No Rio, ADESG debate terras raras e soberania mineral do Brasil; China entra na pauta

A Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) realizou, em 3 de setembro de 2026, seu tradicional almoço mensal de confraternização no Clube Militar, na Lagoa, no Rio de Janeiro. O encontro teve como convidado o Prof. Me. Engenheiro de Produção Carlos Luiz Dias, Diretor de Comunicação Social da ADESG Nacional, que apresentou a palestra “Elementos de Terras Raras-ETR & Minerais Críticos: Geopolítica, Segurança e Defesa da Nossa Soberania”.

Segundo informações publicadas pelo Defesa em Foco, a abordagem inseriu os Elementos de Terras Raras (ETR) e os minerais críticos em uma agenda que relaciona disponibilidade mineral, interesses estratégicos e a soberania brasileira. Após o encontro, o palestrante agradeceu ao presidente da ADESG Nacional, Prof. Sergio Lazoski, e destacou a oportunidade de compartilhar conhecimentos com o público.

Durante o debate, a Adesguiana Ana Paula Goldbach questionou a presença da China no processo de extração de ETR e minerais críticos no Brasil e os possíveis efeitos de parcerias desse tipo para a soberania nacional. De acordo com a publicação, Carlos Luiz Dias respondeu com base em suas pesquisas, tema que também vem desenvolvendo em análises no Defesa em Foco.

Quem é o palestrante e qual foi a ênfase do encontro

Carlos Luiz Dias é Mestre em Saúde e Tecnologias pela UNIRIO, membro do Instituto Therezinha de Castro da Escola Superior de Guerra e integrante do Corpo Permanente da ESG. Na palestra, ele posicionou as terras raras e os minerais críticos no cruzamento entre geopolítica, Segurança e Defesa, ressaltando que transformar recursos minerais em capacidade estratégica demanda mais do que a extração.

China, processamento e a posição do Brasil na cadeia

As questões levantadas no encontro dialogam com análises anteriores do palestrante, publicadas no Defesa em Foco. Em artigo de julho sobre o legado de Deng Xiaoping, Dias examinou como a China converteu sua posição nas terras raras em capacidade industrial e geopolítica, com destaque para a concentração chinesa nas etapas de processamento. Em 28 de agosto, no texto “A Guerra Fria das Terras Raras”, ele reforçou que o ponto decisivo da cadeia está em fases como separação, refino e transformação industrial, conectando o desafio brasileiro à necessidade de converter vantagem geológica em capacidade fabril.

Investimentos externos e o debate sobre dependência

As discussões também se relacionam a movimentos recentes envolvendo o Brasil. Em agosto, o Defesa em Foco noticiou investimento norte-americano relacionado à Serra Verde, em Goiás, empreendimento produtor de terras raras, inserido na estratégia dos Estados Unidos de reduzir a dependência de cadeias dominadas pela China.

Soberania mineral além da extração

Conforme a linha apresentada por Dias e destacada no encontro da ADESG, a questão estratégica brasileira vai além da presença de capital estrangeiro. O foco está na posição que o Brasil buscará ocupar na cadeia das terras raras e dos minerais críticos e em sua capacidade de transformar recursos do subsolo em desenvolvimento tecnológico e industrial, tema que liga geopolítica, Segurança e Defesa.

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