O Exercício Guardião Cibernético 8.0, realizado de 21 a 25 de setembro de 2026, reuniu organizações brasileiras e representantes estrangeiros em simulações de incidentes contra sistemas e serviços essenciais. Coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), o treinamento envolveu instituições militares, órgãos públicos e empresas.
A atividade destacou a dimensão internacional da defesa cibernética brasileira e a necessidade de coordenação entre diferentes setores. A comparação com o exercício bilateral Keris Woomera 2026, de Austrália e Indonésia, mostra abordagens distintas para treinar equipes e incorporar a segurança digital a atividades de defesa.
Um exercício amplo, com números divulgados por critérios diferentes
Na abertura, o Ministério da Defesa informou a participação de aproximadamente 1.300 pessoas, 300 organizações e representantes de 14 países. Outros balanços institucionais divulgaram totais superiores a 4 mil participantes, mais de 380 instituições e representantes de 20 países. Como não há metodologia pública que permita conciliar os levantamentos, os números devem ser entendidos conforme a fonte que os divulgou.
O treinamento abordou cenários relacionados a áreas como energia, transporte, recursos hídricos, comunicações e biossegurança. O objetivo foi exercitar a identificação de incidentes, o compartilhamento de informações e a resposta coordenada, não reagir a um único ataque real em andamento.
As fontes disponíveis não apresentam uma lista completa e validada dos países latino-americanos participantes. A presença internacional favorece o intercâmbio, mas não comprova, por si só, a criação de uma estrutura permanente de resposta conjunta ou a interoperabilidade certificada entre os participantes.
Proteção de serviços depende de articulação entre setores
Infraestruturas críticas são sistemas e serviços considerados essenciais, operados por organizações com responsabilidades e capacidades distintas. No exercício, equipes militares, órgãos civis e empresas puderam treinar procedimentos de coordenação. A atividade não substitui as atribuições legais de cada instituição.
Em outubro, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República também divulgou um balanço de um gabinete temático de ciberbioproteção realizado em setembro, com cenários fictícios ligados à saúde pública e à agropecuária. A iniciativa ilustra a participação de áreas técnicas e gestores responsáveis por funções essenciais.
Keris Woomera integrou simulação cibernética a exercício militar
Entre 12 e 20 de outubro de 2026, Austrália e Indonésia realizaram o exercício bilateral Keris Woomera 2026, com cerca de mil militares australianos e 1.235 indonésios em atividades terrestres, navais, aéreas e de apoio. A Defesa australiana informou que, pela primeira vez, equipes militares de defesa cibernética foram integradas ao treinamento conjunto.
Em uma simulação realizada em 16 de outubro, em Baluran, na região de Java Oriental, militares indonésios formaram a equipe Red Team, que representava a ameaça fictícia, enquanto australianos integraram a Blue Team, voltada à identificação e resposta a incidentes. As atividades incluíram análise de registros digitais e procedimentos de contenção, segundo os organizadores e a agência indonésia ANTARA.
A divulgação australiana também relatou diferenças de abordagem, incluindo o uso de ferramentas de inteligência artificial em parte das atividades indonésias e procedimentos mais manuais pelos australianos. Não foram apresentados resultados quantitativos que permitam comparar o desempenho das equipes. Os organizadores descreveram um cenário simulado, não a defesa de sistemas operacionais durante um ataque real.
Os dois exercícios oferecem referências complementares: o Guardião Cibernético aproxima participantes responsáveis por serviços essenciais e defesa no Brasil; o Keris Woomera integrou a atividade cibernética a um treinamento militar multidomínio. Para avaliar os resultados, seriam necessários dados verificáveis sobre responsabilidades, compartilhamento de informações e resposta aos incidentes simulados. Esses critérios são parâmetros de análise, não resultados oficiais divulgados.




