respondeu “Não vi.”

Entretanto, ele está convencido de que eles fazem parte da estrutura militar venezuelana que mantém Maduro no poder. “Eles tratam disso muito isoladamente…, estão nos escalões mais altos”, disse.

“Os militares cubanos estão presentes desde que o comandante Chávez assumiu a presidência da Venezuela”, disse Mérida, que afirma que o atual uniforme militar é similar ao dos membros das Forças Armadas Revolucionárias Cubanas.

Russos e chineses

Não se trata apenas de Cuba; Rússia e China também fazem parte do sistema militar que mantém Maduro no poder, de acordo com informação dos ex-militares venezuelanos.

“Nossa terra é cobiçada. Temos uma situação privilegiada”, disse Mendoza em relação aos russos, referindo-se aos recursos naturais como petróleo e ouro, abundantes na Venezuela.

Quanto à interferência estrangeira por parte da Rússia e da China, declarou: “Ela existe (…) Muitos países querem controlar e interferir em nosso país”. Mendoza disse que a Rússia, um país que ele conheceu quando era estudante, “tem interesses na Venezuela”.

Ele acrescentou que “há militares chineses treinando na Venezuela, da mesma maneira que militares venezuelanos treinam na China”.

  • Com informações da revista Diáologo Américas

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‘Ilha de condenados’: a desconhecida guerra psicológica usada pelos britânicos contra a Argentina no conflito das Malvinas

Em plena Guerra das Malvinas, um soldado argentino mal treinado e desprovido de armamentos, com frio e fome, faz a guarda de uma colina. O ano era 1982. Ali, assim como no resto do arquipélago, o vento é constante e não há uma única árvore para se proteger da chuva – somente pedras.

O jovem está mais longe de casa do que nunca, quer fugir e ficar perto de sua família. Ele tem medo e poucas esperanças. A comida e os suprimentos são cada vez mais escassos e é improvável que o local seja reabastecido tão cedo.

Mas não há outro remédio senão esperar a hora fatal, quando lutará contra as forças britânicas, muito melhor preparadas e armadas do que ele. De repente, cai em suas mãos um panfleto com os escritos: “Ilha de Condenados”. “Soldados das forças argentinas: vocês estão completamente sozinhos”.

Da sua pátria não há esperança ou ajuda. Vocês estão condenados à triste tarefa de defender uma ilha remota (…) Não é justo que paguem com suas vidas pelas ambições tortuosas desta louca aventura.” Poucos dias depois, o jovem soldado abandona seu posto e se entrega à unidade britânica mais próxima.

Guerra psicológica

Assim, o governo do Reino Unido imaginava que poderia executar uma “guerra psicológica” (Psywar, na expressão em inglês), estratégia adotada no início do conflito no sul do Atlântico para atingir a moral dos soldados inexperientes que a Argentina havia enviado ao arquipélago.

O panfleto é real e faz parte de uma série de documentos secretos recém-revelados pelo Ministério da Defesa britânico. Os arquivos revelam detalhes até então desconhecidos dessa missão secreta para tentar “manipular” as forças argentinas durante a guerra que matou 649 soldados argentinos e 255 britânicos, entre 2 de abril e 14 de julho de 1982.

“Esse material vem à tona só agora porque acabaram de transcorrer os 35 anos exigidos por lei para que pudéssemos divulgá-lo”, explicou a autoridade dos Arquivos Nacionais, em Londres, onde os documentos podem ser consultados sob medidas de segurança restritas.

Trata-se de uma pasta que contém 189 páginas de documentos etiquetados como “ultra-secretos”, sob a referência DEFE 24/2254. Neles, são revelados os detalhes do plano, implementação, exemplos e lições aprendidas da guerra psicológica no arquipélago.

‘Explorar o sentimento de isolamento’

A missão de “Psywar” fazia parte da “Operação Corporate”, o nome da maior ofensiva militar para recuperar as Ilhas Malvinas. Nos documentos, é possível constatar que o governo britânico deu ao chamado Grupo Especial de Projetos (GEP) a missão de “enganar” as tropas argentinas no arquipélago em abril de 1982, quando a guerra havia acabado de começar.

O GEP é uma pequena unidade de oficiais especializados em guerra psicológica dentro do Ministério da Defesa britânico. Em termos gerais, a missão deles era espalhar o medo diante de um contingente britânico com melhor preparo, contra o qual a derrota seria inevitável.

Seguindo essa “ideia de força”, um dos documentos definia três metas específicas para o GEP. A primeira era “reforçar a percepção argentina sobre a determinação do governo britânico (de recuperar as ilhas) e ressaltar também o poder da força-tarefa (a frota enviada ao arquipélago) mostrando a capacidade do arsenal do Reino Unido.”

