A Marinha Real britânica tem cinco fragatas equipadas com sonar rebocado, ante uma referência operacional de oito, segundo relatório do Comitê de Defesa da Câmara dos Comuns. Divulgado em 22 de outubro de 2026, o documento avalia a preparação do Reino Unido para operar no Alto Norte e aponta riscos para a capacidade de localizar e acompanhar submarinos no Atlântico Norte.
Os parlamentares recomendam que nenhuma outra fragata Type 23 com essa capacidade seja retirada de serviço antes de sua substituição, unidade por unidade, por uma Type 26. O alerta concentra-se no intervalo entre a saída gradual dos navios antigos e a incorporação dos novos.
O que representa o déficit
A diferença de três unidades compara o número de fragatas com sonar rebocado à referência citada pelo comitê. Não representa o total de navios da Royal Navy nem indica quantos estão disponíveis ao mesmo tempo para patrulha. Inventário, manutenção, prontidão, tripulações e permanência em missão são fatores distintos.
O sonar rebocado é um sensor acústico instalado em um cabo e utilizado para ajudar navios a detectar e acompanhar contatos submersos. Seu desempenho depende das condições do mar e da coordenação com outros meios, como helicópteros, aeronaves de patrulha marítima e submarinos. Portanto, o relatório trata da quantidade de fragatas com uma capacidade específica, não do desempenho individual de cada embarcação.
Transição entre Type 23 e Type 26
As Type 23 especializadas em guerra antissubmarino são parte da capacidade britânica de buscar e acompanhar submarinos. As novas Type 26 também são projetadas para missões desse tipo. A preocupação dos parlamentares é que a retirada das unidades antigas avance antes que as substitutas estejam incorporadas e disponíveis em número suficiente.
Entregar um navio não significa que ele esteja imediatamente pronto para todas as missões. Testes, integração de sensores, treinamento de tripulações e manutenção também influenciam sua disponibilidade. O comitê relaciona a lacuna à proteção de rotas de reforço militar, instalações energéticas e cabos de comunicação no Atlântico Norte, diante das atividades submarinas russas.
O que o caso britânico indica para o Brasil
O relatório não avalia a Marinha do Brasil nem aponta uma deficiência equivalente no país. Ainda assim, o caso ilustra um desafio de planejamento naval: manter capacidades operacionais durante a substituição de equipamentos, e não apenas acompanhar o número de navios contratados ou em construção.
O Programa Fragatas Classe Tamandaré prevê quatro novas fragatas, enquanto o Programa de Desenvolvimento de Submarinos reúne iniciativas de construção naval e desenvolvimento de competências. São programas com objetivos próprios, e sua comparação com a frota britânica não pode se basear somente na quantidade de embarcações. No Brasil, a disponibilidade naval também se relaciona à proteção de rotas comerciais, instalações offshore e cabos submarinos no Atlântico Sul.
O próximo ponto a acompanhar no Reino Unido é a resposta do governo às recomendações do Comitê de Defesa e a evolução da substituição das Type 23 pelas Type 26. A questão central é evitar que a renovação da frota crie uma lacuna operacional antes que os novos meios estejam prontos para cumprir suas funções.




