A NASA planeja lançar em 2028 a Space Reactor-1 Freedom (SR-1 Freedom), missão que pretende demonstrar o uso de um reator nuclear para gerar eletricidade e alimentar propulsores em uma viagem a Marte. A chegada ao planeta está prevista para 2029, mas os dois marcos seguem como planos, não como etapas concluídas.
O projeto também prevê transportar três helicópteros científicos do programa SkyFall. A missão combina a avaliação de uma arquitetura de energia e propulsão com o envio de uma carga destinada a realizar reconhecimento e coletar dados em Marte.
Contrato prevê sistema de conversão de energia
Em comunicado divulgado em 28 de outubro de 2026, a empresa norte-americana Kratos Defense & Security Solutions anunciou um subcontrato de US$ 33,6 milhões para projetar, fabricar e entregar o sistema que converterá o calor do reator em eletricidade. A Kratos trabalhará como subcontratada da Sierra Lobo, no fornecimento à NASA.
O equipamento utilizará um ciclo Brayton fechado, tecnologia que transforma energia térmica em elétrica. Ele integra o sistema de energia da nave, mas não é o reator completo: o desenvolvimento deste está a cargo do Idaho National Laboratory, ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos.
Como funciona a propulsão nuclear-elétrica
Na arquitetura prevista, a fissão nuclear produz calor, que será convertido em eletricidade para os sistemas de bordo e os propulsores elétricos. Ao contrário de foguetes químicos convencionais, esses propulsores podem operar com empuxo relativamente baixo por períodos prolongados, com foco na eficiência do uso de propelente.
A NASA informou que o reator permanecerá desligado até a nave deixar a órbita terrestre. A demonstração em voo ainda depende do desenvolvimento, da integração dos sistemas e das avaliações de segurança nuclear. O contrato anunciado pela Kratos representa uma etapa de desenvolvimento, não a conclusão de testes integrados.
Helicópteros científicos fazem parte da carga
A SR-1 Freedom deverá liberar em Marte três helicópteros do SkyFall, derivados da experiência do projeto Ingenuity. Entre os objetivos anunciados estão reconhecer áreas de exploração, obter dados científicos e buscar indícios relevantes para estudos sobre possíveis fontes de água.
O plano prevê que a nave faça uma passagem por Marte para liberar os helicópteros. A documentação mencionada não prevê o pouso do reator na superfície. Para o Brasil, a missão oferece uma referência sobre sistemas espaciais de alta potência e engenharia nuclear, mas não há participação brasileira anunciada no projeto ou no subcontrato da Kratos.




