Na noite de 26 de agosto, um H-60 Black Hawk da Força Aérea Brasileira realizou a evacuação aeromédica de um soldado do Exército a partir de Waikás (RR) até Boa Vista, em um deslocamento aproximado de 280 quilômetros.
De acordo com informações divulgadas sobre a operação, a ação integrou o Comando Conjunto Catrimani II, no contexto da Operação Catrimani II. Ao chegar à capital roraimense, o militar recebeu atendimento da equipe médica da 1ª Brigada de Infantaria de Selva e foi encaminhado ao Hospital Geral de Roraima (HGR).
Segundo a divulgação, a tripulação empregou óculos de visão noturna (NVG) durante o voo. Não foram informados o quadro clínico do militar nem as circunstâncias que motivaram a evacuação.
Desafio logístico na Amazônia
A distância entre Waikás e Boa Vista ajuda a dimensionar o desafio logístico de uma evacuação aeromédica em região remota. Na área, as características geográficas e limitações de infraestrutura terrestre tornam a aviação um recurso especialmente relevante quando há necessidade de deslocamento rápido.
Empregado pela FAB em diferentes tipos de missão, incluindo transporte, busca e salvamento e evacuação aeromédica, o H-60 Black Hawk é descrito em estudo da Universidade da Força Aérea como capaz de operar de dia ou à noite e de pousar em terreno não preparado.
NVG: ferramenta para operar com pouca luz
Os óculos de visão noturna ampliam a capacidade de enxergar em ambientes de baixa luminosidade, oferecendo melhores condições para perceber referências externas que seriam difíceis a olho nu. O equipamento, porém, não transforma a noite em dia e requer treinamento, planejamento e procedimentos específicos para aumentar a consciência situacional da tripulação.
A FAB já destacou o ganho de segurança proporcionado pelo NVG em operações noturnas com helicópteros e empregou a tecnologia em treinamentos na Amazônia. Em publicação de 2026, a Força relacionou o uso de NVG e sensores infravermelhos à execução de missões de busca e salvamento, transporte aéreo logístico e evacuação aeromédica.
Voo noturno e riscos adicionais
Voar à noite adiciona desafios: as referências visuais externas se reduzem, obstáculos podem ser mais difíceis de perceber e a avaliação do ambiente depende ainda mais dos sistemas da aeronave e da coordenação entre os tripulantes. Em determinadas situações, a ausência de referências pode elevar o risco de desorientação espacial.
Esse ponto já foi ressaltado pela FAB em outra missão real de H-60 Black Hawk, durante o resgate noturno de um tripulante de navio mercante em alto-mar, em que o deslocamento majoritariamente noturno aumentava o risco. Nessa operação, o NVG também foi empregado. Por razões de segurança operacional, não são detalhados os procedimentos específicos adotados pela tripulação no caso de Waikás.
Evacuação aeromédica é mais que transporte
Uma Evacuação Aeromédica (EVAM) envolve coordenação entre quem solicita o apoio, a estrutura que aciona o meio aéreo, a tripulação, os profissionais de saúde e a organização que receberá o paciente. No registro de 26 de agosto, essa cadeia combinou capacidades de duas Forças: o helicóptero H-60 da FAB e o atendimento médico vinculado ao Exército Brasileiro.
Em Boa Vista, o soldado recebeu assistência da equipe médica da 1ª Brigada de Infantaria de Selva e foi conduzido ao HGR, etapa final para viabilizar o acesso à estrutura hospitalar a partir de uma área remota da Amazônia.



