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Tilápia do São Francisco movimenta indústria e empregos no Sertão de Alagoas

Estagiários da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em Alagoas (ADESG-AL) visitaram, em 28 de outubro de 2026, estruturas de piscicultura e beneficiamento de pescado associadas à Cia dos Frios, em Piranhas. A atividade integrou os estudos da turma sobre a importância econômica do uso de rios e águas interiores no estado.

A cadeia observada reúne criação de tilápias em tanques-rede, processamento industrial e distribuição rodoviária. Segundo informações apresentadas pela equipe técnica, a Aquicultura São Pedro produz aproximadamente 410 toneladas de tilápia por mês. Cerca de metade segue para processamento e a outra parte é comercializada como peixe inteiro.

O volume mensal informado indica a escala da operação, mas não comprova uma produção anual específica. A atividade também envolve fornecimento de ração e equipamentos, manutenção, transporte refrigerado e contratação de trabalhadores, conforme os representantes explicaram aos visitantes.

Do cultivo ao processamento

Na apresentação, a equipe descreveu etapas de alevinagem, crescimento e engorda, em um ciclo de aproximadamente sete meses, sujeito às condições de manejo e do ambiente. Os peixes passam por vacinação individual na fase inicial. Segundo os responsáveis, a operação vacina, em média, 700 mil peixes por mês.

O acompanhamento da qualidade da água é parte da gestão do cultivo. A equipe informou que realiza coletas periódicas em pontos a montante e a jusante da área de produção e explicou que alterações de vazão e nível do reservatório podem afetar a criação. A disponibilidade de água, por si só, não garante a sustentabilidade: o manejo precisa considerar também resíduos, sanidade e as condições ambientais.

No beneficiamento, o pescado passa por operações como filetagem, acabamento, congelamento, armazenamento e expedição. A conservação exige refrigeração, controle de qualidade e transporte adequado. Os representantes também relataram o encaminhamento de subprodutos para processos industriais, incluindo a produção de óleo e farinha de pescado, conforme a natureza do material.

Empregos e formação profissional

Durante a visita, um representante da empresa informou que o complexo de Piranhas emprega aproximadamente 220 pessoas em atividades operacionais, processamento, manutenção, logística e administração. O número foi apresentado pela empresa e não corresponde a um levantamento independente.

O responsável pela área de recursos humanos relatou dificuldades para atrair e reter trabalhadores em uma região distante dos grandes centros, especialmente para funções que exigem competências técnicas. A experiência evidencia como a expansão de uma atividade industrial pode aumentar a demanda por qualificação profissional e articulação com instituições de ensino.

Águas interiores no planejamento regional

A piscicultura visitada é uma atividade de aquicultura continental, não de produção no mar. Sua inclusão na pesquisa da ADESG-AL permite examinar como o uso econômico de rios e reservatórios se relaciona com logística, geração de energia, abastecimento, turismo e conservação ambiental.

Segundo representantes da ADESG, a viagem teve como objetivo conhecer a realidade produtiva alagoana e subsidiar estudos de planejamento estratégico, não formar piscicultores. Em Piranhas, os estagiários puderam observar como cultivo, processamento e distribuição conectam a produção do Sertão a mercados de diferentes estados, ao mesmo tempo que dependem de infraestrutura, trabalhadores qualificados e gestão responsável dos recursos hídricos.

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