A Marinha do Brasil firmou, em 1º de outubro de 2026, um Memorando de Entendimento com o EUCRIMARIO, iniciativa da União Europeia voltada à cooperação em rotas marítimas. O acordo prevê ampliar o intercâmbio de informações de interesse marítimo e a capacitação de profissionais.
A cooperação pode apoiar a consciência situacional marítima, a capacidade de reunir e interpretar dados sobre atividades no mar. O compartilhamento é voluntário e baseado na confiança entre parceiros. O memorando não concede, por si só, acesso automático a informações sigilosas brasileiras nem garante vigilância permanente do Atlântico Sul.
IORIS oferece ferramentas para a troca de informações
Um dos instrumentos associados à parceria é o IORIS (Indo-Pacific Regional Information Sharing Platform), ambiente digital para comunicação, coordenação e compartilhamento entre participantes autorizados. Entre os recursos documentados estão mensagens, mapas, troca de arquivos e informações relacionadas à localização de embarcações.
A plataforma não é um radar nem detecta integralmente o tráfego marítimo. Registros, alertas e dados de sistemas como o AIS, usado para identificação automática de embarcações, podem contribuir para o acompanhamento, mas a disponibilidade e a confiabilidade das informações variam. Segundo dados europeus divulgados em 2025, o IORIS tinha mais de 2 mil usuários em mais de 50 países; esses números são globais e não indicam quantos participantes há no Brasil.
Centro previsto para novembro de 2026
O acordo também se relaciona à implantação do Information Fusion Center – Atlântico Sul (IFC Atlântico Sul), cuja ativação está prevista para 3 de novembro de 2026, no Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul (COMPAAz). O centro deverá reunir, correlacionar e compartilhar informações de interesse marítimo com instituições públicas e privadas, organizações da comunidade marítima e centros de outras regiões.
As funções são complementares: o IFC será uma estrutura institucional de análise e compartilhamento, enquanto o IORIS oferece ferramentas digitais de comunicação e coordenação. A ativação prevista ainda precisa ocorrer.
Compartilhamento depende de protocolos e capacidade de resposta
A troca de informações pode facilitar a coordenação diante de ocorrências relacionadas à navegação comercial, ilícitos no mar e busca e salvamento. O resultado dependerá dos dados fornecidos, de protocolos comuns, da segurança digital e da capacidade de análise e resposta das instituições. A parceria também não substitui navios, aeronaves, equipes de fiscalização ou meios de salvamento.
Para o Brasil, a cooperação pode ampliar a articulação sobre riscos no Atlântico Sul, região relevante para a navegação comercial e a infraestrutura energética. A proteção de informações sensíveis, porém, continua a exigir critérios de acesso, classificação e segurança cibernética. Os resultados práticos dependerão da implementação do acordo e do funcionamento da rede de participantes.




