A Argentina planeja adquirir três submarinos convencionais em um programa de até US$ 2,3 bilhões e avalia a possibilidade de construí-los em Itaguaí, aproveitando a infraestrutura e tecnologia desenvolvidas pelo programa brasileiro PROSUB. O negócio envolve propostas da francesa Naval Group e da alemã TKMS, e pode representar um marco para a Base Industrial de Defesa brasileira.
Contexto e oportunidades do programa submarino argentino
A Argentina planeja adquirir três submarinos convencionais em um programa orçado em até US$ 2,3 bilhões, conforme consta no projeto de Orçamento para 2027 enviado ao Congresso argentino. Essa iniciativa visa recuperar a capacidade submarina perdida após o naufrágio do ARA San Juan em 2017 e representa uma das prioridades da Armada Argentina para reforçar suas capacidades operacionais. O processo ainda está em fase inicial, sem contrato assinado, e depende da tramitação orçamentária, da estruturação do financiamento e da escolha do fornecedor.
Atualmente, duas propostas empresariais se destacam no processo: a francesa Naval Group, com a família Scorpène, sistema que serve de base para os submarinos da Classe Riachuelo produzidos no Brasil, e a alemã TKMS, com uma oferta alternativa. A decisão final, incluindo modelo, preço e cronograma, ainda está em análise, e não há definição do local de construção das unidades.
A importância estratégica do programa se reflete nas negociações envolvendo transferência tecnológica e nacionalização de sistemas, bem como na possibilidade de integrar indústrias de defesa regionais, refletindo um movimento para fortalecer a capacidade autônoma de defesa submarina na América do Sul.
Infraestrutura e potencial industrial de Itaguaí no PROSUB
A Base Naval e o complexo industrial de Itaguaí, no Brasil, construídos no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), reúnem uma infraestrutura singular para a fabricação de submarinos convencionais, incluindo estaleiros, unidades de fabricação de estruturas metálicas, equipes altamente qualificadas e capacidade de testes em porto e no mar.
Desde o início do PROSUB, mais de 250 engenheiros e técnicos da Marinha do Brasil, da NUCLEP (Nuclebrás Equipamentos Pesados) e da Itaguaí Construções Navais foram capacitados para atuar na construção desses navios. Essa incorporação de tecnologia e treinamento tem consolidado o Brasil como um produtor nacional autônomo de submarinos convencionais, com destaque para as unidades da Classe Riachuelo e suas evoluções.
A proposta brasileira considera utilizar essa estrutura para a eventual construção de submarinos destinados à Argentina, integrando a transferência tecnológica e ampliando a cadeia produtiva regional do setor naval. Um contrato dessa natureza permitira o aproveitamento dos investimentos no PROSUB como uma plataforma exportadora, potencialmente fortalecendo a Base Industrial de Defesa brasileira e gerando continuidade e expansão das competências técnicas e industriais.
Perspectivas estratégicas e desafios para a parceria Brasil-Argentina
Para que Itaguaí seja efetivamente escolhido como local de construção dos submarinos argentinos, serão necessárias negociações complexas envolvendo os governos do Brasil e da Argentina, o fornecedor do projeto (Naval Group ou TKMS), e demais atores industriais. Aspectos como o financiamento da operação, definição do contrato, arranjos de transferência tecnológica, e participação da indústria argentina serão pontos centrais nas negociações.
A crescente cooperação operacional já demonstra aproximação entre as marinhas, com intercâmbio de oficiais argentinos a bordo do submarino brasileiro Humaitá e visitas técnicas realizadas por autoridades da Armada Argentina ao complexo de Itaguaí. Essa dinâmica também revela um interesse político e estratégico por parte da Argentina em consolidar sua capacidade submarina, com o Brasil atuando como parceiro industrial potencial.
Embora o programa ainda esteja em fase inicial e sem cronograma definido, a possibilidade de produzir submarinos para exportação em Itaguaí indica um novo cenário para o setor naval sul-americano, com o Brasil potencializando sua Base Industrial de Defesa e conquistando espaço no competitivo mercado internacional de defesa, enquanto a Argentina avança na sua meta de recuperar sua presença submarina.
Fonte: Defesa em Foco.




