A empresa brasileira ADTECH-SD apresentou o ATALAIA, radar compacto que combina tecnologia AESA e recursos de inteligência artificial para detectar e acompanhar drones. O sistema foi desenvolvido e produzido no Brasil.
A fabricante informa que o equipamento pode detectar alvos com seção reta radar de 0,01 m² a até 5 quilômetros. O alcance divulgado se refere às condições dos testes relatados pela empresa, e não representa uma garantia de desempenho em qualquer ambiente.
Segundo as informações técnicas divulgadas pela ADTECH-SD, o radar foi concebido para ser transportado e instalado com facilidade, além de poder integrar soluções mais amplas de vigilância e defesa contra aeronaves não tripuladas.
Como funcionam o radar AESA e a inteligência artificial
A arquitetura AESA direciona eletronicamente o feixe do radar por meio de múltiplos módulos de transmissão e recepção, sem precisar movimentar mecanicamente a antena para fazer a varredura. Segundo a empresa, o sistema pode buscar e acompanhar múltiplos contatos e processar sinais para estimar coordenadas na linha de visada.
Os recursos de inteligência artificial são apresentados como auxiliares na classificação dos contatos detectados. O material divulgado não informa taxas de acerto, falsos alarmes nem resultados de avaliações independentes desses algoritmos. Detectar, acompanhar e classificar alvos são funções de vigilância e, por si só, não significam que o radar possa neutralizar drones.
Alcance anunciado e limites dos dados divulgados
Além dos 5 quilômetros informados para alvos com seção reta radar de 0,01 m², a ADTECH-SD cita alcance de aproximadamente 47 quilômetros para aeronaves de grande porte. A seção reta radar indica a intensidade com que um objeto reflete sinais de radar, não simplesmente seu tamanho físico visível.
O equipamento opera na banda C e tem potência de saída anunciada de até 200 W. A fabricante também afirma que várias unidades podem ser conectadas para ampliar a cobertura em azimute até 360 graus. Essa capacidade depende da associação de múltiplos radares, não de uma única unidade.
O comunicado não apresenta relatório público com condições ambientais, altitude dos alvos ou probabilidade de detecção, dados que permitiriam comparar os alcances de forma independente. Também não informa peso, dimensões exatas, tempo medido de instalação ou quantidade máxima de alvos acompanhados.
Integração ao SIMAD e próximos passos
A empresa afirma que o ATALAIA foi concebido para possível integração ao Sistema Integrado de Monitoramento e Defesa Antidrone, o SIMAD, como sensor de detecção e acompanhamento. O material menciona a possibilidade de operação automatizada, mas não detalha ensaios de integração nem configurações já implantadas.
Entre as aplicações potenciais apontadas pela fabricante estão a vigilância de perímetros e a proteção de instalações e áreas críticas. A ADTECH-SD, sediada em São José dos Campos, também se apresenta como Empresa Estratégica de Defesa. Não foram divulgados preço, clientes, contratos concluídos ou adoção operacional do radar por alguma força armada.
A divulgação de relatórios de ensaio, demonstrações com condições definidas e eventuais anúncios de integração ou contratos poderá ajudar a avaliar o desempenho do ATALAIA em aplicações reais. Por enquanto, os alcances e as capacidades descritos são informações fornecidas pela própria fabricante.




