Expedição de 1.700 km coletou amostras e atualizou cartas náuticas no Amazonas; missão contou com UNESP, UFAM e UFRGS a bordo do navio “Rio Branco”
Uma expedição de aproximadamente 1.700 quilômetros pelo Rio Solimões reuniu a Marinha do Brasil e o Serviço Geológico do Brasil (SGB) na maior campanha isotópica já conduzida no país. O objetivo foi ampliar o entendimento sobre a origem e a circulação das águas que sustentam os rios amazônicos, com coletas de água, chuva, vegetação e sedimentos. Segundo informações divulgadas pelas instituições envolvidas, a missão ocorreu entre 13 de julho e 27 de agosto.
A comissão interagências integrou pesquisadores da UNESP, UFAM e UFRGS, e foi realizada a bordo do Navio Hidroceanográfico Fluvial “Rio Branco”, com apoio da SECIRM e vínculo ao Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM).
De acordo com as instituições, a ação faz parte do Projeto de Monitoramento Isotópico dos rios amazônicos, conduzido pelo SGB e inserido no GNIR (Global Network of Isotopes in Rivers), da Agência Internacional de Energia Atômica, com apoio técnico do Centro de Estudos Ambientais da UNESP de Rio Claro. A campanha no Solimões dá continuidade ao trabalho desenvolvido em setembro de 2025 e busca estabelecer diagnóstico isotópico e monitoramento de longo prazo.
O que a análise isotópica revela sobre a Amazônia
A análise de isótopos presentes na água permite identificar uma espécie de assinatura, revelando sua origem e o caminho percorrido até os rios. Associadas a análises químicas, essas assinaturas ajudam a investigar as rotas de geração de umidade e chuva que alimentam os cursos d’água, bem como a contribuição do escoamento de base e de parcelas de degelo em diferentes pontos da bacia.
Coleta e monitoramento de longo prazo
Ao longo da campanha, foram coletadas amostras das águas do Solimões, de águas subterrâneas em localidades ribeirinhas e da chuva registrada durante a missão, além de fragmentos de vegetação e sedimentos em suspensão ou depositados em bancos, leitos e margens. A coleta sistemática em diferentes pontos e profundidades busca formar um banco de dados capaz de ampliar o conhecimento sobre a hidrodinâmica da Bacia Amazônica e sobre o regime de secas que afeta a região, servindo a pesquisas futuras do SGB e de outras instituições.
Navio “Rio Branco” e cooperação em campo
A participação do Navio Hidroceanográfico Fluvial “Rio Branco” viabilizou o transporte de pesquisadores e equipamentos científicos ao longo de cerca de 1.700 quilômetros do Solimões. A cooperação somou capacidades militares e científicas em uma campanha dedicada a produzir informações sobre um dos principais componentes ambientais da Amazônia: a circulação de suas águas.
Levantamentos hidrográficos e segurança da navegação
Paralelamente à pesquisa isotópica, a equipe realizou levantamentos hidrográficos para atualizar cartas náuticas do trecho entre São Paulo de Olivença e Santo Antônio do Içá, no Amazonas, em cumprimento ao III Plano Cartográfico Náutico Brasileiro. Também foram produzidos auxílios à decisão para a passagem segura de navios de grande porte entre Coari e Manaus, atendendo a solicitação da Petrobras.
Os dados coletados por ecobatímetros medem profundidades por meio de ondas acústicas de alta frequência e permitem calcular a folga abaixo da quilha, além de subsidiar a atualização cartográfica necessária à navegação. No Brasil, a produção e a atualização das cartas náuticas oficiais são atribuições da Diretoria de Hidrografia e Navegação.




