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Paraguai planeja receber 15 jatos AT-3 e retomar aviação militar a reação

O Paraguai planeja incorporar 15 aeronaves AT-3 Tzu-Chung, treinador a jato desenvolvido em Taiwan, para recuperar a capacidade de operar aviões militares a reação, interrompida desde a retirada dos Embraer AT-26 Xavante, em 2003. O cronograma relatado por fontes da Força Aérea Paraguaia prevê o envio dos primeiros exemplares em 2027 e a montagem da frota até 2028.

A transferência ainda não foi formalizada publicamente pelos governos do Paraguai e de Taiwan. As informações sobre o acordo e o calendário foram divulgadas pelo portal especializado Pucará Defensa e também houve relatos sobre a intenção paraguaia de adquirir o modelo na publicação Janes. Portanto, a quantidade e os prazos devem ser entendidos como planos reportados, não como entregas já confirmadas.

A iniciativa complementaria a modernização da Força Aérea Paraguaia, que recebeu seis A-29 Super Tucano da Embraer. Para o Brasil, a aquisição dos turboélices já representa uma participação concreta da indústria aeronáutica nacional na renovação da aviação militar do país vizinho. A eventual chegada dos AT-3 acrescentaria uma plataforma de treinamento a jato, mas não significaria a formação de uma força de caças supersônicos modernos.

O que o AT-3 pode oferecer

Produzido pela taiwanesa Aerospace Industrial Development Corporation (AIDC), o AT-3 é um treinador avançado subsônico, com dois lugares e dois motores a reação. Voou pela primeira vez em 1980, e sua produção começou em 1982. O modelo foi projetado para a formação de pilotos e também pode cumprir missões de ataque leve em determinadas configurações.

A aeronave utiliza motores da família TFE731 e pode atingir velocidade próxima de 900 km/h, segundo referências técnicas sobre o modelo. Sua propulsão a jato permite treinar pilotos em condições diferentes das oferecidas por aviões turboélice, como o A-29. A possibilidade de instalar bombas e foguetes não confirma, porém, que os exemplares destinados ao Paraguai receberiam armamentos ou sensores específicos. A configuração ainda não foi divulgada.

Manutenção e treinamento serão decisivos

O plano relatado prevê que os quatro primeiros aviões sejam colocados em voo até o fim de 2027, com a montagem das 15 unidades concluída até 2028. Isso não significa que toda a frota estará simultaneamente disponível para operações: a capacidade dependerá também da formação de pilotos e técnicos, da manutenção, das peças de reposição e do suporte aos motores.

Segundo o Pucará Defensa, unidades do AT-3 passaram por revisões de meia-vida e modernizações entre 2001 e 2006. Essa informação, por si só, não permite determinar quantas horas de voo restariam nos aviões que poderiam ser transferidos. O Paraguai também precisaria definir os equipamentos de comunicação e a infraestrutura necessária para manter as aeronaves em serviço.

O país havia estudado caças F-5E/F Tiger II retirados de serviço por Taiwan, mas fontes citadas pelo Pucará apontaram custos operacionais e vida útil remanescente como obstáculos. A possível escolha do AT-3 aponta para uma meta mais limitada: recuperar experiência com aviões a jato e ampliar a formação de pilotos, sem equivalência com caças modernos de defesa aérea.

Como os jatos se relacionam com os Super Tucano

Os seis A-29 adquiridos pelo Paraguai foram destinados a missões como vigilância do espaço aéreo, interdição de voos ilícitos e enfrentamento de ameaças ligadas ao crime organizado transnacional. O Super Tucano é um turboélice usado em treinamento e missões de patrulhamento e ataque leve. Já o AT-3 acrescentaria treinamento avançado a jato e outras possibilidades de emprego, caso sejam confirmadas as condições da transferência.

As funções podem ser complementares, mas a velocidade de uma aeronave, isoladamente, não garante a interceptação de alvos. O resultado depende de radares, alerta antecipado, comunicações, identificação, treinamento e disponibilidade dos aviões. A modernização paraguaia também inclui meios de vigilância: na cerimônia de entrega do último A-29, em outubro de 2026, foram mencionados radares móveis modernizados, um centro de comando e controle e um radar de longo alcance em fabricação.

A compra dos Super Tucano teve apoio de financiamento brasileiro. O ABC Color informou que uma operação de crédito com o BNDES foi formalizada em novembro de 2024 para apoiar a aquisição. Esse financiamento e a entrega das aeronaves evidenciam a participação brasileira no programa paraguaio, mas não permitem concluir que o possível acordo dos AT-3 altere a posição da Embraer no país.

Cooperação com Taiwan e próximos passos

O Paraguai é o único país sul-americano que mantém relações diplomáticas formais com Taiwan. A possível transferência dos aviões se somaria a outras iniciativas bilaterais, entre elas a doação de helicópteros Bell UH-1H recebidos pelo governo paraguaio em 2025. A cooperação ocorre em um contexto de disputa diplomática entre Taipei e Pequim, embora as informações disponíveis não demonstrem que essa competição seja a causa exclusiva do plano dos AT-3.

O próximo passo é a eventual confirmação oficial do acordo e de suas condições. Também permanecem pendentes informações sobre o estado dos aviões, as horas de voo remanescentes, a manutenção, o treinamento de tripulações e a configuração dos equipamentos. Uma nova estrutura aérea projetada para Mariscal Estigarribia, no Chaco, também foi mencionada em relatos, mas não há confirmação suficiente de que esteja pronta para operar.

Se concretizada, a transferência poderá devolver ao Paraguai uma capacidade de aviação a jato perdida há mais de duas décadas. O alcance prático dependerá menos do número anunciado do que da condição das aeronaves e dos recursos necessários para mantê-las voando regularmente.

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