Um ataque com mísseis atribuído aos houthis atingiu, em 19 de outubro de 2026, o campo de treinamento de al-Alam, na província iemenita de Shabwa. Autoridades locais informaram que ao menos 58 pessoas morreram, mais de 200 ficaram feridas e 14 estavam desaparecidas.
Segundo relatos de autoridades militares iemenitas publicados pela Associated Press, a ofensiva envolveu três mísseis balísticos. Os houthis reconheceram a ação e disseram que o local abrigava forças ou oficiais sauditas, alegação que não foi confirmada independentemente nas informações disponíveis.
O balanço inicial, divulgado em 19 de outubro, apontava 53 mortos. A atualização do dia seguinte, atribuída pela Reuters ao governador de Shabwa, elevou o número para pelo menos 58. As cifras são declarações de autoridades locais e podem ser revistas.
Escalada amplia preocupações regionais
O ataque ocorre em meio ao conflito entre os houthis, alinhados ao Irã, e forças associadas ao governo iemenita internacionalmente reconhecido, apoiado pela Arábia Saudita. A ofensiva não comprova, por si só, uma mudança na participação de outros países no conflito.
Em 19 de outubro, a Reuters informou que autoridades egípcias avaliavam a possibilidade de apoiar militarmente a Arábia Saudita. Uma votação parlamentar relacionada à hipótese foi adiada para 26 de outubro. A discussão não equivale a uma autorização concluída nem confirma o envio de tropas.
Importância do Mar Vermelho e do Canal de Suez
A província de Shabwa fica no Iêmen, próximo a uma região estratégica para o tráfego marítimo. O estreito de Bab el-Mandeb conecta o Golfo de Áden ao Mar Vermelho e, junto ao Canal de Suez, integra uma rota entre o Oceano Índico, a Europa e o Mediterrâneo.
Não há comprovação de que o ataque ao campo de treinamento tenha interrompido diretamente a navegação. Ainda assim, uma deterioração prolongada da segurança pode levar armadores e seguradoras a rever rotas, com possíveis efeitos sobre prazos e custos de transporte.
A UNCTAD informou que, em maio de 2025, o volume de carga pelo Canal de Suez estava aproximadamente 70% abaixo do nível de 2023. Essa comparação se refere àquele período, não à movimentação no canal em outubro de 2026. Desvios de navios pelo Cabo da Boa Esperança podem aumentar a distância das viagens.
Possíveis efeitos para o Brasil
Uma instabilidade prolongada na rota pode influenciar fretes, seguros e prazos de operações internacionais relevantes para o Brasil. O efeito dependerá das rotas utilizadas e das decisões do setor marítimo. As informações disponíveis não demonstram prejuízo específico ao comércio brasileiro causado pelo ataque de 19 de outubro.




