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Economia do mar cresce no Brasil, mas falta de profissionais preocupa setores náuticos

Portos, estaleiros, marinas e sistemas de comunicação submarinos fazem parte de uma economia brasileira ligada ao mar há séculos. Com a expansão de diferentes atividades, cresce também a necessidade de trabalhadores com formação especializada.

Em Santa Catarina, representantes da indústria náutica relataram dificuldades para contratar profissionais com as competências exigidas. Na Bahia, o avanço de projetos de embarcações e a ampliação do lazer náutico apontam novas demandas, mas não comprovam, por si só, falta de mão de obra em todo o país.

As informações foram reunidas em reportagem da revista Náutica e em dados divulgados por órgãos públicos e veículos de comunicação. O quadro indica que o desafio é aproximar a qualificação profissional das necessidades concretas de cada setor.

Embarcações maiores ampliam as exigências de formação

Em reportagem publicada em outubro de 2026, a revista Náutica reuniu relatos apresentados durante um fórum de capacitação técnica promovido pela Associação Catarinense de Marinas e Náutica. Empresários destacaram necessidades de formação ligadas à construção de barcos e aos serviços de turismo náutico.

Um fabricante de Itajaí citado pela publicação passou a produzir embarcações de maior porte. Barcos maiores e mais equipados podem exigir conhecimentos integrados em sistemas elétricos, mecânicos e hidráulicos, além de serviços de acabamento, manutenção e atendimento especializado.

O governo de Santa Catarina estimou, em levantamento divulgado em abril de 2026, cerca de 250 mil empregos formais associados à economia do mar no estado. O número reúne atividades diversas e não representa apenas postos na fabricação de embarcações de lazer.

Bahia combina expansão náutica e projetos de construção naval

Na Bahia, os registros de condutores amadores de embarcações passaram de 16.457, em 2020, para 31.717, em 2025, segundo dados da Capitania dos Portos reproduzidos pelo jornal A TARDE. No mesmo período, os barcos registrados aumentaram de 21.392 para 24.507. Os números mostram a expansão do universo náutico, mas não medem vagas de emprego ou escassez de trabalhadores.

Em outubro de 2026, o Ministério de Portos e Aeroportos informou que projetos de construção de embarcações no estado receberam prioridade de financiamento de R$ 953,2 milhões pelo Fundo da Marinha Mercante. Entre as propostas estão unidades como rebocadores e embarcações de logística. A prioridade não significa que o dinheiro já tenha sido integralmente liberado.

Os mercados de lazer e de transporte marítimo têm perfis diferentes, embora possam compartilhar demanda por mecânicos, eletricistas, soldadores, técnicos e profissionais de manutenção. A formação precisa considerar as exigências e certificações próprias de cada atividade.

Formação depende de articulação entre ensino e empresas

O Brasil já conta com estruturas de ensino marítimo. A Marinha, por meio da Diretoria de Portos e Costas e do Ensino Profissional Marítimo, mantém programas de formação e atualização de aquaviários. Essa preparação, porém, não substitui cursos técnicos e superiores necessários a trabalhadores de estaleiros, fabricantes, telecomunicações e serviços turísticos.

Instituições como o Instituto Federal de Santa Catarina, o SENAI, universidades, empresas e organizações setoriais podem complementar a formação. Em Santa Catarina, o projeto Marina Escola, parceria entre o IFSC e a ACATMAR citada pela revista Náutica, é uma iniciativa para aproximar o ensino técnico do ambiente de trabalho. A existência do projeto não comprova que todas as estruturas e cursos estejam em funcionamento.

Para planejar melhor, é necessário cruzar informações sobre vagas abertas, ocupações difíceis de preencher, cursos disponíveis e localização dos investimentos. A fonte aponta que ainda falta uma medida nacional padronizada da escassez de profissionais por ocupação marítima.

Portos e cabos submarinos ampliam o alcance da economia do mar

Os portos brasileiros movimentaram aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas em 2025, recorde com crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários divulgados pelo Ministério de Portos e Aeroportos. O volume evidencia a importância logística do setor, mas não equivale ao valor total da economia do mar nem ao número de empregos que ela reúne.

A infraestrutura marítima também sustenta conexões digitais. Informações da Anatel divulgadas em 2026 indicam que cerca de 99% do tráfego internacional de dados utiliza cabos submarinos. Projetar, instalar e manter esses sistemas demanda competências em telecomunicações, engenharia, navegação e segurança.

O crescimento de portos, embarcações, turismo e tecnologia torna mais importante alinhar investimentos à formação de trabalhadores. Para dimensionar o desafio, será preciso distinguir as necessidades de cada região e ocupação, sem tratar estimativas de emprego ou relatos setoriais como prova de um déficit nacional uniforme.

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