Barco sendo colocado na água por equipe.

Suppressor 7 entra na água: parceria EMGEPRON e Tidewise avança embarcações navais autônomas no Brasil

O Suppressor 7, embarcação brasileira concebida para operar com elevado grau de autonomia, realizou seu primeiro contato com a água. O chamado “first splash” inaugura uma etapa de testes e validações do programa conduzido pela EMGEPRON em parceria com a Tidewise.

Segundo informações divulgadas pela EMGEPRON e pela Tidewise, o marco não significa entrada em serviço operacional nem conclusão do desenvolvimento, mas o avanço para uma nova fase do projeto. A iniciativa evidencia a aposta brasileira no domínio de sistemas marítimos autônomos, tecnologia com aplicações civis, industriais e militares.

Documentação oficial apresenta o Suppressor 7 como embarcação autônoma multipropósito, com navegação remota ou autônoma e conjunto de sensores voltados a missões de monitoramento, levantamentos e coleta de dados georreferenciados. A proposta é ampliar eficiência, persistência e reduzir a exposição humana em ambientes de maior risco.

Por que o “first splash” importa

O primeiro contato com a água permite ampliar o escopo de ensaios em ambiente real, passo necessário para verificar sistemas de navegação, sensores e controle. Conforme informado pelas parceiras, a plataforma integra níveis distintos de automação, combinando trajetórias e tarefas pré-programadas com possibilidades de controle remoto. O objetivo é deslocar sensores e cargas úteis com maior autonomia, executar missões repetitivas ou prolongadas e minimizar riscos ao pessoal.

Características e sensores do Suppressor 7

De acordo com a ficha técnica da EMGEPRON, o modelo possui 7 metros de comprimento, 2,5 metros de boca e deslocamento de 5 toneladas, com velocidade máxima de 24 nós. A propulsão utiliza dois eixos com motores convencionais. O conjunto de sensores previsto inclui radar de navegação, LIDAR 3D, câmera PTZ e sonar multifeixe de casco, além de rotas e levantamentos pré-programados e obtenção de dados georreferenciados.

Família Suppressor e usos previstos, da guerra de minas ao ambiente

Segundo a Tidewise, o Programa Suppressor contempla dois veículos de superfície não tripulados, com modelos de 7 e 11 metros, integrados a uma central móvel de controle instalada em contêiner de 20 pés, proposta como solução para monitoramento estratégico de águas costeiras. A documentação oficial do Suppressor 7 inclui guerra antiminagem entre as missões, e a empresa informa que a família foi concebida para operar com equipamentos voltados a contramedidas de minagem.

Esse conceito já foi exercitado em 2023, quando, durante a Operação MINEX, a Tidewise empregou com a EMGEPRON o demonstrador Suppressor X em atividades envolvendo sistemas marítimos não tripulados para contramedidas de minagem. Além do uso militar, o programa tem caráter dual: a EMGEPRON relaciona aplicações nos setores de energia offshore e monitoramento ambiental, e a Tidewise cita ainda segurança marítima, proteção de infraestruturas críticas, levantamentos hidrográficos, inspeções offshore e pesquisa oceanográfica.

Parceria brasileira: EMGEPRON e Tidewise

A EMGEPRON é empresa pública vinculada ao Ministério da Defesa por intermédio do Comando da Marinha e atua no gerenciamento de projetos de interesse da Força, bem como na obtenção e manutenção de material militar naval. No Programa Suppressor, essa capacidade institucional se soma à especialização tecnológica da Tidewise, desenvolvedora de embarcações não tripuladas e do WiseControl, sistema para autonomização de embarcações.

As parceiras ressaltam que o valor do programa vai além do casco: envolve integrar navegação, sensores, comunicações, controle, processamento de dados e capacidade de integração de cargas úteis. Esse arranjo de sistemas compõe parte central do conhecimento tecnológico que o projeto busca consolidar.

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