Duas pessoas recebem certificado no evento de 70 anos.

Marinha e IPEN celebram 45 anos de cooperação nuclear; homenagem marca 70 anos do Instituto em São Paulo

A Marinha do Brasil e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN) celebram 45 anos de uma cooperação que moldou capacidades nacionais na área nuclear. O marco foi destacado em sessão solene pelos 70 anos do IPEN, realizada em 31 de agosto, em São Paulo, quando a Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha (DGDNTM) e o Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) receberam diplomas de reconhecimento.

Ao longo de quatro décadas e meia, a parceria avançou da produção de combustível e do projeto do reator IPEN/MB-01 à formação de operadores e, mais recentemente, a atividades no reator IEA-R1 relacionadas à produção nacional de Lutécio-177, radioisótopo aplicado em terapias.

De acordo com as informações divulgadas pelas instituições, a cooperação hoje integra pesquisa, capacitação de recursos humanos e desenvolvimento tecnológico, reunindo diferentes frentes do setor nuclear brasileiro.

Da reconversão do urânio ao IPEN/MB-01

Firmado em 1981, o convênio entre a Marinha e o IPEN/CNEN iniciou com estudos de reconversão do urânio e produção de pastilhas cerâmicas para combustível nuclear. Em 1983, começou a construção do reator de pesquisa IPEN/MB-01. Segundo a Marinha, trata-se do primeiro reator projetado e construído integralmente no Brasil, voltado a testes de metodologias de cálculos físicos de reatores e validação de projetos nucleares, incluindo combustíveis.

Formação de operadores e atuação no IEA-R1

Nas últimas décadas, a colaboração passou a incluir a capacitação de profissionais para operação e supervisão de reatores. Em 2023 e 2024, militares da Marinha participaram do processo de licenciamento para atuar como operadores do IEA-R1, no âmbito da cooperação entre o CTMSP e o IPEN/CNEN.

Em 2025, equipes da Marinha e do IPEN passaram a atuar em turnos de operação contínua do IEA-R1, medida que viabilizou a produção nacional de Lutécio-177, radioisótopo usado em aplicações terapêuticas.

Reconhecimento nos 70 anos do IPEN

A sessão comemorativa dos 70 anos do IPEN, realizada em 31 de agosto, em São Paulo, homenageou a trajetória conjunta. A DGDNTM e o CTMSP receberam diplomas pelo histórico de cooperação com o Instituto. Durante a solenidade, a diretora-superintendente do IPEN, Isolda Costa, ressaltou a importância de parcerias nacionais e internacionais para sustentar pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico.

Ao abordar os resultados alcançados, o Almirante de Esquadra Rabello destacou a atuação conjunta da Marinha, do IPEN, da USP e de institutos de pesquisa tecnológica no domínio do ciclo do combustível nuclear e em projetos de reatores de teste e de potência. O evento também homenageou ex-superintendentes e pesquisadores eméritos, entre eles Laércio Antônio Vinhas, da Amazônia Azul Tecnologias de Defesa (AMAZUL), pesquisador emérito desde 2010.

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