Resumo visual da Segunda Guerra Mundial.

Pearl Harbor, Stalingrado e Dia D: as viradas da Segunda Guerra e o papel do Brasil na Itália e no Atlântico Sul

Pearl Harbor, Stalingrado e o Dia D tornaram-se marcos para entender a passagem da expansão do Eixo para uma guerra de desgaste que Alemanha, Itália e Japão já não conseguiam sustentar. Segundo informações divulgadas pelo Defesa em Foco, esses eventos, vistos em sequência, explicam como a coalizão aliada transformou sua capacidade industrial, logística, marítima e aérea em vitória.

Entre 1939 e 1945, o equilíbrio do conflito foi alterado por operações como a Batalha da Grã-Bretanha, a Batalha do Atlântico, a invasão da União Soviética, Midway, El Alamein, Stalingrado, Kursk, a campanha da Itália, o Dia D e a Operação Bagration. A manutenção do Reino Unido na guerra, o ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 e o desembarque na Normandia em 6 de junho de 1944 aparecem como elos centrais dessa virada.

Nesse tabuleiro global, o Brasil deixou a neutralidade, declarou estado de guerra contra Alemanha e Itália em agosto de 1942, protegeu as linhas marítimas no Atlântico Sul, cedeu infraestrutura estratégica no Nordeste e enviou mais de 25 mil militares à Itália com a Força Expedicionária Brasileira (FEB), de acordo com o material do Defesa em Foco.

Três marcos que mudaram a guerra

De acordo com o Defesa em Foco, Pearl Harbor colocou plenamente o poder industrial norte-americano no conflito, elevando a produção de navios, aeronaves e equipamentos e fortalecendo o apoio a aliados por meio do Lend-Lease. Já Stalingrado marcou a mudança no Front Oriental, com o cerco e a destruição do 6º Exército alemão em fevereiro de 1943. No Ocidente, o Dia D só foi possível porque os Aliados mantiveram a Inglaterra na guerra em 1940, venceram a Batalha do Atlântico e conquistaram superioridade aérea, projetando uma força maciça através do Canal da Mancha.

No mesmo período, os soviéticos lançaram a Operação Bagration em 22 de junho de 1944, devastando o Grupo de Exércitos Centro alemão. Assim, a Alemanha passou a ser pressionada por grandes frentes no Leste e no Oeste, além de enfrentar o desgaste contínuo na Itália.

O Brasil entra em cena: Atlântico Sul e bases no Nordeste

A geografia colocou o país no centro da estratégia aliada. Natal e Recife tornaram-se pontos-chave para comunicações aéreas e marítimas entre as Américas e a África. Com a intensificação da guerra submarina, navios mercantes brasileiros foram atacados. A Marinha do Brasil registra que o submarino alemão U-507 afundou cinco mercantes brasileiros entre 21 e 22 de agosto de 1942, causando a morte de centenas de pessoas, fato que contribuiu para a entrada do Brasil na guerra.

A Marinha assumiu a proteção de comboios e o patrulhamento do Atlântico Sul. Fontes históricas navais contabilizam mais de 570 comboios e 3.164 navios mercantes escoltados, além da escolta dos transportes da FEB rumo à Europa. Proteger as rotas significava garantir a chegada de combustível, alimentos, matérias-primas e equipamentos. A campanha custou vidas: a própria Marinha registra 492 militares mortos em operações de guerra, além das centenas de brasileiros vítimas de ataques à Marinha Mercante.

FEB na Itália: da cobra fumando a Fornovo di Taro

Organizada em 1943, a Força Expedicionária Brasileira transformou a antiga ironia em símbolo: a cobra fumando passou a identificar uma tropa enviada ao front europeu. Sob o comando do General João Baptista Mascarenhas de Moraes e subordinada operacionalmente ao IV Corpo do V Exército dos Estados Unidos, a FEB levou mais de 25 mil brasileiros à Itália. O primeiro escalão partiu em 2 de julho de 1944, quando a guerra já avançava para sua fase final.

Em terreno montanhoso e sob inverno rigoroso, a FEB combateu em posições como Massarosa, Camaiore, Monte Prano, Monte Castello, Montese, Collecchio e Fornovo di Taro. Em 21 de fevereiro de 1945, durante a Operação Encore e em coordenação com a 10ª Divisão de Montanha dos EUA, os brasileiros conquistaram Monte Castello após cerca de 12 horas de combate. Em abril de 1945, a tomada de Montese ocorreu em meio a forte resistência, com registros do Exército apontando centenas de baixas brasileiras.

No fim daquele mês, a FEB bloqueou a retirada inimiga na região de Collecchio e Fornovo di Taro. Seguiram-se combates e negociações que resultaram na capitulação de aproximadamente 15 mil militares do Eixo, incluindo a 148ª Divisão de Infantaria alemã, elementos da 90ª Divisão Panzergrenadier e tropas italianas da Divisão Bersaglieri. Entre os prisioneiros estava o general alemão Otto Fretter-Pico, comandante da 148ª Divisão.

FAB em ação e a lição central da guerra: logística

A Força Aérea Brasileira, criada em 1941, atuou no mesmo teatro. O 1º Grupo de Aviação de Caça, comandado por Nero Moura, voou P-47 Thunderbolt em missões de ataque a alvos terrestres, enquanto a 1ª Esquadrilha de Ligação e Observação apoiou a artilharia da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, chegando à Itália em outubro de 1944, segundo o Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica citado no material.

O Defesa em Foco destaca que a Segunda Guerra evidenciou a primazia da logística: indústrias capazes de repor tanques, aviões e navios, redes ferroviárias e marítimas seguras, superioridade aérea e integração de recursos em coalizão. Os Estados Unidos converteram sua indústria em arsenal, a União Soviética combinou mobilização humana e industrial com crescente capacidade operacional, o Reino Unido manteve o mar aberto e países como o Brasil contribuíram com território estratégico, proteção de rotas e tropas no front. Em 8 de maio de 1945, a Alemanha rendeu-se, e meses depois o Japão também capitulou, encerrando o maior conflito armado da História.

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