O Brasil registrou recorde na produção de petróleo e gás natural em setembro de 2026, com 6,120 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d), segundo dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 3 de novembro. No mesmo mês, 98,1% do petróleo nacional foi extraído no mar.
O resultado mostra o peso da estrutura offshore na produção de energia do país. Plataformas, sistemas submarinos, embarcações de apoio e terminais integram a cadeia necessária para extrair e movimentar os recursos. A concentração das operações no mar também torna relevantes a segurança da navegação e a proteção das instalações e rotas marítimas.
Como se compõe o recorde
A produção nacional alcançou 4,711 milhões de barris de petróleo por dia e 223,98 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A unidade boe converte petróleo e gás para uma medida energética comum; portanto, o total recorde não corresponde apenas a petróleo líquido.
Os campos marítimos responderam por 98,1% da produção de petróleo e por 89% da produção de gás natural. Já o pré-sal produziu cerca de 5,100 milhões de boe/d, equivalentes a 83,3% do total nacional de petróleo e gás. A produção do pré-sal cresceu 23,1% em relação a setembro de 2025. Entre os campos offshore, Búzios registrou aproximadamente 1,190 milhão de barris de petróleo por dia.
Produção de gás e oferta ao mercado são medidas diferentes
Apesar do volume bruto de gás produzido, a quantidade disponibilizada ao mercado foi de 66,37 milhões de metros cúbicos por dia em setembro, abaixo dos 69,41 milhões registrados em agosto. Parte do gás pode ser reinjetada nos reservatórios, consumida nas instalações, queimada ou encaminhada ao mercado. Os dados divulgados não permitem atribuir a queda mensal da disponibilidade a um único fator.
O aproveitamento comercial depende também de sistemas de escoamento, processamento e transporte. Assim, o recorde de produção total não significou aumento da oferta comercial de gás em relação ao mês anterior.
Infraestrutura marítima e contexto estratégico
A cadeia petrolífera envolve instalações produtivas e transporte marítimo. Dados históricos do Ministério de Portos e Aeroportos indicam que a cabotagem brasileira movimentou cerca de 222,9 milhões de toneladas em 2025, incluindo aproximadamente 169 milhões de toneladas relacionadas a petróleo e derivados. Angra dos Reis, Porto do Açu e São Sebastião tiveram movimentações expressivas de petróleo bruto. Esses números se referem a 2025 e não são resultado do recorde de setembro de 2026.
A Marinha do Brasil inclui a proteção dos interesses marítimos e de infraestruturas relevantes em seu planejamento e em exercícios de Defesa. Isso contextualiza a importância estratégica das instalações e rotas, mas os dados de produção não indicam uma operação militar ou uma ameaça específica.
O recorde físico também não determina, por si só, a arrecadação de royalties. Segundo a ANP, o cálculo considera volumes, preços de referência e alíquotas. O valor aproximado de R$ 62,16 bilhões informado para 2025 corresponde ao exercício anterior, não à produção recorde de setembro de 2026.




