A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) identificou seis riscos críticos para o desempenho e a resiliência dos portos brasileiros: instabilidade política, conflitos geoeconômicos, excesso regulatório, aumento da carga tributária, interrupções em infraestruturas digitais críticas e falhas nas cadeias globais de suprimentos.
O diagnóstico foi elaborado em parceria com a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com contribuições de 125 especialistas e gestores. Segundo o estudo, 73,7% dos riscos avaliados permanecem elevados nos horizontes de curto e longo prazo. Esse percentual indica persistência dos fatores de risco na avaliação, não a parcela de portos ameaçados nem a probabilidade de paralisação.
Riscos podem afetar operações sem danos físicos
As ameaças identificadas podem elevar custos, dificultar investimentos ou interromper serviços essenciais. Uma falha em sistemas digitais, por exemplo, pode atrasar a liberação de mercadorias e prejudicar a coordenação logística mesmo que cais, equipamentos e outras estruturas físicas continuem disponíveis.
As cadeias de suprimentos também podem afetar as operações quando insumos não chegam no prazo ou quando mudanças em rotas marítimas alteram a disponibilidade de navios, os custos de frete e seguro e os prazos de transporte. A exposição varia conforme o tipo de carga e os mercados atendidos por cada terminal.
Mudanças climáticas ganham destaque até 2035
Na projeção para 2035, as mudanças climáticas aparecem como o principal risco ambiental. Eventos meteorológicos extremos, elevação do nível do mar, erosão costeira e restrições de recursos naturais podem exigir adaptações da infraestrutura. Chuvas intensas e ventos fortes, conforme as condições locais, também podem limitar manobras, dificultar acessos ou danificar equipamentos.
As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul são um antecedente brasileiro dos impactos que eventos hidrológicos extremos podem causar em redes de transporte e logística. O estudo, porém, não prevê desastres equivalentes em locais determinados nem atribui o mesmo nível de exposição a todos os portos. A avaliação precisa considerar as vulnerabilidades de cada instalação, incluindo drenagem, acessos e continuidade operacional.
Planejamento e avaliações específicas
Em 2025, o sistema portuário brasileiro movimentou aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas, dimensão que evidencia a importância das operações para a logística nacional. Uma interrupção prolongada pode repercutir sobre exportadores, importadores, transportadores, indústrias e consumidores, conforme as cargas afetadas e a existência de rotas alternativas.
O estudo integra a Agenda Ambiental e de Segurança Aquaviária 2025–2026 e foi desenvolvido por meio de acordo de cooperação técnica entre a ANTAQ e a UFMA. A agência divulgou o levantamento em 30 de junho de 2026. As recomendações incluem monitoramento contínuo, adaptação climática, modernização digital, capacitação e incorporação da gestão de riscos ao planejamento portuário. O diagnóstico não comprova paralisações futuras nem estabelece uma classificação individual de vulnerabilidade para todos os terminais.




