Investimento permitirá monitorar áreas além de 350 milhas náuticas, com integração de sensores e algoritmos para detectar e classificar alvos na Amazônia Azul
O Brasil avança na proteção da Amazônia Azul com o Projeto MANTA, criado pela IACIT em parceria com a Marinha do Brasil. A iniciativa amplia a vigilância no Atlântico Sul e a presença estatal no mar.
Com radares de longo alcance, sensoriamento avançado e inteligência artificial, o sistema cobrirá áreas remotas da costa. A proposta prioriza soberania, fiscalização e resposta rápida a riscos marítimos.
O programa recebe R$ 49 milhões da FINEP e acelera a modernização do monitoramento nacional, após a expansão da plataforma continental, conforme informação publicada pelo Defesa em Foco.
O que é o Projeto MANTA
O Projeto MANTA, Monitoramento Avançado Naval com Tecnologia Adaptativa, integra sensores, processamento de sinais e análise de dados para elevar a consciência situacional da Marinha do Brasil.
Segundo os desenvolvedores, o sistema deverá alcançar distâncias superiores a 350 milhas náuticas, o equivalente a aproximadamente 650 quilômetros, ampliando a atual cobertura de vigilância de longo alcance.
A solução integrará múltiplas fontes de dados e aplicará algoritmos para detecção, classificação e rastreamento de embarcações e outros alvos de interesse.
A meta é elevar a persistência operacional, com vigilância contínua de áreas críticas e melhor coordenação entre centros de comando e unidades navais.
Por que a Amazônia Azul exige novo alcance
A Amazônia Azul compreende aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados sob jurisdição do Brasil, com rotas estratégicas, recursos pesqueiros, energia e áreas sensíveis ao meio ambiente.
Em março de 2025, a Organização das Nações Unidas reconheceu a ampliação de aproximadamente 360 mil quilômetros quadrados da plataforma continental, elevando desafios de vigilância e fiscalização.
Com mais área a proteger, cresce a necessidade de monitorar, com persistência, regiões distantes e de difícil acesso. A meta é coibir pesca ilegal, tráfico, contrabando e ilícitos que afetam interesses nacionais.
Recursos energéticos, mineração no leito marinho e rotas comerciais exigem presença constante, com tecnologia capaz de agir em clima adverso e grandes distâncias.
Como a IA melhora a vigilância
A inteligência artificial do MANTA apoiará a identificação de padrões e o reconhecimento de comportamentos suspeitos, priorizando alertas e reduzindo o tempo de resposta em operações no Atlântico Sul.
Os algoritmos tendem a elevar a velocidade de processamento e a reduzir a carga de trabalho das equipes, permitindo foco em eventos críticos e decisões baseadas em dados de sensoriamento de longo alcance.
A combinação de sensores robustos e análise inteligente reflete tendência global em defesa marítima, com ganhos em consciência situacional, precisão de trilhas e continuidade de cobertura oceânica.
Com aprendizado adaptativo, a análise tende a reduzir falsos alarmes e a apontar anomalias, apoiando a priorização de meios e o planejamento de patrulhas.
Parcerias e impacto industrial
A iniciativa une a Marinha do Brasil, a IACIT, a Orbital Engenharia e a Polidesign Indústria e Comércio, com financiamento de R$ 49 milhões da FINEP, fortalecendo a base tecnológica nacional.
O projeto consolida competências em radares de longo alcance, processamento avançado de dados, IA e integração de sistemas, estimulando inovação, empregos qualificados e autonomia estratégica para o país.
Além da segurança, o MANTA pode apoiar proteção ambiental, resposta a emergências e acompanhamento de atividades econômicas em áreas remotas, reforçando a presença do Estado na Amazônia Azul.
O investimento público em P&D fortalece cadeias locais e estimula exportação de soluções de defesa, gerando efeitos de transbordamento para setores civis.




