Parceria estuda transferir tecnologias para munições de 105 mm, 120 mm e 155 mm, ampliar autonomia logística e inserir o país no mercado global de munições da OTAN
A Imbel e a KNDS assinaram um memorando na Eurosatory 2026, abrindo estudos para produzir no Brasil munições da OTAN de 105 mm, 120 mm e 155 mm, com foco em escala, padrão e custos competitivos.
A parceria conta com apoio da DGA, agência francesa de aquisições, e se conecta ao offset do programa Centauro II, alinhando compras militares a transferência real de conhecimento e capacitação industrial duradoura.
O objetivo é elevar a autonomia logística, fortalecer a Base Industrial de Defesa e ampliar a inserção internacional do país em munições da OTAN, conforme informação divulgada pelo Defesa em Foco.
Soberania e autonomia logística em foco
Conflitos recentes expuseram limites das cadeias globais, com destaque para a guerra na Ucrânia, e recolocaram a munição no centro da estratégia, produção em massa e reposição rápida voltaram a ser fatores decisivos no campo de batalha.
Ao fabricar munições da OTAN no Brasil, o país reduz dependências externas, ganha liberdade de emprego operacional em crises e cria estoques estratégicos para operações prolongadas do Exército Brasileiro e dos Fuzileiros Navais.
Como resume a fonte, “Produzir munições no Brasil significa garantir soberania e capacidade de combate autônoma”, princípio que reforça dissuasão e prepara o país para cenários de restrições internacionais.
O reforço industrial amplia o poder dissuasório, integra defesa e desenvolvimento, e sinaliza que independência tecnológica e prontidão de combate são dimensões inseparáveis do Estado brasileiro.
Transferência de tecnologia e alcance estendido
O valor do acordo está na absorção de tecnologias complexas, como munições de alcance estendido e sistemas base bleed, capazes de ampliar significativamente o raio de ação da artilharia de 155 mm.
A Imbel vem modernizando a planta de carregamento de munições pesadas em Juiz de Fora, criando condições industriais para integrar processos, elevar qualidade e cumprir requisitos de certificação em padrão OTAN.
Os efeitos transbordam para setores civis, com ganhos em metalurgia avançada, materiais especiais, eletrônica e engenharia de precisão, gerando inovação, empregos qualificados e impacto científico no ecossistema nacional.
Em paralelo, a renovação com a Safran Eletrônica & Defesa Brasil em direção e controle de tiro de artilharia cria competências integradas, conectando sensores, comando e munições da OTAN em um mesmo ciclo tecnológico.
Polo estratégico no Hemisfério Sul e mercados
Com munições da OTAN feitas localmente, o Brasil assume posição singular, combinando estabilidade institucional, base industrial diversificada e disponibilidade de matérias primas para atender picos de demanda global.
A demanda mundial por artilharia cresce enquanto gargalos persistem em vários países, cenário em que a geografia, a escala e a logística brasileira podem tornar o país fornecedor relevante de lotes padronizados e certificados.
A KNDS passa por reestruturação acionária envolvendo França e Alemanha, consolidando um dos maiores grupos de defesa terrestre, o que amplia o alcance estratégico da parceria e de eventuais linhas produtivas no Brasil.
Ao ganhar tração, o projeto abre portas para exportações em padrão NATO, reforça a imagem do Brasil como polo de confiabilidade e amplia a visibilidade da Base Industrial de Defesa no Hemisfério Sul.
O que prevê o memorando e próximos passos
Segundo a fonte, “O documento assinado na Eurosatory 2026 possui caráter não vinculante e estabelece estudos para:”. A partir dele, os eixos de trabalho detalham o escopo e o rumo das negociações.
• Transferência de tecnologia para munições de 105 mm, 120 mm e 155 mm;
• Produção em padrão OTAN/NATO;
• Desenvolvimento de munições de alcance estendido com tecnologia base bleed;
• Atendimento às demandas do Exército Brasileiro e dos Fuzileiros Navais;
• Possível inserção do Brasil em mercados internacionais de exportação.
“Os avanços concretos dependerão de futuras negociações, contratos e definições industriais entre as partes”. O ritmo dependerá de prazos de certificação, volume de pedidos e integração às cadeias de suprimentos.