A segunda era “intensificar a percepção entre os argentinos de que seus líderes são irresponsáveis”, ao enfatizar a “escassez de suprimentos nas ilhas”. O terceiro objetivo, o mais ambicioso da operação, era “a desmoralização da tropa argentina nas ilhas”, apelando para emoções.

Isso implicava “explorar qualquer sentimento de isolamento nas tropas de ocupação (argentinas) para que a defesa argentina das Ilhas Falklands (denominação britânica para as Malvinas) pareça insignificante diante da força-tarefa britânica”, diziam os documentos.

E quando nos arquivos se fala em isolamento, a referência feita não é apenas ao isolamento físico das ilhas, mas também ao desamparo psicológico: a ideia era também tirar proveito do afastamento dos soldados de seus familiares e amigos.

Guerra de panfletos

Para levar a guerra psicológica ao arquipélago, o Grupo Especial de Projetos escolheu “duas armas”, segundo os documentos secretos: a produção de panfletos e a instalação de uma emissora de rádio em espanhol. A história da Rádio Atlântico Sul (RAdS) é bastante conhecida.

Muito já foi escrito sobre ela, mas há aspectos menos conhecidos, como seu surgimento, operação e alcance – algo que os arquivos do Ministério da Defesa do Reino Unido revelam parcialmente.

Os panfletos produzidos em diferentes momentos do conflito – foram impressos 12 mil exemplares de cada um – são, talvez, o capítulo mais fascinante da guerra psicológica descrita nos documentos oficiais.

Um dos panfletos se inspira na rápida derrota da tropa argentina nas Ilhas Geórgia do Sul, também ocupadas pelo país sul-americano. Ali, o capitão-de-fragata Alfredo Astiz sucumbiu em 24 de abril de 1982 diante da superioridade das forças britânicas.

O panfleto, que inclui uma foto de Astiz se rendendo, explora em particular o sentimento de separação.

“Seus valorosos companheiros de armas que estavam há pouco tempo nas Ilhas Geórgia do Sul voltaram à terra natal. Fotografias deles recebendo honras militares e reunidos com seus entes queridos apareceram em todos os jornais”, diz o documento.

“Eles tomaram uma decisão correta e honrada. Você deve agora fazer o mesmo. Pense no perigo em que você se encontra. Seus suprimentos de guerra e alimentos são muito escassos. Pense em seus familiares e em sua casa, todos esperando seu retorno”.

Outro panfleto descreve uma situação ainda mais dramática: “Todos os rigores de um inverno cruel irão cair sobre vocês e o exército argentino não está em condições de enviar os suprimentos e reforços de que vocês tanto precisam”. E completa: “Seus familiares vivem sob terror, sob o medo de que nunca voltarão a vê-los.”

Salvo-conduto e canhões

Entre os panfletos impressos durante o conflito, um deles oferece aos soldados argentinos uma solução prática para “fugir” de sua “situação de desespero”: um salvo-conduto assinado por ninguém menos do que o comandante das forças britânicas, o almirante John “Sandy” Woodward.

O documento, com objetivo claro de estimular a deserção, certifica: “O soldado que estiver portando este passe assinou seu desejo de não continuar na batalha. Ele será tratado estritamente de acordo com o estipulado pela Convenção de Genebra e deverá ser retirado da área de operações o mais rápido possível”.

E ainda acrescenta, para tranquilizar o soldado: “Serão providenciados alimentos e tratamento médico e depois ele será internado em algum albergue, onde esperará sua repatriação com segurança”.

O texto traz instruções precisas sobre como usar o salvo-conduto. Recomenda ao beneficiário:

a) entregar sua arma;

b) manter o documento de salvo-conduto em posição bem visível; e

c) aproximar-se do integrante das forças britânicas que estiver mais perto.

No entanto, a guerra psicológica com panfletos não terminou como havia planejado o GEP britânico, a unidade encarregada pela “ofensiva desmoralizadora”. Por várias razões.

Em um dos documentos secretos, o GEP reclama das dificuldades causadas pela “falta de (informações de) inteligência” sobre as “características psicológicas do público” para tirar o maior proveito da estratégia com os panfletos.

Essa falta de inteligência, acrescenta, também impossibilitou comprovar se os panfletos tiveram alguma efetividade na região.

O que fica claro com os arquivos revelados é que os panfletos foram despachados para as Malvinas nos navios militares HMS Fearless e HMS Hermes e que houve relatos de que vários deles chegaram a ser distribuídos, ainda que em outros casos tenha sido impossível confirmar se eles efetivamente chegaram aos destinatários.

