A França avançou na renovação de sua capacidade de ataque terrestre de longo alcance ao selecionar o THUNDART, desenvolvido pela MBDA e pela Safran Electronics & Defense, para substituir o LRU. Segundo a DGA, o sistema foi escolhido como solução soberana para operar em ambientes contestados e com forte pressão de guerra eletrônica.
Projetado para manter a precisão mesmo diante de interferência ou negação de GNSS, o programa combina navegação inercial e optrônica em sua arquitetura. A proposta responde a uma preocupação central das forças terrestres modernas: reduzir a dependência de sinais de posicionamento por satélite em cenários degradados.
De acordo com as informações divulgadas, a meta é entregar às Forças Armadas francesas plena autonomia de emprego até 2030. Os detalhes operacionais, como alcance exato, velocidade, tipo de ogiva e número de lançadores, não foram revelados.
Precisão em ambiente de guerra eletrônica
O THUNDART foi concebido para cenários de alta intensidade, nos quais comunicações, redes de apoio e navegação por satélite podem sofrer interferência, degradação ou negação. Nessa lógica, a navegação inercial reduz a dependência de sinais externos, enquanto a optrônica pode agregar soluções adicionais de navegação ou guiagem, conforme a arquitetura do sistema. A combinação busca preservar a precisão do ataque em profundidade mesmo sem disponibilidade plena de GNSS.
Substituição do LRU e soberania industrial
Selecionado para preparar a substituição do LRU, o THUNDART insere-se em uma estratégia de fortalecimento da autonomia francesa. O sistema será projetado, desenvolvido e produzido na França, com o objetivo de manter sob controle nacional etapas-chave como desenvolvimento, produção, suporte, evolução tecnológica e emprego operacional.
Joint venture MBDA-Safran e próximos passos
Após uma fase inicial de desenvolvimento que incluiu um disparo de demonstração bem-sucedido em abril de 2026, MBDA e Safran formarão uma joint venture 50%–50% na região de Paris. A nova organização responderá pelo desenvolvimento, produção e suporte em serviço do THUNDART e deverá acompanhar futuras evoluções da plataforma, com possibilidade de adaptações para outros ambientes e, futuramente, para mercados de exportação aliados.
Segundo as empresas, o programa já mobiliza várias dezenas de engenheiros e sustentará atividades de engenharia e produção em diferentes regiões da França, incluindo Aquitânia, Bretanha, Centro-Vale do Loire, Île-de-France, País do Loire e Provença-Alpes-Costa Azul.
O que ainda não se sabe e limites de comparação
O material divulgado não detalha parâmetros essenciais do THUNDART, como alcance, velocidade, ogiva, número de lançadores e quantidade de munições a serem adquiridas. Também não há base, neste momento, para classificá-lo como arma hipersônica ou estabelecer comparação direta com sistemas como HIMARS, ATACMS ou PrSM, apenas a partir das informações tornadas públicas.




