Imagens de satélite ajudam a acompanhar a cobertura vegetal, o uso do solo e fenômenos ambientais em um país de grande extensão territorial. Parte dos instrumentos usados nessa observação foi desenvolvida no Brasil pela OPTO Space & Defense, integrante do Grupo AKAER.
A empresa participou de programas como CBERS-4, CBERS-4A e Amazônia-1, além de desenvolver a câmera 3UCAM para o nanossatélite VCUB1, da Visiona. Os equipamentos mostram a evolução de competências brasileiras em sistemas ópticos para observar a Terra.
As informações sobre os projetos foram divulgadas por organizações como o INPE, a AKAER e a Visiona. Elas também ajudam a dimensionar o alcance dessa tecnologia: câmeras nacionais fortalecem a indústria, mas são apenas uma parte dos sistemas necessários para uma missão espacial.
Do programa CBERS ao Amazônia-1
Nos satélites CBERS-4 e CBERS-4A, desenvolvidos no âmbito da cooperação entre Brasil e China, a OPTO participou da câmera multiespectral MUX. A câmera WFI, por sua vez, foi desenvolvida em consórcio com a Equatorial Sistemas, conforme registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
A WFI também integrou o Amazônia-1, primeiro satélite de observação da Terra inteiramente projetado, integrado, testado e operado pelo Brasil. Lançado em 28 de fevereiro de 2021, ele utiliza a Plataforma Multimissão desenvolvida pelo INPE. Ao completar cinco anos em órbita, em 2026, já havia realizado mais de 26 mil voltas ao redor da Terra, segundo o instituto.
A MUX e a WFI registram informações em diferentes faixas do espectro. A escolha entre instrumentos depende da finalidade da missão, da área a observar e do nível de detalhe necessário. As imagens podem apoiar atividades de sensoriamento remoto, mas sua obtenção e utilização também dependem de outros sistemas da missão, além do processamento dos dados.
VCUB1 levou câmera nacional a uma plataforma compacta
Desenvolvida pela OPTO S&D para o nanossatélite VCUB1, da Visiona, a 3UCAM foi apresentada como a primeira câmera espacial reflexiva projetada e produzida no Brasil. O equipamento reúne uma arquitetura óptica compacta e recursos de imageamento destinados a satélites menores.
Segundo informações técnicas divulgadas pela AKAER, a câmera foi projetada para produzir imagens com resolução inferior a cinco metros e operar com até sete bandas espectrais. Um catálogo da Base Industrial de Defesa do Ministério da Defesa informa resolução no solo de 3,5 metros. O resultado das imagens em operação também depende das condições de observação e do processamento aplicado.
Em outubro de 2024, a Visiona divulgou imagens captadas pelo VCUB1 e informou a conclusão da avaliação operacional do nanossatélite. A etapa documentou a aplicação da câmera em uma missão, sem significar que ela, isoladamente, assegure cobertura contínua do território brasileiro.
O alcance e os limites da tecnologia nacional
Dados de observação da Terra podem subsidiar o acompanhamento ambiental, o planejamento agrícola e a gestão territorial. O INPE utiliza informações de sensoriamento remoto em iniciativas como PRODES e DETER, que recorrem a diferentes satélites, sensores e métodos de análise. Portanto, seus resultados não dependem apenas das câmeras da OPTO S&D.
O desenvolvimento de instrumentos ópticos no país amplia a capacidade de projetar e integrar componentes para missões espaciais. Isso não equivale, porém, à autonomia completa na fabricação de satélites, lançadores e componentes eletrônicos ou na operação de toda a infraestrutura necessária.
Segundo o INPE, aproximadamente 60% dos recursos orçamentários destinados ao desenvolvimento do Amazônia-1 foram aplicados em contratos com a indústria brasileira. A participação de empresas nos programas também contribui para a formação de pessoal especializado e o desenvolvimento de processos de engenharia.
A trajetória entre CBERS, Amazônia-1 e VCUB1 reúne diferentes projetos e parcerias em torno da observação da Terra. O avanço está no acúmulo de competências nacionais em instrumentos espaciais, uma capacidade estratégica que depende de continuidade e integração com os demais sistemas de cada missão.




