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Gripen no Brasil: o que empresas brasileiras fabricam e desenvolvem no caça sueco

O primeiro Gripen E montado no Brasil fez seu voo inaugural em 6 de outubro de 2026, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O voo marcou uma etapa da produção local, mas não significou que a aeronave tenha sido entregue à Força Aérea Brasileira (FAB).

O caça tem origem sueca e seu projeto permanece sob a autoridade da Saab. Ainda assim, empresas e profissionais no Brasil participam da fabricação de estruturas, da montagem e integração de sistemas, de atividades de engenharia e de ensaios em voo.

Segundo informações divulgadas pela Saab, a contribuição brasileira também inclui equipamentos de cabine desenvolvidos pela AEL Sistemas e usados em aeronaves destinadas a clientes internacionais. A participação amplia as competências industriais do país, mas não equivale ao controle integral do Gripen.

Montagem e ensaios do Gripen E em São Paulo

A linha de montagem final de Gavião Peixoto, inaugurada em maio de 2023, é a primeira do Gripen estabelecida fora da Suécia. No contrato brasileiro de 36 aeronaves, que prevê 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos, está prevista a montagem final de 15 unidades Gripen E no Brasil.

A Embraer integra grandes seções da aeronave, instala equipamentos e sistemas e participa de inspeções, testes funcionais e atividades de voo. O primeiro voo de produção teve o piloto de testes da Saab Jakob Högberg nos comandos, com planejamento e execução técnica conduzidos por equipes de engenharia de ensaios em voo da Embraer, apoiadas pela fabricante sueca. A aeronave ainda precisa cumprir verificações e procedimentos de aceitação.

Parte das estruturas é produzida em São Bernardo do Campo pela Saab Aeronáutica Montagens (SAM), integrante do grupo sueco Saab. Entre os componentes feitos pela empresa estão estruturas de fuselagem, partes da seção de cauda e freios aerodinâmicos. A fabricação no Brasil, portanto, ocorre dentro de uma cadeia internacional, com componentes e conjuntos de diferentes fornecedores.

Displays brasileiros e participação no desenvolvimento

Em Porto Alegre, a AEL Sistemas desenvolveu três equipamentos de apresentação de informações para a cabine do Gripen E/F: o Wide Area Display (WAD), tela panorâmica que reúne dados de voo e da situação tática; o Head-Up Display (HUD), que exibe informações no campo visual frontal do piloto; e o Helmet-Mounted Display (HMD), associado ao capacete do aviador.

De acordo com a Saab, os três equipamentos foram incluídos em pedidos do Gripen E/F, inclusive os destinados a clientes internacionais. A contribuição mostra que a participação brasileira vai além da fabricação de estruturas, mas não significa que toda a eletrônica do caça seja nacional. O motor GE F414, por exemplo, é de origem norte-americana, e outros componentes também vêm de fornecedores internacionais.

Engenheiros brasileiros também atuam em disciplinas relacionadas ao desenvolvimento e à integração do Gripen F, a versão de dois lugares. Embora o Brasil participe dessa engenharia, as oito unidades encomendadas pelo país têm montagem final prevista na Suécia.

Transferência de tecnologia não significa controle total

Segundo dados apresentados pela Saab, o programa de transferência de tecnologia inclui 62 projetos e acumulou mais de 600 mil horas de treinamento. A capacitação envolve atividades de engenharia, produção, integração, sistemas embarcados e ensaios, conhecimentos que podem fortalecer a indústria nacional dentro dos limites de contratos e direitos de propriedade intelectual.

Participar de processos de fabricação e desenvolvimento não concede, por si só, liberdade para alterar qualquer software, integrar armamentos sem aprovação ou exportar o caça de forma independente. As informações disponíveis não indicam que o Brasil tenha adquirido autoridade irrestrita sobre o projeto, que continua sendo sueco.

Possibilidade de novas aeronaves ainda depende de acordo

Em julho de 2026, Saab e Embraer firmaram um acordo preliminar para estudar a possível produção de mais 20 Gripen no Brasil, com Gavião Peixoto considerada como alternativa. A iniciativa não corresponde a uma encomenda adicional da FAB nem a uma venda já fechada.

O programa, assim, reúne produção local, desenvolvimento de equipamentos e participação brasileira em engenharia e testes, sem que o país fabrique sozinho todos os componentes ou controle o projeto completo. O Gripen é sueco em sua origem, mas a atuação de empresas instaladas no Brasil tornou o país parte relevante de sua cadeia industrial.

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