O apelido “pracinhas da FEB” atravessou décadas e segue diretamente associado à participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Mas de onde veio essa palavra que se tornou sinônimo dos combatentes brasileiros na Campanha da Itália?
De acordo com documentação apresentada pelo Defesa em Foco, o termo apareceu na imprensa brasileira em outubro de 1944, quando as tropas nacionais já combatiam na Europa. Registros em jornais daquele período mostram o uso de “pracinha” para se referir aos integrantes da Força Expedicionária Brasileira.
Ao contrário do que muitos imaginam, a origem não tem relação com as praças das cidades nem com a ideia de que os combatentes fossem jovens, baixos ou de menor importância. O apelido deriva de “praça”, termo do vocabulário militar, e ganhou um sentido afetivo ao identificar os brasileiros enviados ao front.
O que “praça” significa nas Forças Armadas
No vocabulário militar, praças e oficiais são categorias distintas da hierarquia. De maneira geral, soldados ou marinheiros, cabos, sargentos, subtenentes e suboficiais compõem o universo das praças, que possuem graduações, enquanto os oficiais têm postos. É desse uso técnico que nasce o diminutivo “pracinha”, mais tarde popularizado.
Registros de 1944 na imprensa: de Cyro Chesneau a Rubem Braga
Segundo o material apresentado, um dos primeiros registros do termo surgiu em 21 de outubro de 1944, quando o jornal Diário da Noite publicou uma carta do 1º tenente médico Cyro Chesneau, integrante do Batalhão de Saúde da FEB. Nela, aparece a expressão: “Nossos pracinhas estão possuídos de um espírito combativo inigualável.”
Dez dias depois, em 31 de outubro de 1944, o correspondente de guerra Rubem Braga utilizou o termo no Diário Carioca, registrando: “O brasileiro é o ‘pracinha’.” A circulação pela imprensa, acompanhada por leitores a milhares de quilômetros do campo de batalha, ajudou a espalhar o apelido pelo país.
Do uso técnico ao sentido afetivo e abrangente
A FEB não era formada apenas por praças, já que também havia oficiais entre os enviados ao front. Assim, do ponto de vista estritamente militar, nem todos os integrantes poderiam ser chamados de “praças”. Com a popularização do diminutivo, porém, “pracinha” passou a identificar de modo geral o combatente brasileiro na Itália, ultrapassando a precisão hierárquica e ganhando um tom próximo e afetivo.
Um nome que ficou ligado à memória da FEB
Mais de 25 mil brasileiros atravessaram o Atlântico para lutar na Campanha da Itália, enfrentando o inverno europeu, o relevo dos Apeninos e os desafios de uma guerra distante de casa. Nesse contexto, “pracinha” deixou de ser apenas uma derivação de “praça” e se consolidou como o nome pelo qual a sociedade reconheceu a experiência da Força Expedicionária Brasileira. Até hoje, falar em “pracinhas da FEB” remete aos brasileiros que participaram daquele capítulo da história.




