Vista do Estaleiro Rio Grande e guindaste monumental.

Construção naval brasileira, Sinaval rebate críticas e pede política de Estado, crédito e previsibilidade, citando OCDE e lições de Coreia do Sul, Japão e China

Entidade diz que a construção naval brasileira é estratégica para soberania, emprego e inovação, e que sem planejamento de longo prazo o país seguirá dependente do exterior

Em meio a críticas sobre competitividade, o Sinaval recoloca a construção naval brasileira no centro da agenda. Para a entidade, o ponto chave é a falta de política de Estado estável, com previsibilidade e escala.

O sindicato afirma que estaleiros competem com capital, tecnologia e gente qualificada, mas dependem de encomendas previsíveis, crédito acessível e regras claras para investir com produtividade e inovação.

As posições, que citam estudos da OCDE, defendem planejamento e financiamento de longo prazo. As informações constam de nota pública do Sinaval, divulgada por veículos setoriais como o Defesa em Foco.

Planejamento de longo prazo decide a competitividade

A construção naval brasileira é intensiva em capital, aço, equipamentos e engenharia. Sem estabilidade e demanda contínua, projetos perdem escala, produtividade e capacidade de incorporar novas tecnologias.

“nenhum dos atuais líderes mundiais da indústria naval alcançou competitividade de forma espontânea”, afirma o sindicato, ao defender política industrial consistente e marcos regulatórios firmes.

O Sinaval sustenta que planejamento de longo prazo com encomendas estáveis, garantias financeiras e acesso a crédito competitivo reduz risco, atrai investimentos e destrava a modernização dos estaleiros.

Apoio estatal entre potências e lições de Coreia, Japão e China

A entidade lembra que líderes globais mantêm apoio público específico. Na Coreia do Sul, estratégias como K-Shipbuilding Strategy e Super Gap Vision 2040 impulsionam inovação, exportações e P&D.

No Japão, políticas priorizam digitalização, descarbonização e embarcações de nova geração. Na China, planos de longo prazo fortalecem setores marítimo, logístico e naval de forma coordenada.

Segundo o Sinaval, esses programas tratam o setor como estratégico para soberania econômica, defesa nacional e segurança energética, com instrumentos de financiamento e estabilidade regulatória.

Empregos, qualificação e efeito multiplicador

Além do papel estratégico, a construção naval brasileira dinamiza economias regionais. Estaleiros ativam fornecedores, serviços industriais, logística, transporte e centros de treinamento técnico.

Segundo o sindicato, “cada vaga criada diretamente em estaleiros pode gerar aproximadamente cinco empregos adicionais, incluindo fornecedores de equipamentos, serviços industriais, logística, transporte, treinamento profissional e desenvolvimento tecnológico”.

A entidade ressalta a formação de mão de obra em engenharia naval, metalurgia, automação e soldagem especializada, elevando a qualificação e a produtividade de cadeias produtivas ligadas à economia do mar.

Custo Brasil, financiamento e soberania

O Custo Brasil, com alta carga tributária, burocracia e fretes caros, pressiona custos. Há ainda crédito escasso, insegurança jurídica e instabilidade regulatória, fatores que corroem competitividade.

Para o Sinaval, esses entraves não decorrem da capacidade técnica dos estaleiros, mas do ambiente econômico. Superá-los é essencial para disputar contratos e ampliar a construção naval brasileira com escala e eficiência.

O sindicato reforça que “navios, plataformas, embarcações de apoio e infraestrutura marítima devem ser considerados ativos estratégicos para o país”, conectando logística, óleo e gás, defesa e inovação.

Sem política de Estado contínua, o Brasil tende a depender de estaleiros estrangeiros. Com previsibilidade e crédito, pode consolidar base industrial capaz de servir a interesses de longo prazo.

Ao final, o Sinaval resume que fortalecer a indústria significa investir em emprego, tecnologia, arrecadação, inovação, defesa e soberania, impulsionando o desenvolvimento econômico nacional.

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