Avibras retoma operações após 4 anos, capta R$ 300 milhões e cria Avibras Aeroco para reerguer o Astros e voltar a disputar o mercado global de defesa

Companhia em recuperação judicial com R$ 800 milhões em dívidas volta com 271 trabalhadores, acordo trabalhista de R$ 230 milhões e plano de recontratações graduais

Após quatro anos de paralisação e uma grave crise financeira, a Avibras retoma operações com uma reestruturação que inclui captação de aproximadamente R$ 300 milhões e retorno gradual das atividades.

A empresa está em recuperação judicial desde 2022 e acumula cerca de R$ 800 milhões em dívidas. Em maio, voltou com 271 trabalhadores ativos e prevê recontratações ao longo dos próximos meses.

O movimento integra um plano que reorganiza passivos, ativos e governança, e cria a estrutura Avibras Aeroco para concentrar tecnologias e projetos, conforme publicação da Defesa em Foco.

Reestruturação financeira e nova estrutura operacional

Para reequilibrar contas, a Avibras estruturou um plano baseado na renegociação de passivos, captação de recursos e reorganização de ativos estratégicos, medida vista como essencial para destravar contratos e caixa.

Um dos pilares é a Avibras Aeroco, que vai concentrar tecnologias, projetos e capacidades industriais. A meta é ganhar eficiência, fortalecer a governança e tornar a companhia mais atrativa a investidores.

Tecnologia, Astros e novos programas de mísseis

No campo tecnológico, a Avibras preserva ativos relevantes, como o Sistema Astros, além de projetos em mísseis e sistemas avançados. Esses programas são citados como chaves para retomar receitas.

Historicamente, a empresa tem reconhecimento internacional, com o Astros exportado para diversos países. A retomada busca reposicionar a marca na Base Industrial de Defesa e recuperar espaço no exterior.

Impacto social e acordo com trabalhadores

A reativação encerra um período crítico para os trabalhadores. A greve iniciada em setembro de 2022, motivada por atrasos salariais, durou cerca de 1.280 dias, um dos movimentos mais longos do setor.

O acordo com o sindicato prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas a cerca de 1,4 mil funcionários, com parcelamento entre 12 e 48 meses, condição vital para o retorno.

No início, a operação ocorre com 271 trabalhadores. A direção projeta recontratações graduais, o que pode aliviar a economia local e reduzir os impactos da paralisação nas famílias.

Perspectivas no mercado global de defesa

A retomada chega em meio a maior demanda global por equipamentos militares, impulsionada por tensões geopolíticas e modernização de forças. O cenário abre janelas para contratos e parcerias estratégicas.

Sob liderança de Sami Hassuani, a estratégia mira crescimento sustentável e expansão para novos mercados. Se bem-sucedida, a reestruturação pode recolocar a Avibras como protagonista do setor.

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