Negócio via Globe Investimentos depende do Cade, prioriza retomada produtiva, exportações e proteção tecnológica da Base Industrial de Defesa brasileira
A Avibras, referência da Base Industrial de Defesa, passará ao controle da J&F por meio da Globe Investimentos. A compra de 100% da companhia foi anunciada, e a conclusão ainda exige análise do Cade.
Em recuperação judicial desde 2022, a empresa enfrentou crise severa, com risco a programas estratégicos das Forças Armadas. A nova controladora pretende garantir a retomada, preservar tecnologia e ampliar presença global.
A movimentação ocorre após a reativação de linhas de foguetes, mísseis e veículos militares em Jacareí, SP, um dos polos de defesa do país, conforme informações do Defesa em Foco.
Cade analisa aquisição e próximos passos
Embora o contrato esteja assinado, o fechamento do negócio depende do crivo do Cade, que avaliará os efeitos concorrenciais. Somente após essa etapa a Globe Investimentos assumirá o controle definitivo da Avibras.
Até a decisão, seguem vigentes os procedimentos do plano de recuperação judicial aprovado pela Justiça. Os valores da operação não foram revelados, segundo a fonte, e a opção de compra já constava do plano.
A Avibras entrou em recuperação em março de 2022, com dívidas de aproximadamente R$ 394 milhões. A empresa relatou perda de competitividade no Oriente Médio e Sudeste Asiático, com rivais apoiados por governos.
Com a aquisição, a expectativa é consolidar governança, reforçar capital e sustentar programas críticos da Base Industrial de Defesa, mitigando riscos de descontinuidade produtiva e tecnológica.
Retomada industrial, exportações e foco tecnológico
Segundo a Globe Investimentos, a prioridade é restabelecer o ritmo industrial, garantir entregas e fortalecer exportações. A meta é recolocar a Avibras em mercados tradicionais e abrir novas frentes.
A companhia atua em foguetes de artilharia, mísseis táticos, sistemas de defesa antiaérea, veículos militares e tecnologias aeroespaciais. Preservar essas competências é vital para a Base Industrial de Defesa.
A manutenção da capacidade produtiva, combinada à atualização tecnológica, é vista como pilar de autonomia nacional. A operação também sustenta cadeias de fornecedores críticos do setor.
Com novas condições financeiras, a gestão pretende acelerar certificações, ampliar portfólio de exportação e reforçar suporte logístico, fatores decisivos para contratos internacionais.
ASTROS segue como ativo estratégico do Exército
O principal ativo da Avibras é o Sistema ASTROS, plataforma de lançadores múltiplos em uso no Exército Brasileiro e exportada a diversos países. O sistema integra programas estratégicos da Defesa Nacional.
A fonte registra que, literalmente, “Sistema Astros permanece como principal ativo estratégico da empresa”. O destaque reforça o apelo internacional e a relevância do programa no mercado de defesa.
Com suporte de capital e gestão, a expectativa é ampliar performance, suporte logístico e evolução de versões do ASTROS, fortalecendo a imagem do Brasil como fornecedor confiável.
O reforço ao ASTROS tende a irradiar ganhos para a Base Industrial de Defesa, com efeitos sobre engenharia, manutenção, simulação e transferência de conhecimento.
Empregos, greve histórica e acordo trabalhista
A crise resultou em uma paralisação inédita, com 1.280 dias de greve. O acordo homologado na Justiça prevê cerca de R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas a aproximadamente 1.400 empregados.
Os pagamentos ocorrerão em até quatro anos. O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região seguirá monitorando o cumprimento, defendendo empregos e direitos, independentemente da mudança de controle.
A retomada produtiva em Jacareí já reativou linhas de foguetes, mísseis e veículos, passo essencial para recuperar cadência industrial e confiança de clientes nacionais e estrangeiros.
O avanço societário, somado ao acordo trabalhista, cria terreno para estabilizar operações, reduzir passivos e reabrir portas comerciais, pontos decisivos para a Base Industrial de Defesa.
Recuperação judicial e reestruturação societária
Durante o processo, o Fundo Brasil Crédito virou maior credor ao adquirir créditos e apresentou plano alternativo de recuperação. O plano foi aprovado pela Justiça paulista e pelos credores.
A Globe Investimentos já financiava a Avibras e vinculou a opção de compra ao plano, criando condições de capital e governança para a reestruturação, etapa chave para recuperar competitividade.
Sem o reforço financeiro e a reorganização societária, projetos sensíveis poderiam ser interrompidos. A venda oferece continuidade a programas estratégicos, elemento central para a soberania.
Caso o Cade aprove a transação, o novo ciclo pode consolidar a Avibras como vetor de inovação, exportações e empregos qualificados na Base Industrial de Defesa brasileira.




