Estatal destaca capacidade técnica, indústria preparada e conhecimento acumulado, e aponta Angra 3 como peça chave para estabilidade elétrica e soberania do Brasil
Na sexta-feira, 22, na Firjan, no Rio, a NUCLEP defendeu a retomada de Angra 3, recolocando a energia nuclear no centro da agenda. A estatal liga o projeto à segurança energética e à criação de empregos qualificados no país.
O debate cresce com a demanda elétrica em alta e a pressão por descarbonização. Embora a matriz seja majoritariamente renovável, hídrica, solar e eólica variam com o clima, o que exige base estável e previsível no sistema.
Adeilson Telles afirmou que o Brasil reúne “capacidade técnica, indústria preparada e conhecimento acumulado”. A NUCLEP vê Angra 3 como projeto estratégico, conforme informações divulgadas pela NUCLEP durante reunião do Conselho Empresarial de Energia Elétrica da Firjan e publicadas pelo Defesa em Foco.
O que muda para a matriz energética
Para especialistas, a energia nuclear oferece geração contínua, independente do clima, o que reduz riscos de racionamento. Angra 3 ajudaria a compor a base do sistema e dar previsibilidade a preços e operação.
O reforço de base permite integrar mais fontes variáveis sem perda de confiabilidade. Nesse arranjo, usinas nucleares ancoram a operação do sistema e renováveis aproveitam melhor janelas de vento e sol, com menor desperdício de energia.
Capacidade industrial e soberania
A NUCLEP é apontada como a única empresa nacional apta a fabricar e manter equipamentos nucleares de grande porte. Manter essa competência preserva a autonomia industrial e reduz a dependência externa em projetos sensíveis.
Segundo a estatal, décadas de domínio tecnológico formaram equipes e padrões de qualidade raros na região. Para Telles, a usina consolida essa trajetória e ancora investimentos de longa duração no parque industrial brasileiro.
Ao enfatizar o preparo do país, Telles citou que o Brasil tem “capacidade técnica, indústria preparada e conhecimento acumulado”, reforçando o papel estruturante de Angra 3 na política energética.
Empregos qualificados e impacto regional
A retomada de Angra 3 tende a mobilizar centenas de fornecedores, com ênfase em metalurgia pesada, engenharia de precisão e sistemas de segurança. São áreas de alta complexidade e elevado efeito multiplicador.
No Rio de Janeiro, empresários acompanham os efeitos na economia local. Municípios próximos a Angra dos Reis dependem da atividade industrial associada às usinas, com ganhos em contratos, arrecadação e cadeias regionais.
O projeto também amplia vagas para engenheiros, técnicos e soldadores especializados, além de profissionais ligados à indústria de Defesa e à infraestrutura estratégica. A formação e retenção de talentos ganham peso.
Transição energética e planejamento
Após crises internacionais e incertezas de oferta, vários países reavaliam o papel do nuclear na transição. O Brasil dispõe de reservas de urânio e experiência em geração, e busca se reposicionar nesse cenário competitivo.
Ao resumir a visão industrial, Adeilson Telles disse, “não existe transição energética séria sem planejamento de longo prazo e segurança energética”. A fala conecta Angra 3 a metas climáticas e à estabilidade do sistema.
Na Firjan, o debate ligou a usina à soberania energética, ao crescimento econômico e ao planejamento estratégico de Estado. A decisão sobre o canteiro definirá caminhos para a matriz e para a cadeia produtiva nuclear.




