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Brasil e Argentina vão treinar proteção de cabos submarinos em novembro

A Marinha do Brasil e a Armada Argentina planejam realizar, de 9 a 12 de novembro de 2026, o 3º Exercício de Proteção de Cabos Submarinos. As atividades estão previstas para Santos e Praia Grande, em São Paulo, e Las Toninas, na Argentina, com participação anunciada de meios navais e aeronaves de patrulha da Força Aérea Brasileira (FAB).

O treinamento simulará a interrupção de cabos de telecomunicações envolvendo duas estações de aterragem, locais onde os sistemas de fibra óptica submarinos se conectam às redes em terra. A atividade busca exercitar a coordenação entre os dois países diante de incidentes capazes de afetar a conectividade internacional e serviços que dependem dela.

Cabos submarinos transportam mais de 99% do tráfego internacional de dados, segundo a União Internacional de Telecomunicações. Uma falha não significa necessariamente um apagão: rotas alternativas podem redirecionar parte do tráfego, embora interrupções possam provocar congestionamentos, maior latência e degradação de serviços.

Simulação conecta operações no mar e instalações em terra

O exercício será coordenado pelo Comando Naval de Operações Especiais e pelo Comitê Brasileiro de Proteção de Cabos Submarinos. Os organizadores ainda não divulgaram quais cabos específicos serão considerados nem os procedimentos técnicos completos da simulação.

Praia Grande e Las Toninas estão associadas à infraestrutura de conectividade regional. Sistemas como Tannat e Malbec ajudam a ilustrar as ligações submarinas entre países sul-americanos, mas não há informação de que esses cabos tenham sido designados para participar da simulação.

A cooperação binacional permitirá treinar a circulação de informações e a articulação entre autoridades diante de uma ocorrência que possa envolver áreas marítimas e instalações terrestres. O anúncio descreve uma atividade planejada, não uma operação já realizada nem evidência de ataque deliberado.

Treinamentos anteriores ampliaram o escopo

A Marinha realizou a primeira edição do exercício em maio de 2024, na região do Rio de Janeiro, com atividades voltadas à proteção de cabos e instalações relacionadas. Em novembro de 2025, a segunda edição ocorreu em Fortaleza, entre os dias 10 e 14, com 385 militares e 23 meios, segundo informações divulgadas pela Força.

Na atividade de 2025, um cenário a cerca de 90 quilômetros da costa cearense envolveu uma embarcação suspeita nas proximidades de um cabo. Foram empregados o Navio de Socorro Submarino Guillobel, um veículo subaquático remotamente operado desenvolvido pela BRS Robótica Submarina, o Submarino Humaitá, um helicóptero SH-16 Seahawk e uma aeronave P-95 da FAB. Também houve simulação de ameaça a uma instalação em terra.

A edição prevista para 2026 acrescenta a dimensão transfronteiriça aos treinamentos. A eficácia dessa etapa só poderá ser avaliada após a realização e a divulgação dos resultados.

Proteção exige prevenção e coordenação

Danos a cabos podem decorrer de acidentes, atividade pesqueira, fundeio de embarcações, eventos naturais ou falhas técnicas, além de possíveis ações deliberadas. Por isso, a proteção da infraestrutura envolve prevenção, identificação de incidentes, compartilhamento de informações e capacidade de reparo, com participação de autoridades e operadores de telecomunicações.

O exercício Brasil-Argentina busca aperfeiçoar procedimentos para situações que podem ultrapassar fronteiras. Não há, no anúncio, indicação de criação de uma força permanente, de um sistema binacional definitivo de vigilância ou de um novo acordo de defesa.

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