Radar Saber M200 Vigilante detecta microdrones a 8 km no Sagitta Primus 2026, marco do Exército Brasileiro na defesa antidrone e vigilância aérea

Com novo modo de operação, o Radar Saber M200 Vigilante detecta SARP categoria 0 a até 8 km em Formosa, integra o 12º Grupo de Artilharia Antiaérea e eleva o padrão brasileiro de defesa antidrone

No Campo de Instrução de Formosa, entre 27 de julho e 5 de agosto, o Radar Saber M200 Vigilante identificou microdrones de SARP categoria 0 a até 8 km durante o Sagitta Primus 2026.

Essa classe reúne aeronaves de até 2 kg, autonomia inferior a uma hora, assinatura radar reduzida, um teste crítico para qualquer sistema de vigilância aérea de médio alcance.

O resultado vem de um novo modo de operação do Saber M200 Vigilante, desenvolvido pelo CTEx com a Embraer, e testado no 12º GAAAe, conforme informação divulgada pelo Centro Tecnológico do Exército e pela Embraer durante o Exercício Sagitta Primus 2026.

O que significa detectar um drone a 8 km

Os 8 km referem-se ao desempenho contra SARP categoria 0, alvos de baixíssima seção reta radar. Não é o alcance máximo do Radar Saber M200 Vigilante, mas um marco frente a microdrones difíceis de ver.

O sistema foi projetado para vigilância e alerta antecipado de médio alcance, contra alvos típicos. “Informações anteriores sobre o programa apontavam capacidade de vigilância em um raio da ordem de 200 km contra alvos convencionais.”

A demonstração indica que a mesma plataforma rastreia desde aeronaves tradicionais até pequenos drones, ampliando a resposta de defesa antidrone em cenários complexos e com múltiplas ameaças.

Para forças terrestres, enxergar microdrones a tempo é vital. Quanto menor a aeronave, mais discreta é sua assinatura, logo, a confiança no sensor se torna decisiva para comandar a interceptação.

Integração com defesa em camadas

A edição de 2026 foi a primeira do exercício dedicada a soluções anti-SARP. O Radar Saber M200 Vigilante operou integrado ao 12º GAAAe, dentro de uma arquitetura de defesa em camadas.

Essa arquitetura combina sensores, centros de comando e controle, e meios de neutralização. O objetivo é detectar, acompanhar e, por fim, engajar o alvo com o recurso mais adequado.

Também foram empregados radares Saber M60 e Saber M200, além de Centros de Operações Antiaéreas Eletrônicos. A integração fortalece a consciência situacional e agiliza decisões.

Empresas da Base Industrial de Defesa mostraram soluções de identificação, análise de sinais e interceptação cinética. O ecossistema se alinha para enfrentar drones de diferentes perfis.

Nesse contexto, o Radar Saber M200 Vigilante exerce papel crítico, detectar e acompanhar a ameaça antes que outro subsistema, cinético ou eletrônico, execute a neutralização.

Guerra eletrônica e bloqueadores

O exercício empregou recursos de guerra eletrônica contra drones. Entre os sistemas, o SCE 0100, da IACIT, e o SCJ 2000M, da AICOX, operados pelo 1º Batalhão de Guerra Eletrônica.

Esses bloqueadores compõem a camada não cinética, atuando sobre sinais de comando e de navegação. A estratégia amplia a paleta de respostas, reduzindo riscos colaterais.

A soma de detecção por radar e interferência eletrônica cria uma barreira abrangente, útil contra SARP categoria 0, quadricópteros comerciais e plataformas mais complexas.

Resultados do Sagitta Primus 2026

O Sagitta Primus 2026 foi conduzido pelo Comando de Defesa Antiaérea do Exército, reunindo mais de 500 militares de 23 organizações, com participação e equipamentos da FAB.

Coordenado pelo Centro de Doutrina do Exército, o exercício marcou a primeira experimentação doutrinária de uma seção anti-SARP, referência para futuras operações.

A capacidade de ver microdrones em tempo oportuno alimenta uma cadeia de decisão mais assertiva. A detecção precoce aumenta as chances de neutralização com menor custo e risco.

No terreno, a integração do Radar Saber M200 Vigilante com outros sensores encurtou o tempo entre alerta, classificação do alvo e escolha do efeito, cinético ou eletrônico.

Parceria CTEx e Embraer, cronograma e contratos

O Saber M200 Vigilante foi apresentado publicamente em dezembro de 2021, resultado de mais de 15 anos de parceria entre CTEx e Embraer no desenvolvimento do radar.

A cooperação mostra o papel da indústria nacional em tecnologias estratégicas de Defesa. A maturidade alcançada se reflete na transição para produção e novas variantes.

Em dezembro de 2024, foi assinado um contrato de R$ 102 milhões para a entrega de uma unidade em configuração de série do Radar Saber M200 Vigilante.

Na mesma ocasião, houve um contrato de R$ 147 milhões com a Finep para o desenvolvimento do Saber M200 Multimissão, uma variante distinta do Vigilante.

Os números mostram continuidade do investimento, sinalizando expansão de capacidades e maior cobertura de cenários, de vigilância aérea ampla a defesa antidrone dedicada.

Com microdrones de até 2 kg e autonomia inferior a uma hora no campo de provas, a validação do novo modo do Radar Saber M200 Vigilante reforça a prontidão operacional.

Ao identificar SARP categoria 0 a 8 km, o radar amplia a janela de decisão. Esse ganho alimenta toda a cadeia de defesa, do sensor, ao comando, ao sistema de neutralização.

Em síntese, a combinação de vigilância a 200 km para alvos convencionais e de alcance útil contra microdrones cria uma solução versátil para o espaço aéreo.

O desempenho em Formosa posiciona o Radar Saber M200 Vigilante como peça central na proteção de instalações sensíveis, forças em operação e áreas urbanas críticas.

Com camadas cinéticas e não cinéticas, e integração com radares Saber M60 e Saber M200, o Brasil avança em um padrão moderno de defesa antidrone.

O Sagitta Primus 2026 encerra uma etapa de validação e abre espaço para ajustes doutrinários, operacionais e industriais, essenciais à escalabilidade da solução.

Do laboratório ao terreno, o Radar Saber M200 Vigilante consolida a eficiência diante de alvos pequenos, um desafio crescente no campo de batalha contemporâneo.

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