Drones militares em hangar brasileiro com bandeira.

Xmobots injeta mais de R$ 220 milhões e avança em drones armados, enxames e navegação sem GPS no Brasil

A brasileira Xmobots avança na construção de uma família de sistemas não tripulados desenvolvidos no país, incluindo versões armadas e novas tecnologias como operações em enxame e navegação independente de GPS. Segundo informações divulgadas pela própria empresa, mais de R$ 220 milhões foram destinados a pesquisa, desenvolvimento e soluções para Defesa e Segurança.

Entre as plataformas, destaque para o Nauru 1000C ISTAR, que, conforme a Xmobots, foi entregue ao Exército Brasileiro em dezembro de 2022 e passou por avaliações técnicas e experimentações doutrinárias concluídas em 2024. A companhia também reporta resultados de demonstrações de uma versão armada do Nauru 100D.

Os investimentos, a ampliação da capacidade industrial e o portfólio em evolução foram apresentados pela Xmobots com números de horas de voo acumuladas e planos que incluem um novo VTOL de maior porte. A seguir, os principais pontos informados pela empresa.

Investimentos e capacidade industrial no país

De acordo com a Xmobots, aproximadamente R$ 11 milhões foram destinados a projetos de pesquisa e desenvolvimento entre 2010 e 2022, com apoio de FAPESP, Finep e CNPq. A partir de 2022, outros R$ 209 milhões foram direcionados ao desenvolvimento de soluções para Defesa e Segurança, com participação de parceiros como Finep, ANP, Petrobras, Repsol, Petronas e MBDA.

Fundada em 2007 e sediada em São Carlos (SP), a companhia informa contar com cerca de 500 funcionários, mais de 250 engenheiros de diferentes especialidades e estrutura que reúne engenharia aeronáutica, mecânica e eletrônica, além de hardware aviônico, software, navegação, controle, inteligência artificial, sensores, comunicação e propulsão. A estratégia de verticalização concentra internamente desenvolvimento, integração, testes e evolução de componentes e sistemas.

Segundo a empresa, a capacidade instalada supera 2 mil unidades por ano, considerando diferentes plataformas, como Nauru 100D, Nauru 500C ISR e Nauru 1000C ISTAR, além do sensor XSIS 222A.

Plataformas Nauru em uso e desempenho informado

O Nauru 1000C ISTAR tem massa de 181 kg, autonomia informada de até 10 horas e alcance entre 60 e 120 quilômetros. O primeiro sistema foi entregue ao 1º Batalhão de Aviação do Exército, em Taubaté (SP), em dezembro de 2022. A avaliação técnica e operacional pelo CAEx foi concluída em julho de 2024, e a experimentação doutrinária pelo Exército, em dezembro do mesmo ano, segundo a Xmobots.

A empresa informa que a Família Nauru acumula aproximadamente 5 mil horas de voo e 5 mil operações. O Nauru 100D registra mais de 1.500 voos e 500 horas na versão Delta; o Nauru 500C soma cerca de 2.600 voos e mais de 3.500 horas na versão Charlie; e o Nauru 1000C reúne aproximadamente 800 voos e mais de 700 horas na versão Charlie.

Versões armadas e demonstrações ao Exército

A Xmobots apresenta o Nauru 100D UCAV como evolução voltada a missões de ataque com munição. A configuração foi exibida ao Alto Comando do Exército em maio de 2026, durante o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre. Em demonstração coordenada entre configurações ISR e UCAV, a empresa informa que o sistema atingiu o alvo com CEP de 1,4 metro.

Outra frente, ainda em desenvolvimento, é o Nauru 1000C Armado, concebido a partir da plataforma ISTAR para missões de ataque. Uma das arquiteturas avaliadas utiliza o conceito de ataque em mergulho, no qual o Nauru 1000C ISTAR identificaria e acompanharia o alvo enquanto a plataforma armada receberia as informações necessárias ao cálculo de trajetória, segundo a Xmobots.

Próximos passos: enxames, VNS e o conceito Nauru 3000D

O Nauru 100D Swarm está sendo desenvolvido para coordenar múltiplas aeronaves em uma mesma operação. Na arquitetura apresentada, três aeronaves se dedicam ao reconhecimento do ambiente e à aquisição de alvos, enquanto outras 27 atuam de forma coordenada a partir das informações coletadas. Também em desenvolvimento, a Navegação Visual (VNS) é concebida para orientar a aeronave com inteligência artificial e câmeras de bordo, de modo independente do GPS.

O documento da empresa apresenta ainda o Nauru 3000D, uma plataforma VTOL de maior porte, com propulsão híbrida e autonomia projetada de até 14 horas. O conceito prevê arquitetura modular para missões ISTAR, transporte de carga e de tropas. A própria Xmobots identifica a representação do Nauru 3000D como imagem conceitual, ou seja, não se trata de um sistema já operacional. Segundo a empresa, esses projetos integram a evolução planejada da família e permanecem em diferentes estágios de desenvolvimento, ao lado das plataformas já entregues, avaliadas ou utilizadas.

Rolar para cima