A Fundação Ezute e a Concert Space se uniram a HORUSEYE TECH, TR Radares e CRON Sistemas para estruturar a Missão ATTOSat, que prevê o desenvolvimento de um satélite de pequeno porte para observar a atmosfera da Amazônia.
A proposta é produzir dados sobre queimadas, aerossóis, formação de nuvens e poluição atmosférica, com possibilidade de monitorar gases de efeito estufa. As informações poderiam apoiar pesquisas e iniciativas de gestão ambiental, mas ainda não há resultados de medições em órbita.
Segundo comunicado das instituições, o acordo foi formalizado por um Memorando de Entendimentos assinado na sede da Ezute, em São Paulo, em uma terça-feira, dia 20. O material divulgado não informa o mês nem o ano da assinatura.
Missão prevê satélite e estrutura para processar os dados
Além do equipamento espacial, o planejamento inclui sistemas em terra para receber, processar e disponibilizar as observações. O período previsto de operação é de pelo menos dois anos, condicionado à conclusão do desenvolvimento e à disponibilidade dos sistemas necessários.
Aerossóis são partículas suspensas no ar, como fumaça e poeira. Observá-los junto a outros fenômenos atmosféricos pode ajudar a estudar relações entre emissões, nuvens e condições climáticas. O comunicado, porém, não detalha instrumentos finais, precisão das medições, órbita ou frequência de revisita do satélite.
Empresas dividem funções de engenharia e operação
A Fundação Ezute contribuirá com a proposta de financiamento, o gerenciamento técnico e administrativo e a Engenharia de Sistemas Integrada. A atribuição não significa que a fundação financiará integralmente a missão.
A Concert Space ficará responsável por atividades previstas de software embarcado, processamento de dados e apoio à operação. A HORUSEYE TECH contribuirá com soluções de navegação, orientação e controle; a TR Radares atuará em sensoriamento, calibração, validação e sistemas de apoio em solo; e a CRON Sistemas participará da plataforma, integração, ensaios e preparação para o lançamento.
Qualificação não representa aprovação final do projeto
De acordo com as instituições, o ATTOSat foi admitido na Carteira de Qualificação do ProSAME, vinculada à Agência Espacial Brasileira, no primeiro semestre do ano mencionado no comunicado. A etapa permite avançar em estudos de viabilidade técnica, científica e orçamentária, mas não equivale à aprovação final de financiamento.
O material divulgado não informa o orçamento global, o lançador, a data prevista para a entrada em órbita nem os resultados de testes de integração. Também não confirma que todos os componentes serão fabricados no Brasil.
Dados poderão complementar pesquisas sobre a Amazônia
Se desenvolvida e colocada em operação, a missão poderá ampliar as informações disponíveis para estudos de queimadas, poluição e mudanças climáticas na região. O uso dos dados dependerá da qualidade dos instrumentos, da validação científica e de sua integração com outras fontes de observação.
A parceria também cria uma oportunidade para desenvolver competências nacionais em software espacial, sensores, controle de plataforma e processamento de dados. A formalização do acordo marca uma etapa de estruturação, mas os benefícios ambientais e tecnológicos ainda dependem da execução das próximas fases.




