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Carros conectados expõem motoristas a riscos de furto eletrônico e monitoramento

Um Toyota RAV4 foi furtado após criminosos explorarem uma conexão física próxima ao farol para interferir na comunicação eletrônica do veículo, segundo uma investigação conduzida pelo pesquisador de segurança Ian Tabor e pelo especialista Ken Tindell. O caso demonstra uma vulnerabilidade específica, não que qualquer carro conectado possa ser levado dessa forma.

A técnica identificada, chamada CAN Injection, consiste em introduzir mensagens falsas na rede que permite aos módulos eletrônicos do automóvel trocar informações. Em paralelo, aplicativos e serviços conectados podem coletar dados de localização e condução, criando riscos de privacidade quando as informações são usadas ou protegidas inadequadamente.

Como a rede do carro foi explorada

Em 2022, Tabor percebeu danos e sinais de manipulação perto do farol de seu RAV4. Depois de novos episódios e de registros de erros de comunicação entre módulos, ele e Tindell investigaram a rede interna do veículo. A vulnerabilidade associada ao caso foi catalogada como CVE-2023-29389.

A rede CAN, sigla para Controller Area Network, conecta unidades eletrônicas que coordenam funções como iluminação, motor e segurança. Na modalidade investigada, a conexão próxima ao farol teria permitido inserir mensagens falsificadas e contornar controles de acesso. Os pesquisadores descreveram um dispositivo eletrônico disfarçado de caixa de som. O ataque não exigiu quebrar a criptografia da chave original, mas dependeu de condições e vulnerabilidades específicas da arquitetura afetada.

Localização e hábitos também podem ser expostos

Além do risco de acesso indevido ao veículo, serviços de telemetria e aplicativos podem registrar trajetos e comportamento de condução. Nos Estados Unidos, a Federal Trade Commission atuou contra práticas de coleta e compartilhamento de dados associadas à General Motors e ao serviço OnStar. Segundo a fonte, a decisão concluída em 2026 estabeleceu restrições e obrigações sobre o uso de determinados dados dos motoristas.

Os casos são distintos: o furto do RAV4 envolveu exploração eletrônica, enquanto a atuação da FTC tratou de práticas relacionadas a dados pessoais. Eles não demonstram que todos os fabricantes monitorem ilegalmente seus clientes ou que aplicativos permitam controlar qualquer automóvel. O alcance da exposição depende das informações coletadas, das permissões concedidas e das proteções de cada serviço.

Medidas para reduzir a exposição

Proprietários podem verificar atualizações de software e recalls divulgados pelo fabricante, proteger contas com senhas exclusivas e autenticação multifator quando disponível, além de revisar permissões de localização e compartilhamento de dados. Dispositivos mecânicos antifurto também podem acrescentar uma barreira física. Nenhuma dessas medidas oferece garantia absoluta.

A segurança depende também dos fabricantes e dos fornecedores de serviços, que precisam considerar a proteção dos sistemas eletrônicos, aplicativos e plataformas conectadas. Referências como a ISO/SAE 21434 e diretrizes da Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos, a NHTSA, tratam do gerenciamento de riscos cibernéticos no ciclo de vida dos veículos.

Para motoristas no Brasil, os episódios internacionais reforçam a importância de avaliar segurança digital e proteção patrimonial em conjunto. As informações fornecidas não indicam uma taxa específica de furtos desse tipo no país. À medida que mais funções dependem de software e conectividade, proteger o automóvel também envolve proteger as redes que coordenam seus componentes e os dados gerados durante o uso.

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