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Mercado & Economia

Bioetanol para navios pode abrir novo mercado para produtores brasileiros

Um ensaio de abastecimento marítimo com bioetanol anunciado pela Autoridade Marítima e Portuária de Singapura (MPA) pode ajudar a definir procedimentos para o uso do combustível em navios. A operação, prevista para ocorrer no terminal Pasir Panjang, envolve a Maersk, a fornecedora Golden Island e a operadora portuária PSA Singapore.

Para o Brasil, a iniciativa abre uma possibilidade comercial, não um mercado já consolidado. O país produziu 35,9 bilhões de litros de etanol em 2025, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), e empresas brasileiras participaram de uma operação com bioetanol no Porto de Santos. Ainda assim, não há confirmação de que o combustível do teste em Singapura seja brasileiro ou de que tenham sido firmados contratos de fornecimento.

O que Singapura pretende avaliar

O ensaio anunciado em 14 de outubro de 2026 foi planejado para ocorrer naquela semana, com transferência de bioetanol simultânea à movimentação de cargas. A medição deverá usar um medidor de vazão mássica, equipamento que calcula a quantidade transferida pela massa do combustível.

O teste também avaliará como a referência técnica singapurense TR 129, desenvolvida para abastecimento com metanol, poderia ser adaptada ao etanol. O objetivo é reunir dados sobre medição, segurança e procedimentos operacionais. O anúncio, por si só, não confirma a conclusão do ensaio nem representa aprovação ampla do etanol como combustível marítimo comercial em Singapura.

Santos já recebeu abastecimento com bioetanol

Em 12 de julho de 2026, o porta-contêineres CMA CGM IRON recebeu bioetanol no Porto de Santos. A operação, descrita pela Copersucar como a primeira desse tipo no Brasil com um porta-contêineres oceânico, reuniu também CMA CGM, Bunker One, AGEO Terminais, Santos Brasil e Everllence.

O navio tem capacidade próxima de 13 mil TEUs, unidade usada para medir contêineres, e motor certificado para operar com três opções de combustível. A demonstração mostrou que empresas atuantes no Brasil conseguiram participar de uma operação concreta, mas não significa que o país já disponha de uma rede regular de abastecimento marítimo com etanol.

A ANP informou que a produção brasileira chegou a 35,9 bilhões de litros em 2025. Esse volume demonstra a dimensão da cadeia de produção, armazenamento e distribuição, mas não corresponde automaticamente a combustível disponível para navios. O etanol atende outros mercados e aplicações; a oferta marítima dependerá de produto contratável, especificações aceitas e preço competitivo.

Mercado depende de regras, custos e comprovação ambiental

Um memorando de entendimento assinado por Brasil e Singapura em 28 de agosto de 2026 prevê cooperação para desenvolver um Corredor Verde e Digital de Navegação. Entre os temas estão cadeias de fornecimento de combustíveis marítimos de menor emissão, inovação e digitalização portuária. O acordo aproxima a produção brasileira de energia renovável da posição de Singapura como centro de abastecimento, mas não comprova que o bioetanol do ensaio tenha origem no Brasil.

Há concorrência internacional. Em 28 de setembro de 2026, a Maersk informou ter concluído nos Estados Unidos o abastecimento do porta-contêineres Tangier Maersk com etanol produzido a partir de milho norte-americano. A escala brasileira é uma vantagem potencial, mas não substitui fornecimento regular, competitividade e reconhecimento técnico.

Para transformar testes em operações recorrentes, ainda será necessário definir requisitos de qualidade e segurança, compatibilidade das embarcações, infraestrutura portuária, rastreabilidade e preço entregue ao navio. A avaliação ambiental também deve considerar o ciclo completo, da obtenção das matérias-primas ao consumo a bordo. Ser renovável não significa ter emissões nulas, e o anúncio de Singapura não informa um percentual de redução de gases de efeito estufa.

Se o mercado avançar, produtores e comercializadoras brasileiras poderão buscar compradores, enquanto terminais e prestadores de serviços de medição, inspeção e certificação poderão participar da cadeia. O Ministério de Portos e Aeroportos também apontou possibilidades para Suape e Recife, sem anunciar operações regulares ou contratos nesses portos. A oportunidade dependerá de regras claras, viabilidade econômica e demanda efetiva.

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