A Naval Group transferiu, em 16 de outubro de 2026, o submarino nuclear de ataque Rubis (S639) para o dispositivo flutuante de colocação na água, em Cherbourg, na França. A movimentação, acompanhada pela ministra francesa das Forças Armadas, Catherine Vautrin, marca uma etapa da construção, mas não significa que o submarino já tenha sido lançado ao mar ou esteja pronto para operar.
Quinta unidade do programa Barracuda, o Rubis ainda deverá passar por trabalhos de instalação e integração, entrada na água e testes no cais e no mar. A entrega à Marinha francesa está prevista para o fim de 2027, sujeita ao andamento dessas etapas. Para o Brasil, o programa oferece uma referência sobre a continuidade industrial necessária a projetos submarinos de longo prazo, como o PROSUB.
Transferência não significa lançamento nem prontidão operacional
A saída do galpão de construção e a transferência para o dispositivo flutuante são marcos físicos do processo. Depois, vêm a colocação efetiva na água e as verificações dos sistemas, primeiro em condições controladas e, posteriormente, durante provas no mar. Só após as etapas previstas o submarino poderá ser entregue e preparado para o serviço.
O Rubis é o quinto de seis submarinos nucleares de ataque planejados para a classe Suffren. O programa Barracuda já havia entregue quatro unidades entre 2020 e junho de 2026; o sexto submarino, Casabianca, integra a continuidade da série. Embora compartilhe o nome com uma classe francesa anterior, o S639 pertence à geração Suffren.
Uma cadeia industrial que exige continuidade
A Naval Group informa que o programa mobiliza aproximadamente 3 mil profissionais, incluindo trabalhadores de empresas subcontratadas. Construir submarinos exige equipes especializadas em áreas como engenharia naval, soldagem, eletrônica, integração de sistemas, controle de qualidade e ensaios. A continuidade entre unidades pode ajudar a manter conhecimentos e equipes, embora não elimine riscos de atrasos, revisões de custos ou desafios técnicos.
O programa envolve a Direção-Geral de Armamento da França, o Comissariado de Energia Atômica e Energias Alternativas, a Naval Group e a TechnicAtome, além de fornecedores. Essa articulação mostra que um submarino depende de uma rede industrial e institucional ampla, não apenas do estaleiro que reúne suas estruturas.
O que a experiência francesa tem a ver com o PROSUB
A Naval Group participa como parceira industrial do PROSUB, estabelecido no contexto da cooperação de defesa entre Brasil e França firmada em 2008. O programa brasileiro inclui quatro submarinos convencionais derivados da família Scorpène, infraestrutura especializada em Itaguaí, no Rio de Janeiro, e o desenvolvimento do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto.
Há uma distinção essencial: segundo a Marinha do Brasil, a propulsão nuclear do Álvaro Alberto é desenvolvida nacionalmente, no âmbito do Programa Nuclear da Marinha. O acordo com a França não prevê transferência da tecnologia do reator naval. O PROSUB é um programa brasileiro próprio, não uma versão do Barracuda ou do Suffren.
Para o Brasil, a experiência francesa destaca a importância de manter infraestrutura, profissionais qualificados, fornecedores e planejamento ao longo de décadas. O avanço do Rubis não acelera automaticamente o cronograma brasileiro, mas ajuda a compreender o esforço industrial necessário para construir, testar e sustentar submarinos. No caso do Álvaro Alberto, esse desafio inclui também o desenvolvimento nacional da propulsão nuclear.




