A Marinha do Brasil e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) formalizaram, na última sexta-feira (31), um Protocolo de Intenções voltado à criação do primeiro Centro de Treinamento em Segurança Física Nuclear da América Latina. A parceria, firmada na Fortaleza de São José, no Rio de Janeiro, une o Comando de Proteção e Defesa NBQR da Marinha (CProtDefNBQR) e o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), com o propósito de ampliar a capacitação e a resposta a ameaças de natureza Nuclear, Biológica, Química e Radiológica (NBQR).
Estrutura e etapas do Centro de Treinamento em Segurança Física Nuclear (Centresf)
O Centro de Treinamento em Segurança Física Nuclear (Centresf) será implantado em um prazo estimado de 30 meses e contará com três fases de desenvolvimento.
Na primeira etapa, serão realizados o compartilhamento de informações técnicas, visitas a instalações de referência e a definição de requisitos operacionais para os ambientes de simulação e laboratórios de resposta NBQR. Essa fase também prevê a elaboração dos cenários de treinamento e a concepção dos espaços destinados à instrução tática e científica.
Na segunda etapa, o projeto entrará em fase de montagem e validação operacional, com a caracterização de áreas de treinamento, testes de conformidade, e a indicação de tecnologias e procedimentos adequados ao padrão internacional de proteção física nuclear. Já a terceira e última etapa será dedicada à operação conjunta do Centro, com cursos, exercícios de campo e intercâmbio de instrutores entre a Marinha e o IEN, consolidando o Centresf como polo de excelência na segurança nuclear e NBQR no continente.
Impacto para a segurança nuclear e a defesa nacional
O acordo entre a Marinha do Brasil e a CNEN representa um marco na política nacional de segurança nuclear e reforça o compromisso do país com os padrões internacionais de proteção e resposta a emergências. Ao integrar a capacidade operacional do CProtDefNBQR com a expertise científica do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), o projeto fortalece a defesa das instalações sensíveis, o controle de materiais radioativos e a prevenção de incidentes de natureza NBQR.
Além de atender às necessidades das Forças Armadas, o Centresf contribuirá para o desenvolvimento de protocolos interagências, beneficiando órgãos civis de defesa e segurança, instituições de pesquisa e agências reguladoras. O Brasil passa, assim, a ocupar uma posição de liderança na América Latina em capacitação, resposta e gestão de riscos nucleares, elevando o nível de prontidão e segurança em toda a cadeia do Programa Nuclear Brasileiro.
Parceria entre Marinha, CNEN e comunidade científica

A solenidade de assinatura contou com a presença do Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, do Diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), Vice-Almirante Celso Mizutani Koga, do Diretor do IEN, Dr. Cristóvão Araripe Marinho, e do Comandante de Proteção e Defesa NBQR da Marinha, Contra-Almirante Roberto Lemos. Também participaram o Contra-Almirante Paulo Cesar Demby Corrêa, da Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, e o Dr. Júlio Cézar Suita, Diretor Substituto do IEN.
Durante o evento, o Dr. Cristóvão Araripe Marinho destacou que a criação do Centresf é um “marco para a segurança nuclear latino-americana” e um “passo essencial para garantir um futuro mais seguro para nossas instalações”. Já o Vice-Almirante Koga ressaltou que a cooperação “é um avanço que levará o País a um novo patamar de desenvolvimento na área de proteção física e engenharia nuclear”.
A iniciativa reforça a integração entre as Forças Armadas e a comunidade científica, valorizando o intercâmbio de conhecimentos e a transferência tecnológica em um dos campos mais sensíveis da Defesa Nacional.
Participe no dia a dia do Defesa em Foco
Dê sugestões de matérias ou nos comunique de erros: WhatsApp 21 99459-4395




