Marinha Portuguesa irá capacitar futuros submarinistas da Marinha Marroquina

O ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho recebeu nessa sexta-feira (12) o seu homólogo marroquino, Abdellatif Loudyi, no Forte de São Julião da Barra, em Lisboa, onde conversaram durante cerca de uma hora. O ministro marroquino conheceu ainda o Arsenal de Alfeite, bem como à Base Naval de Lisboa.

“Falamos da possibilidade de intensificação na cooperação entre nossas marinhas e também da parte de manutenção do Arenal de Alfeite. O ministro se mostrou atento ao fato do Arsenal estar desenvolvendo novas capacidades, nomeadamente no reparo e manutenção de submarinos, e Marrocos está interessado em desenvolver uma capacidade submarina”, disse o ministro da defesa.

“Aliás, esta é uma área de cooperação entre nós, e vamos trabalhar com Marrocos no desenvolvimento da sua capacidade submarina e, portanto, o Arsenal de Alfeite fez parte dessa conversa”, salientou o ministro português, apontando que esta “é uma relação que já é antiga” e que o Governo espera que “tenha toda uma continuidade”.

Em termos práticos, essa cooperação passa pela presença de “alguns submarinistas marroquinos” em exercícios a bordo dos submarinos portugueses Arpão e Tridente, explicou Gomes Cravinho.

“Marrocos está no processo de aquisição de submarinos e precisa, portanto, de ter conhecimentos sobre como operam as marinhas e os submarinos de países vizinhos e amigos”, falou o ministro da Defesa, assinalando que “os submarinos marroquinos estão vocacionados para trabalhar em áreas vizinhas dos submarinos portugueses e, portanto, é muito importante que se conheçam bem uns aos outros e partilhem informações”.

Na visão de João Gomes Cravinho, “dessa forma há sinergias evidentes a ganhar para os dois lados” uma vez que, observado, Portugal e Marrocos partilham de uma “fronteira marítima muito extensa” e “preocupações semelhantes em matéria de gestão do espaço aéreo do Atlântico”.

Em declarações a jornalistas, o ministro da Defesa apontou ainda “preocupações comuns” entre Portugal e Marrocos, entre as quais “em matéria de relações Europa-África, trabalho sobre os fluxos migratórios” ou “combate ao terrorismo”. Assim, os principais desafios geoestratégicos de Portugal “são desafios importantes para Marrocos e vice-versa”.

“Neste quadro em que a geoestratégia mundial está se alterando muito rapidamente”, aparecem “novos desafios, novas dificuldades, novos problemas” que requer mais atenção e, por isso, é “extremamente importante” que exista um “diálogo estreito, frequente com Marrocos”, salientou João Gomes Cravinho.

Na reunião entre os dois ministros foi também abordada a presença dos dois países em missões da Organização das Nações Unidas (ONU), nomeadamente na República Centro-Africana (RCA).

“Debatemos um pouco da situação na RCA. Portugal e Marrocos têm forças presentes na região e o ministro da Defesa de Marrocos me confidenciou que eles  tencionam em continuar presentes na RCA, bem como no Congo, onde não temos forças neste momento”, afirmou o ministro da Defesa.

Apesar de Portugal não poder “estar em todo o lugares”, o ministrou exfatizou que “é muito importante que outros estejam presente, porque o Congo também é uma zona de potencial instabilidade muito grande”. Já Portugal continuará a integrar a missão da ONU, disse o ministro.

“Nós continuaremos na MINUSCA. Atualmente temos as nossas forças nacionais destacadas até ao final do ano, estamos agora a trabalhar sobre as perspetivas para 2020 e acredito que será necessário dar continuidade ao trabalho da nossa FND [força nacional destacada] na República Centro-Africana”, adiantou.

  • Com agências portuguesas de notícias

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Source: DefesaTV Mundo

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