Dois computadores quânticos destinados ao Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba (CIQUANTA-PB) têm chegada prevista ao Porto de Suape, em Pernambuco, no início de novembro de 2026. Depois, os componentes devem seguir para João Pessoa, onde serão instalados na antiga Estação das Artes.
O centro é uma iniciativa do Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O investimento global divulgado para o projeto é de R$ 200 milhões: R$ 140 milhões do governo estadual e R$ 60 milhões da União.
O secretário paraibano de Ciência e Tecnologia, Cláudio Furtado, atribuiu às duas máquinas um custo aproximado de US$ 10 milhões, segundo reportagem do Movimento Econômico. Esse valor se refere aos equipamentos e tem escopo diferente do orçamento total do centro.
Instalação e operação ainda dependem de etapas técnicas
A chegada ao porto não significa que os computadores estarão prontos para uso. A instalação requer montagem, sistemas de resfriamento criogênico, proteção contra interferências, integração de componentes, configuração de software, calibração e testes.
O cronograma institucional indica 20 de novembro de 2026 como previsão para o início do comissionamento do primeiro equipamento, etapa de verificação e preparação para operação. Declarações à imprensa apontam expectativa de estabilização em dezembro e funcionamento regular a partir de janeiro de 2027. Esses prazos dependem da conclusão dos trabalhos, e a data de inauguração ainda não foi anunciada.
As máquinas usam qubits supercondutores, componentes que precisam operar a temperaturas extremamente baixas. O sistema foi projetado para trabalhar próximo de 10 milikelvin. A capacidade nominal de 20 e 100 qubits, por si só, não determina o desempenho: estabilidade, conectividade e taxas de erro também influenciam a utilidade dos equipamentos.
Formação e pesquisa estão entre os objetivos do centro
O CIQUANTA prevê laboratórios e atividades com pesquisadores, universidades, empresas e instituições governamentais. A infraestrutura poderá ampliar o acesso de equipes do Nordeste à pesquisa em tecnologias quânticas, mas os resultados dependerão dos projetos realizados e de experimentos efetivamente concluídos.
Em junho de 2026, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação anunciou R$ 20 milhões para 156 bolsas de formação relacionadas ao centro, conforme comunicado do Governo da Paraíba. Instituições como UFPB, UFCG e UEPB foram citadas entre os parceiros acadêmicos. Os recursos das bolsas não devem ser somados automaticamente ao orçamento global do projeto sem esclarecimento sobre sua composição.
Modelagem molecular, novos materiais, saúde, logística, energia e inteligência artificial estão entre as áreas de pesquisa mencionadas pelos responsáveis. São possibilidades de estudo, não resultados já comprovados. Computadores quânticos não são superiores aos convencionais em todas as tarefas, e a avaliação da capacidade do centro dependerá também da confiabilidade das máquinas e dos resultados científicos produzidos.
Protocolo prevê cooperação com o Exército, sem repasse financeiro
Em março de 2026, o Governo da Paraíba e o Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro assinaram um protocolo de intenções para ampliar parcerias em ciência, tecnologia e inovação. O documento, publicado no Diário Oficial da União, prevê estudos conjuntos alinhados aos programas das instituições, tem vigência até 18 de março de 2032 e registra que não há repasse financeiro previsto no próprio protocolo.
O acordo formaliza uma cooperação científica ampla, mas não comprova que o Exército já utilize os computadores, nem que existam projetos executados com essas máquinas ou recursos militares destinados ao CIQUANTA. Tecnologias quânticas podem motivar pesquisas em áreas como simulação, materiais, sensoriamento e comunicações, mas computação quântica, comunicação quântica e criptografia pós-quântica são campos distintos.
O próximo passo é confirmar a chegada, concluir a instalação e publicar informações sobre o comissionamento, o acesso de universidades e empresas e os primeiros projetos realizados. Até lá, a contribuição econômica e científica do centro permanece uma expectativa a ser avaliada por resultados verificáveis.




