A Saab registrou SEK 65,825 bilhões em novas encomendas entre julho e setembro de 2026, alta de aproximadamente 216% em relação ao mesmo período do ano anterior. Um dos principais contratos do trimestre foi o fornecimento de 16 caças Gripen E destinados à Ucrânia, no valor de SEK 24,6 bilhões.
O crescimento, porém, não se refere apenas ao Gripen. Também contribuíram para o resultado pedidos de aeronaves de vigilância GlobalEye e sistemas para fragatas alemãs. As vendas trimestrais somaram SEK 20,553 bilhões, enquanto o lucro operacional antes de juros e impostos chegou a SEK 1,945 bilhão.
Os resultados foram divulgados em 23 de outubro. Segundo o balanço e as informações publicadas pela Saab, a encomenda ucraniana havia sido anunciada em junho e foi contabilizada no terceiro trimestre. Para o Brasil, a expansão internacional do programa pode abrir oportunidades industriais, mas não garante novos contratos para a Embraer.
Contrato para a Ucrânia prevê entregas a partir de 2029
O acordo para os 16 Gripen E foi firmado entre a Saab e a Administração Sueca de Materiais de Defesa (FMV). O valor informado, cerca de SEK 24,6 bilhões, inclui peças e equipamentos associados. As entregas da fabricante à FMV estão previstas para 2029 e 2030.
Assim, o balanço de outubro não representa a assinatura de um segundo contrato com a Ucrânia nem a entrega imediata das aeronaves. O registro no trimestre reflete a contabilização do pedido já anunciado.
Produção brasileira do Gripen avança em Gavião Peixoto
A Embraer mantém em Gavião Peixoto, no interior paulista, a primeira linha de montagem final do Gripen instalada fora da Suécia. Inaugurada em maio de 2023, a estrutura realiza integração de aeroestruturas, instalação de sistemas, testes e preparação das aeronaves para os voos de produção, segundo a Saab.
Em 6 de outubro de 2026, o primeiro Gripen E produzido no Brasil fez seu voo inaugural a partir das instalações da Embraer. A Saab informou que o voo avaliou funções básicas e o desempenho inicial da aeronave, como parte dos ensaios de aceitação da produção. A previsão contratual mencionada pela fabricante contempla 15 aeronaves produzidas na linha brasileira.
A cadeia também inclui a unidade da Saab em São Bernardo do Campo, que fabrica aeroestruturas enviadas a Gavião Peixoto. A montagem reúne componentes brasileiros e internacionais. Segundo a empresa, cerca de 200 profissionais atuam na operação em Gavião Peixoto, aproximadamente 60 deles diretamente na produção.
Possível produção adicional ainda depende de compromissos definitivos
Em julho de 2026, Saab e Embraer firmaram um Acordo de Princípios para estabelecer as bases de uma possível produção de mais 20 caças em Gavião Peixoto. A proposta prevê complementar a produção sueca e atender oportunidades no Brasil e no exterior, mas não equivale a uma encomenda firme dessas aeronaves.
O aumento da carteira global da Saab pode ampliar as perspectivas para a cadeia brasileira caso futuras vendas sejam acompanhadas de decisões que distribuam atividades industriais no país. Até que haja definições sobre volumes, clientes e participação de fornecedores, não é possível afirmar que a Embraer produzirá Gripen destinados à Ucrânia ou receberá parte dos contratos anunciados.




