O Exército firmou com a Omnisys um acordo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para modernizar o Morteiro Pesado 120 mm M2 Raiado. Formalizado em 17 de setembro, o projeto prevê automatizar a passagem entre as configurações de transporte e de tiro e digitalizar o apontamento da arma.
A iniciativa busca responder a um campo de batalha em que drones, radares de contrabateria e outros sensores reduzem o tempo seguro de permanência após o disparo. A meta é acelerar a entrada em ação, a execução da missão de fogo e a saída da posição, aproximando o sistema do conceito shoot and scoot.
Segundo informações divulgadas pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o foco está na automação dessas transições e na digitalização do apontamento. O anúncio não indica que o M2 Raiado se tornará um sistema autopropulsado ou totalmente automático, nem menciona instalação em viatura blindada, carregador automático ou proteção da guarnição.
O que muda no M2 Raiado
No emprego convencional, a guarnição estabiliza, nivela e orienta o morteiro, introduzindo manualmente os dados de tiro. A automação proposta pretende encurtar esse ciclo, diminuindo etapas manuais e reduzindo erros na transmissão, leitura e aplicação de azimute e elevação. Com o apontamento digital, sensores podem informar orientação, inclinação e posição geográfica, enquanto um computador auxilia a aplicação dos elementos de tiro.
Esse ganho de velocidade não altera diretamente o alcance do armamento. De acordo com as informações disponíveis, o M2 Raiado utiliza munições nacionais da IMBEL, incluindo granadas de alto explosivo com alcances de 6.600 m e 8.150 m, além de uma versão pré-raiada com propulsão adicional que pode atingir até 12 km.
Apontamento digital e caminhos técnicos em estudo
A arquitetura final não foi detalhada pelo CTEx. Entre as possibilidades técnicas, aparecem atuadores elétricos, eletromecânicos ou eletro-hidráulicos para auxiliar na movimentação e estabilização, mas o grau de automação, a fonte de energia e os componentes definitivos dependerão do desenvolvimento conjunto de CTEx e Omnisys.
Há um antecedente relevante: em maio de 2023, o Arsenal de Guerra do Rio testou a certificação de um Sistema Inercial de Pontaria da Safran Electronics & Defense Brasil, integrado ao Sistema Gênesis de direção e controle de tiro. O novo acordo não esclarece se aquela solução será incorporada, modificada ou substituída, nem confirma integração futura com o Sistema Gênesis. Qualquer conexão deve ser tratada como possibilidade técnica, não como decisão definida.
Impacto esperado na operação e na guarnição
Ao reduzir o tempo entre preparar, disparar e deixar a posição, a modernização tende a diminuir a janela de vulnerabilidade a radares, sensores acústicos e observação por drones. A assistência mecanizada também pode aliviar o esforço físico sobre a guarnição de uma arma com mais de 700 quilos, reduzindo fadiga e risco de acidentes e liberando militares para segurança, comunicações, observação e preparo de munições. Não foi anunciada redução de efetivo, e o carregamento permanecerá com intervenção humana.
Tecnologia nacional, munições e pontos ainda indefinidos
Desenvolvido no início dos anos 2000 pelo então Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento, hoje incorporado ao CTEx, o M2 Raiado é fabricado pelo Arsenal de Guerra do Rio. Com aproximadamente 717 kg, permite tiro em 360 graus sem reposicionar completamente a base. Ao modernizar um sistema concebido no País, o Exército preserva a base industrial, de manutenção e de munições já existente, enquanto adiciona recursos compatíveis com o combate contemporâneo.
Controlada pelo Grupo Thales, a Omnisys reúne competências em sensores, eletrônica embarcada, processamento de sinais, integração de subsistemas e controle eletromecânico, com experiência anterior em rastreio de engenhos em voo. Permanecem em aberto informações como valor do acordo, prazo de desenvolvimento, número de protótipos, cronograma de testes, grau final de automação, participação de outras empresas e quantidade de morteiros a modernizar.




