A ANAC certificou o Nauru 100D para missões de até 30 quilômetros e altitude de até 6 mil pés em relação ao nível do mar, com operações diurnas e noturnas. A autorização remove a limitação de uso exclusivo em áreas de solo com controle de acesso, ampliando o espectro de emprego do sistema dentro das condições estabelecidas pela certificação.
De acordo com informações divulgadas pela Xmobots, a versão certificada é a configuração ISR Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, que reúne arquitetura modular, sensores eletro-ópticos e processamento embarcado para ampliar a consciência situacional em campo.
O avanço regulatório abre espaço para aplicações como monitoramento de áreas extensas, vigilância, Segurança Pública e Defesa, mantendo-se os parâmetros e requisitos definidos pela ANAC.
O que muda com a certificação
A autorização da Agência Nacional de Aviação Civil permite operar o Nauru 100D com alcance de até 30 km e altitude de até 6 mil pés em relação ao nível do mar. O processo considerou requisitos dos regulamentos brasileiros de aviação civil, incluindo o RBAC-E 94 e o RBAC 100. Além disso, a plataforma poderá realizar voos diurnos e noturnos sem ficar restrita exclusivamente a áreas de solo com controle de acesso, o que amplia o leque de missões possíveis, conforme a certificação.
Sensores e inteligência embarcada
Com arquitetura modular, a versão ISR pode receber diferentes configurações de sensores e sistemas de missão. Entre eles está o SIS031A, conjunto eletro-óptico que combina sensores RGB e infravermelho termal, apto para uso de dia e à noite. Segundo material da Xmobots, os recursos de processamento embarcado permitem detecção e acompanhamento de pessoas e veículos, leitura de placas e apoio à localização em operações de busca e salvamento. A integração entre sensores, processamento de dados e comando e controle viabiliza o envio de informações às equipes em solo, ampliando a consciência situacional durante a missão.
Autonomia e logística de campo
O Nauru 100D pesa 9 kg e pode ser montado e colocado em operação em até três minutos. O kit padrão inclui três baterias, cada uma com autonomia de até duas horas de voo. Assim, a referência a missões de até seis horas considera o uso sequencial das três baterias, e não um voo ininterrupto com uma única carga. Pensado para fácil emprego em campo, o conjunto é transportado em duas mochilas operacionais, que concentram os equipamentos da missão e também podem atuar como estação de comando e controle e estação de carregamento de baterias.
O que fica fora da autorização
A certificação concedida pela ANAC se aplica à versão ISR do Nauru 100D. A Xmobots utiliza a mesma arquitetura como base para outras configurações ainda em desenvolvimento, como o Nauru 100D UCAV, destinado a aplicações de Defesa com emprego de munição e concebido para retornar à base após o lançamento da carga útil, e o conceito Nauru 100D Swarm, voltado a operações coordenadas com múltiplos sistemas não tripulados a partir de um contêiner de 20 pés, com três aeronaves para reconhecimento e aquisição de alvos e outras 27 para atuação coordenada. Essas variantes não fazem parte da certificação atual. Com sede em São Carlos, a Xmobots informa reunir cerca de 500 profissionais, mais de 250 engenheiros, e desenvolver internamente tecnologias de aeronaves, aviônicos, software embarcado, sensores, navegação, inteligência artificial, comunicação e sistemas de missão.