O GEP ressalta outro obstáculo que teve de enfrentar: as limitações técnicas para lançar os folhetos no “teatro de operações”…”Não foi desenvolvido nenhum projétil para lançar os panfletos como um canhão de 105mm”, lamenta.

“Também não houve qualquer dispositivo de uso oficial para lançar os panfletos dos aviões de guerra.” Na prática, tudo dependia da boa vontade dos militares britânicos no campo de batalha, que tinham outras prioridades na guerra.

Ondas de rádio

Nos documentos divulgados pelas autoridades britânicas, é possível ler que no fim de abril de 1982 o Ministério da Defesa do Reino Unido propôs a criação de uma emissora de rádio para “rebaixar a moral dos soldados argentinos” nas Malvinas.

A missão, que levava o nome secreto de “Operação Moonshine” (“Luz da Lua”), deu origem à Rádio Atlântico Sul (RadS). Seus programas, destinados a “intensificar o sentimento de isolamento das tropas argentinas e estimular sua rendição”, seriam produzidos em Londres por uma equipe de 25 pessoas, majoritariamente militares.

Entre eles: um diretor, jornalistas, apresentadores, tradutores, engenheiros do rádio e “coletores” (membros do serviço de inteligência encarregados de obter informações relevantes de todas as fontes possíveis).

De acordo com um dos documentos divulgados, a equipe trabalhou de maneira secreta, em um local da capital britânica. Para evitar comprometer suas operações, os empregados precisavam usar uma senha secreta – “Pinóquio” – para se referir à rádio ou aos seus objetivos.

Essa senha sugere a ideia de engano, mas, paradoxalmente, o grupo encarregado da guerra psicológica insiste que “a RAdS se apresentava como uma emissora neutra e imparcial”, que “informava os fatos” com fontes do governo britânico e da Argentina, “se este último fosse compatível com as metas”.

A justificativa para esse tipo de orientação editorial pode ser encontrada em um dos documentos: “No decorrer da crise, as autoridades argentinas buscaram maneiras de justificar suas ações e provar, especialmente para seu próprio povo, que estavam sendo bem-sucedidos.

Montaram uma campanha de propaganda em grande escala em que a verdade foi ignorada. Muitas declarações eram tão exageradas e absurdas que se desmentiam por si mesmas”, completa.

‘De iniciantes’

Segundo os arquivos secretos do Ministério da Defesa, a “Operação Moonshine” gerou resistência em outras áreas do governo britânico e na BBC, cujos serviços Mundial e Latino-Americano já faziam transmissões no arquipélago e no território argentino.

A BBC também se opôs à iniciativa do governo de assumir o controle de uma de suas antenas na Ilha Ascensão – no meio do Oceano Atlântico – para lançar sua “arma psicológica” pela frequência 9,71 MHz.

A RAdS fez transmissões em espanhol entre 19 de maio e 15 de junho durante quatro horas por dia. A programação incluía boletins de notícias, comunicados, reportagens, e, eventualmente, até músicas.

No entanto, conforme se constata no material divulgado, os líderes da “Operação Moonshine” acabaram frustrados. Em um dos documentos, há uma pergunta ao então ministro da Defesa, John Nott, se ele acreditava que a RAdS havia contribuído de alguma maneira na captura dos soldados argentinos.

“As transmissões eram muito boas…mas eu diria que não tiveram um efeito maior no resultado”, respondeu.

Nott parecia julgar de maneira otimista a qualidade da programação da rádio. Porque os arquivos secretos detalham vários problemas nela – para começar, há uma citação à própria BBC dizendo que ela considerava que o conteúdo era “de principiantes” e denunciando que “comprometia” sua imparcialidade.

É possível identificar outros problemas por meio de uma comunicação do Exército argentino interceptada pela inteligência britânica, que é falha e cujas conclusões o governo do Reino Unido acabou aceitando.

“A linguagem usada era similar à da América Central e faltava conhecimento do espanhol falado na Argentina”, dizia o documento. Os britânicos reconhecem isso como um erro estratégico: como poderiam conseguir uma identificação emocional na guerra psicológica se usam expressões da língua que não são faladas ali?

Mas o documento em questão vai além: “Nenhum soldado tinha ideia do que era a RAdS (…) Os soldados argentinos nem estavam sabendo dessas transmissões, nem chegaram a escutá-la devido às circunstâncias.

A maioria das tropas se encontrava no chão e, com exceção de alguns oficiais, nenhum deles tinha receptores” e que “quando surgia alguma oportunidade de escutar rádio, sintonizavam nas rádios da Argentina”.

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  • FONTE: BBC Brasil

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